Importantes mudanças no enfrentamento das hepatites no Brasil

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Estive em Brasília em reuniões no Departamento que cuida do HIV/Aids, hepatites virais e enfermidades de transmissão sexual e confesso que fiquei muito feliz as mudanças que estão acontecendo o que dá esperança que agora tudo poderá funcionar para tentar recuperar o que perdemos com o retrocesso acontecido nos últimos dois anos.

Estão acontecendo muitas mudanças nos cargos de direção, mas não existe nenhuma indicação política, sendo a ordem de colocar nesses cargos somente técnicos do próprio ministério, funcionários de carreira e com isso acabar com o aparelhamento político da máquina.

Como Diretor do Departamento assumiu o Dr. Gerson Fernando Mendes Pereira, funcionário com 40 anos de ministério, na vice direção está assumindo a Dra. Denise Arakaki, também com muitos anos no ministério.

O Departamento ficará um pouco menor em algumas áreas, como comunicação e emissão de passagens.

O Departamento passará a cuidar de outras duas enfermidades altamente preocupantes para a saúde pública, a hanseníase e a tuberculose. Daí a importância da chegada da Dra. Clarissa, uma das maiores especialistas em tuberculose.

Pessoalmente, em nome da AIGA – Aliança Independente dos Grupos de Apoio, estaremos reassumindo nosso cargo na “Comissão Assessora para as Hepatites Virais (CAHV)”, da qual no mês de julho tínhamos solicitado não participar das reuniões enquanto permanecesse a direção da época devido a que as reuniões estavam sendo conduzidas de forma ditatorial. Com a nova direção passaremos a trabalhar em conjunto.

É hora de trabalhar para recuperar o retrocesso acontecido nas hepatites. Os que lutamos por tratamentos nas hepatites não podíamos aceitar em silencio ao ver que em 2016 foram realizados 36.627 tratamentos para hepatite C, caindo para 25.988 tratamentos em 2017 e para somente 13.000 em 2018. Era mais que evidente que o Plano de eliminação da hepatite C estava sendo boicotado.

O Departamento deve parar de gastar dinheiro para patrocinar movimentos e ONGs para realizarem manifestações pelo sofosbuvir genérico e pagar jornalistas para produzirem matérias a seu favor. Os recursos devem ser usados nos tratamentos para os infectados. O que se viu é que com isso conseguiram comprar em novembro 15.000 tratamentos com sofosbuvir genérico a 2.505 dólares cada quando existiam ofertas de tratamentos de marca por 1.148 e 1.470 dólares, valores confirmados na compra realizada sessenta dias após. Essa manobra deu um prejuízo de setenta e sete milhões de Reais ao ministério da saúde.  O Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal já estão investigando, esperamos que os culpados sejam devidamente punidos.

Essa manobra para comprar um tratamento com medicamentos genéricos a um preço assombrosamente elevado prejudicou mais de 13.000 infectados que desde fevereiro de 2018 aguardavam os medicamentos. Será que a falta dos medicamentos foi proposital para se realizar essa compra emergencial?

Bom, com a nova direção no Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais uma nova era começa no enfrentamento das hepatites.

Trabalhando todos juntos, governo, sociedade civil, sociedades médicas e fabricantes de medicamentos, podemos vencer as hepatites!

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com

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