005_epidemi_port

A hepatite C no pódio, em primeiro lugar - Mata mais que a AIDS

17/12/2012



A revista "Annals of Internal Medicine" publicou um estudo dos Estados Unidos mostrando que desde 2007 a hepatite C mata mais pessoas que a AIDS. Os dados são do CDC - Centro de Controle de Doenças, baseados em dados envolvendo 21,8 milhões de mortes notificadas ao Centro Nacional de Estatísticas de Saúde, entre 1999 e 2007.

Enquanto acontece uma diminuição nas mortes relacionadas a AIDS, de seis a cada 100.000 habitantes em 1999 para menos de quatro a cada 100.000 habitantes em 2007, na hepatite C se observa um aumento no número de mortes, passando de 3 a cada 100.000 habitantes em 1999 para mais de quatro a cada 100.000 habitantes em 2007. Isso resulta que em 2007 aconteceram nos Estados Unidos 12.700 mortes relacionadas a AIDS e mais de 15.000 por causa da hepatite C.

Lembram os autores que as mortes por causa da hepatite C devem ser muito maiores, pois a maioria dos infectados ainda não foi diagnosticada não constando na certidão de óbito a real causa da morte.

Aproximadamente 73% das mortes por culpa da hepatite C aconteceram em homens e mulheres na faixa de idade entre 45 e 64 anos. Indivíduos com hepatite C co-infectados com hepatite B enfrentam um aumento de 30 vezes o risco de morte por doença hepática. Nos co-infectados com hepatite C e AIDS o risco de morte aumenta quatro vezes em comparação com os mono infectados com hepatite C. O abuso de bebidas alcoólicas pelos infectados com hepatite C aumenta em quatro vezes o risco de morte.

Conclui o relatório do governo dos Estados Unidos que para obter reduções nas taxas de mortalidade semelhantes às observadas na AIDS, são necessárias novas iniciativas políticas para diagnosticar os infectados com hepatite C e oferecer os cuidados e tratamentos necessários.

MEU COMENTÁRIO

A hepatite C tem cura e novos medicamentos estarão disponíveis em curto prazo conseguindo beneficiar mais de 90% dos infectados, mas para oferecer tratamento é necessário primeiro saber quem está doente.

O que se observa é que o enfrentamento da epidemia por parte dos governos não acompanha a celeridade que acontece na pesquisa e descobrimento de novos medicamentos e tratamentos. Parece cômico se não fosse trágico, mas em aproximadamente três anos existirão novos medicamentos, mas não poderão ser utilizados porque os infectados todavia não foram diagnosticados.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
The Increasing Burden of Mortality From Viral Hepatitis in the United States Between 1999 and 2007 - Kathleen N. Ly, MPH; Jian Xing, PhD; R. Monina Klevens, DDS, MPH; Ruth B. Jiles, PhD, MPH; John W. Ward, MD; and Scott D. Holmberg, MD, MPH - Annals of Internal Medicine, 21 February 2012, Vol 156, No. 4


Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO