12/07/2010
Continuam os bons exemplos no combate as hepatites
Dias passados divulgamos o novo sistema de realização de exames para diagnosticar as hepatites que está sendo implementado na Argentina, na qual o interessado marca o dia e horário realizando um telefonema gratuito.
Devemos destacar que Uruguai, Argentina, Chile e Venezuela já implementaram a vacinação para prevenção da hepatite A em todas as crianças ao fazer 1 ano de idade. Peru e Venezuela estão vacinando 80% da população para evitar a hepatite B e Cuba já vacinou 100% da população.
Agora chega mais uma excelente novidade implementada em Nuevo México, nos Estados Unidos, a qual devido a sua importância acaba de ser publicada na Hepatology. Tratasse de uma iniciativa desenvolvida no Centro de Ciências da Saúde da Universidade de Nuevo México objetivando oferecer atenção médica especializada as populações do interior, sub-atendidas, mediante um inovador modelo educativo de desenvolvimento baseado em equipes multidisciplinares de profissionais médicos.
Aproveitando as facilidades que a internet oferece foi idealizado um sistema de tele atendimento em saúde de última geração para que médicos de comunidades menores possam aplicar corretamente os protocolos de tratamento aproveitando a experiência dos grandes centros médicos. O sistema capacita e dá suporte pela internet aos médicos para desenvolver o conhecimento e a auto-eficácia no atendimento de uma serie de doenças.
Poucos médicos de cidades pequenas ou de zonas rurais possuem conhecimentos ou dispõem de recursos para administrar e aplicar as diversas opções de tratamento, controlar os efeitos adversos e colaterais, a toxicidade dos medicamentos ou o tratamento da depressão induzida pelo tratamento.
O modelo foi criado para auxiliar e ao mesmo tempo capacitar profissionais do interior do país no tratamento da hepatite C, por se tratar de uma doença que pela sua complexidade requer uma equipe multidisciplinar de profissionais de medicina, abrangendo desde especialistas em hepatologia, infectologia, gastroenterologistas, clínicos gerais, de saúde mental, especialistas em atendimento de drogados, nutricionistas, etc.
Anualmente está sendo realizada uma pesquisa qualitativa entre os profissionais para avaliar se o programa de capacitação está progredindo. Os dados iniciais mostram uma melhora significativa no conhecimento dos diversos profissionais e maior satisfação profissional em relação à participação no sistema de atendimento no tratamento da hepatite C, resultando em benefícios importantes para os pacientes.
O projeto teve inicio em 2004 quando ficou comprovado que somente 5% dos aproximadamente 28.000 infectados com hepatite C do estado de Nuevo México não estavam recebendo qualquer tipo de atendimento. Hoje o projeto foi ampliado para atendimento de outras doenças, entre elas asma, psiquiatria, consumo de drogas, dor crônica, diabetes, gravidez de alto risco, HIV/AIDS, reumatologia e obesidade juvenil, resultando na abertura de 255 centros de atendimento somente no estado de Nuevo México, sendo 21 especializados no tratamento da hepatite C.
Concluem os autores do artigo publicado na Hepatology que o sistema aumenta o acesso da população sub-atendida a um atendimento com melhores praticas clínicas, melhora a capacitação e desenvolvimento dos profissionais e amplia a capacidade de atendimento da população mediante a criação de novos centros de tratamento.
Enquanto isso no Brasil continuamos "patinando" no atendimento, ainda falando no "gerúndio". Para avaliar o resultado de ações e promessas é necessário apresentar números, pois somente com a fria apresentação dos números é que pode se saber se realmente existem resultados positivos, que realmente estejam ampliando o atendimento e beneficiando a população. Não é convidando pessoas com passagens grátis para reuni-las numa sala objetivando aplaudir uma bela apresentação de slides coloridos que o infectado é atendido.
No Brasil neste ano de 2010 deverá receber tratamento um máximo de 11.000 pacientes na hepatite C e uns 2.500 na hepatite B, significando que somente 1 de cada 330 infectados com hepatite C receberá tratamento e, na hepatite B, 1 de cada 900 infectados, todos praticamente nas capitais e grandes cidades, ficando praticamente abandonados, sem atenção, os moradores do interior dos estados.
A vacina gratuita da hepatite A para todas as crianças brasileiras ainda e assunto tabu e na vacinação da hepatite B os números ainda são vergonhosos na população de adolescentes entre 11 e 19 anos de idade, onde encontramos que aproximadamente a metade não apresenta proteção pela vacina.
O Brasil foi o primeiro país das Américas a instituir um programa nacional de hepatites, mas os países vizinhos vivem nos surpreendendo e dando belos exemplos que deveríamos copiar, sem pensar em re-inventar a roda.
Em tempo: Alem da publicação no Hepatology, uma descrição de um estudo de caso sobre como funciona o sistema em Novo México pode ser encontrada em
http://www.commonwealthfund.org/Content/Newsletters/Quality-Matters/2009/November-December-2009/Case-Study.aspx
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!
personas estarán muriendo por culpa de las hepatitis B o C en el mundo!
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A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!