O Impacto do diagnostico da hepatite C na qualidade de vida

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Nos primeiros mesesdo ano 2000 realizamos uma pesquisa pela Internet para saber qual foi a reação das pessoas ao ser diagnosticada com “Hepatite Crônica”. Curiosamente, 92% das 323 resposta indicavam que a palavra “Crônica” resultou muito mais impactante que a palavra “Hepatite”, pois a mesma soava com uma coisa definitiva, permanente.

Dando prosseguimento a importância da reação do portador ante uma situação adversa estamos traduzindo um importante estudo, que mostra como o indivíduo reage e como a mente responde com emociones físicas e emocionais.

Recomendamos a todos os médicos que e muito importante a forma como e comunicado o diagnostico da doença e também como deve ser abordado o portador que não responde ao tratamento.

Um estudo publicado em Hepatology, 1999;30;1299-1301, sugere que o diagnostico da hepatite C afeta mais a qualidade de vida que a própria doença.

Geralmente pacientes conscientes da sua doença tem uma qualidade de vida inferior que aqueles que ignoram que estão doentes.

No estudo, realizado em 34 pacientes de hepatite C, crônicamente infetados e que não tinham conhecimento da doença, 44% foram informados da infecção e 56% não foram informados desta condição.

O estudo descreve que os indivíduos que foram informados da sua infecção pela hepatite C crônica tinham uma percepção subjetiva da sua saúde física e mental sumamente pobre, o que os levava a uma limitação das suas atividades diárias e a problemas emocionais.

Em contraste, aqueles que não ficaram sabendo que tinham hepatite C crônica não foram detectadas mudanças nas suas atividades físicas ou mental.

Os dois grupos eram sócio e demograficamente iguais e com uma historia de risco similar, tanto bioquimicamente como virologicamente. A única diferença era que aqueles que ficaram sabendo da doença provavelmente eliminaram as bebidas alcóolicas da sua dieta. Nenhum tinha sido tratado ou estava em tratamento com as terapias normais ( o Interferon com ou sem a Ribavirina).

Ambos grupos tinham historias similares no uso de drogas intravenosas e nenhum paciente tinha-se se injetado nos 24 meses anteriores. Estima-se que ambos grupos tinham uma media de 26 anos de infecção. Nenhum dos indivíduos tinha uma historia de depressão ou qualquer outra doença atual que pudesse afetar a sua qualidade de vida. Não existiam sintomas físicos da doença ou alterações nas transaminases.

A redução na qualidade de vida foi observada em aqueles que ficaram sabendo da sua contaminação e tiveram afetadas algumas variáveis que medem a saúde emocional e física, afetando as atividades diárias. Nos pacientes que não foram informados sobre a sua infecção com a hepatite C não foram observadas mudanças nas suas saúdes emocional ou física e de forme nenhuma nas suas atividades diárias.

O fato que o grupo que não sabia da sua doença não teve modificações na sua vitalidade e na saúde em geral, sugere que os sintomas normalmente informados da fadiga e cansaço em pacientes com hepatite C podem ser secundários a um processo fisiológico. Porém deve-se observar que os pacientes deste estudo não tinham alterações nas transaminases e que não foram feitas biópsias para se saber o alcance do dano hepático.

No ficou definido o quanto na redução na qualidade de vida em qualquer dos grupos pode ser atribuída a hepatite C ou quanto pode ser atribuído a perturbação psicológica, previamente documentada neste grupo de usuários de drogas injetáveis.

O que ficou claro no estudo, e que pacientes que foram diagnosticados com a hepatite C tem uma redução global da sua qualidade de vida quando comparados com indivíduos que ainda não foram diagnosticados.

Os resultados do estudo evidenciam que uma possível causa do impacto na qualidade de vida dos pacientes com hepatite C seja a forma como o indivíduo reage a sua nova condição e que os aspetos adversos sejam maiores que o da própria doença.

E muito possível que isto esteja relacionado com a falta de informação do paciente em relação a doença e também a forma como ela e comunicada pelo médico. E provável que um dialogo apropriado por parte do médico ajude a reduzir os efeitos negativos do diagnostico.

Alguns médicos, conscientes desta situação e também que e impossível explicar tudo o necessário sobre a doença no curto espaço de uma consulta, encaminham os pacientes para os grupos de apoio, onde poderão se informar sobre a doença, os cuidados necessários, as formas de evitar a contaminação de familiares e amigos e principalmente saber sobre a evolução da doença.

O paciente, conhecendo os depoimentos de outros contaminados, descobre que não está só e ao saber que as chances de desenvolver uma cirroses não são para todos os contaminados e sim para 25% destes, descobrem, que agora, que estão sendo tratados e acompanhados, podem quedar no 75% que poderão ter uma vida normal, com pouco ou nenhum dano hepático.

Os resultados observados se verificam na retomada da qualidade de vida e na eliminação do quadro estressante.

Observamos, nos depoimentos das reuniões dos grupos de apoio uma situação similar em portadores que não respondem ou não conseguem resultados no tratamento. Quando o médico, simplesmente diz que nada mais pode ser feito, este portador entra em quadro depressivo que se não tratado pode ser irreversível.

Em função dos depoimentos que freqüentemente recebemos, recomendamos aos médicos, o máximo de cuidados ao informar sobre a detecção da hepatite C ou quando o tratamento não da resultado. E necessário lembrar que a saúde do paciente não e somente física e que muito tem a ver com a reação emocional.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo


 

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