O que podemos esperar em 2018 no cenário das hepatites no Brasil?

1334

Voltar

21/12/2017

 

Em 2018 as expectativas brasileiras no enfrentamento da hepatite C são fantásticas. O ministro da Saúde Ricardo Barros anunciou durante o “World Hepatitis Summit 2017” que pretende comprar 130.000 tratamentos em dois anos (2018 e 2019) com o objetivo já no início do segundo semestre de 2018 para que todos os infectados, com qualquer dano no fígado, sejam contemplados com o tratamento e, ainda, prometeu adquirir 12 milhões de testes rápidos em 2018 para ampliar as campanhas de diagnóstico e encontrar os infectados.

Para tal o ministério solicitou a ANVISA prioridade no registro de quatro novos medicamentos, dois já aprovados em dezembro (Zepatier® e Harvoni®) e outros dois com previsão de serem aprovados já em janeiro (Epclusa® e Maviret®).

Ao mesmo tempo já no dia 12 de janeiro do Departamento ITS/Aids/Hepatites Virais convocou o Comitê Cientifico para dar início a discussão e redação de um novo protocolo de tratamento, prevendo a inclusão desses quatro novos medicamentos.

Uma vez realizado um texto (rascunho) o mesmo será endereçado a CONITEC a qual também recebeu a solicitação de prioridade e nesse momento as empresas são chamadas novamente para uma nova rodada de negociação de preços, negociação essa muito importante porque a CONITEC vai avaliar o custo efetividade de cada um dos tratamentos, podendo caso seja conveniente excluir do protocolo aquele que pelo preço não for interessante para o sistema público da saúde.

A discussão entre o ministério da saúde e os fabricantes será excitante e gostosa de acompanhar, isso porque todos os medicamentos são excelentes e equivalentes quanto a possibilidades de resposta terapêutica, todos eles curam acima de 95% dos infectados, sem necessidade da ribavirina.

Existem diferenças entre os medicamentos. No Brasil os genótipos presentes são o 1, 2 e 3, não existindo praticamente infectados com os genótipos 4, 5 e 6. Assim o Zepatier® e o Harvoni® no caso do Brasil são específicos para o genótipo 1, não servem para os genótipos 2 e 3. Os dois são para tratamentos de 12 semanas, mas o Harvoni® possibilita tratar um infectado sem cirrose em somente oito semanas.

Como nos novos diagnosticados com hepatite C poucos apresentam um quadro de cirrose, tratar em somente oito semanas aqueles com fibrose representa uma enorme economia de recursos para o governo. Como será então realizado o cálculo de fármaco economia pela CONITEC ao comparar o custo entre o Zepatier® e o Harvoni®?

Já os medicamentos Epclusa® e Maviret® são medicamentos que servem para tratar todos os genótipos (medicamentos pan-genótipo) por igual, o que pode resultar numa economia de recursos ao não ser necessário realizar o teste da genotipagem.

O cronograma do ministro é já ter tudo aprovado no primeiro trimestre para realizar a compra entre março e abril e que os medicamentos estejam disponíveis para os meses de junho ou julho.

Na hepatite B deverá entrar no primeiro trimestre do ano para registro na ANVISA o TAF (Tenofovir Alafenamide), uma evolução do tenofovir que não causa problemas renais nem problemas ósseos, dando uma maior segurança ao paciente, uma excelente notícia para os infectados com hepatite B e para as pessoas com HIV/Aids que também fazem uso do tenofovir.

Deveremos unir forças entre os grupos de hepatites e Aids para acelerar o registro e a incorporação no protocolo pela CONITEC.

Uma segunda luta será para que os medicamentos para tratamento da hepatite B sigam o mesmo fluxo de dispensação que os medicamentos para tratamento do HIV/Aids, pois são adquiridos numa mesma compra, têm a mesma embalagem, são os mesmos médicos que tratam os pacientes, nos mesmos ambulatórios e nas duas doenças os tratamentos são de duração continuada, então, não é compressível que os medicamentos para HIV tenham um fluxo de dispensação diferente aos medicamentos para hepatite B.  É necessário que os dois sejam distribuídos e controlados pelo SICLOM, acabando com a burocracia e a falta de controle das APACS.

OK, 2018 promete ser o ano das hepatites, vamos ficar vigilantes para que as coisas sigam o ritmo previsto e não atrasem.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com

 

IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.

Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.

Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM

O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA – ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO

Compartilhar