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Mais da metade dos infectados com hepatite C enfrentam grandes riscos para a saúde por causa de testes incompletos

10/06/2013

Aproximadamente 3 milhões de brasileiros estão infectados com hepatite C e até 90% deles por falta de diagnostico não tem idéia da bomba que está destruindo seu fígado. Uma doença que raramente apresenta qualquer tipo de sintomas, por isso, é chamada de uma assassina silenciosa. Identificar quem está infectado é importante porque já existem tratamentos eficazes que podem curar a doença, bem como eliminar o risco de transmissão para outras pessoas.

É estimado que mais da metade que realiza o teste anti-HCV e obtém um resultado positivo não recebe o acompanhamento necessário para determinar se eles necessitam de cuidados médicos, não realizando o teste confirmatório HCV-RNA chamado de carga viral. Somente esse teste é que diz se o indivíduo está realmente infectado, sendo a porta de entrada para receber tratamento.

Entre 15% e 20% de todos os testes anti-HCV com resultados positivos não serão positivos na carga viral, indicando que esses indivíduos conseguiram eliminar espontaneamente o vírus do organismo, resultando curados da hepatite C, mas os restantes, entre 80% e 85% que terão um resultado positivo na carga viral estão realmente doentes e necessitam ser encaminhados a um especialista para acompanhamento e tratamento.

O teste completo é fundamental para garantir que aqueles que estão infectados recebam o cuidado e tratamento para a hepatite C que eles precisam, a fim de prevenir a cirrose, o câncer de fígado e outras consequências graves e potencialmente mortais.

O tratamento é importante porque a maior parte das mortes conforme estatística do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos acontece em pessoas com idades entre 50 e 59 anos e, 71,5% das mortes estavam entre aqueles que nasceram entre os anos de 1945 e 1965. É prudente observar que 30% das mortes são de pessoas nascidas em outras épocas, mas a geração dos chamados "baby boomers", isto é, nascidos entre 1945 e 1965, são cinco vezes mais propensos de ter hepatite C que os nascidos em outras épocas.

Tal geração quando jovem viveu os "anos loucos" de uso de drogas injetáveis, são da época em que as agulhas de injeção eram de vidro, simplesmente fervidas na farmácia ou pelo enfermeiro e utilizadas de paciente em paciente para aplicar medicamentos ou vacinas e, ainda, era moda aplicar uma bolsa de sangue após qualquer cirurgia para dar mais energia ao paciente. Tudo isso resultou na propagação universal da hepatite C.

Somente a partir de 1992 a hepatite C passou a dispor de um teste, quando então os bancos de sangue passaram a controlar a doença. Ao mesmo tempo as seringas de vidro foram substituídas por seringas descartáveis. Por não ser uma doença de transmissão sexual, muito difícil de acontecer, novos casos diminuíram a partir de 1992.

O teste de detecção da hepatite C deve ser realizado por todas as pessoas com idade entre 40 e 65 anos de idade, por todos os que em qualquer momento da vida em alguma cirurgia receberam uma transfusão de sangue, por infectados com HIV, pacientes em dialise renal, hemofílicos, trabalhadores da saúde, usuários de drogas, pessoas com múltiplos parceiros sexuais. Finalmente, se alguém da família anos atrás teve alguma hepatite, qualquer uma, todo o grupo familiar deve procurar realizar o teste das hepatites.

Procure um posto de saúde e solicite (ou exija) o teste de detecção das hepatites B e C. É gratuito! Se possuir plano de saúde, utilize-o, pois todos são obrigados, por lei, a dar cobertura para a realização do teste das hepatites B e C. Em toda consulta médica solicite o teste das hepatites, pois o hemograma não mostra que você está infectado.

Aproximadamente 3 milhões de brasileiros estão infectados, você pode ser um deles. A hepatite C, se diagnosticada tem cura!

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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