14/12/2009
As campanhas informativas das hepatites devem ser monotemáticas ou em conjunto com outras doenças?
Resumo da discussão entre os grupos associados da AIGA
Atingir a população com informações corretas para que possam ser interpretadas pelas pessoas comuns nas campanhas de divulgação das hepatites sempre foi um desafio. A população em geral considera que todas as hepatites e suas conseqüências são iguais, sendo normal que muitos considerem que não podem ter hepatite B ou C porque não bebem álcool ou porque não fazem sexo fora do matrimonio.
O termo hepatite e genérico, significando inflamação do fígado, mas isso não identifica a causa, o que provoca a confusão por parte daqueles menos informados, os quais são maioria na população.
Após nove anos de organizar campanhas, inicialmente no ano 2000 somente sobre a hepatite C, notamos que nos anos seguintes quando incluímos na mesma campanha informações sobre as hepatites A e B, o nível de percepção pela população ficou bem menor, prejudicando os resultados.
Ao se informar que a hepatite A se transmite pela água muitos interpretam que são todas as hepatites que se transmitem pela água. Ao informar que a hepatite B possui vacina, muitos interpretam que todas as hepatites, inclusive a C pode ser prevenida pela vacinação. Quando se informa sobre o "A, B, C, D" das hepatites muitos interpretam que para ter hepatite C é necessário primeiro ter as hepatites A e B.
Outras campanhas para divulgar as hepatites que ao mesmo tempo incluíam a captação de órgãos para transplantes resultaram em resultados pífios na divulgação das hepatites. A visibilidade da mídia foi maior para o assunto transplantes, pois ele e muito mais emotivo e consegue maior destaque. Outros interpretaram que todos os infectados com hepatite estariam necessitando de um transplante de fígado.
Quando formamos a World Hepatitis Alliance a intenção era a de realizar em 19 de maio o dia da hepatite C e, no mês de novembro o dia da hepatite B. Com isso pretendíamos atingir dois públicos diferentes com campanhas especificas para cada um deles, o que considerávamos ser o ideal, mas a Organização Mundial da Saúde alegou que já existem muitas datas das diversas doenças e que somente iriam aprovar um dia para todas as hepatites.
Devido à situação no Brasil com a recente incorporação do programa de hepatites no Departamento DST/AIDS/Hepatites, a AIGA considerou ser muito importante realizar uma discussão entre as ONGs com experiências na realização de campanhas, já que será muito provável que as campanhas passem a ser genéricas, isto é, se falar ao mesmo tempo de AIDS, hepatites e doenças sexualmente transmissíveis.
Os grupos associados à AIGA discutiram durante a semana quais poderiam ser os diferentes cenários e os prováveis resultados com o objetivo de ao fornecer essas informações ao Departamento DST/AIDS/Hepatites para colaborar no planejamento de 2010.
A AIGA - Aliança independente dos Grupos de Apoio e um fórum permanente de discussão entre grupos de apoio. Em 21 de setembro, logo após a incorporação do programa de hepatites no Departamento DST/AIDS/Hepatites, foi enviado um Oficio com 23 perguntas ao Departamento, algumas foram rapidamente respondidas pela Dra. Mariângela, outras aguardam um posicionamento.
Também em diversas estados as ONGs da AIGA estão trabalhando com o ministério público para que as notificações sejam levadas a serio. Este Oficio é a terceira contribuição da AIGA para que em 2010 o ministério da saúde consiga dar o "ponta pé" inicial num verdadeiro ataque que a real dimensão da epidemia das hepatites B e C merece.
Os princípios e a relação das ONGs integrantes da AIGA - Aliança Independente dos Grupos de Apoio e encontrada na página web www.aigabrasil.org
CAMPANHAS DE ALERTA PARA REALIZAÇÃO DO TESTE DIAGNOSTICO
Não existe nenhum problema na realização de campanhas de testagem incluindo diversas patologias. Em geral quem está disposto a realizar um teste de HIV acaba fazendo o das hepatites, sífilis ou qualquer outro que esteja sendo oferecido. Campanhas como a "Fique sabendo" originalmente desenhada para testar HIV podem ser realizadas perfeitamente em conjunto.
CAMPANHAS DE DIVULGAÇÃO DAS HEPATITES B e C
Este tipo de campanha objetiva em principio mostrar o que são as hepatites B e C para conseguir reduzir o estigma e a discriminação que o desconhecimento da doença provoca nos infectados. Por tanto devem ser objetivas e exclusivas para o máximo estas duas hepatites, para não criar confusão na sua compreensão.
CAMPANHAS CONJUNTAS DE DST, AIDS E HEPATITES AUMENTAM O ESTIGMA E A DISCRIMINAÇÃO
Podemos tomar como exemplo os Estados Unidos, onde os programas de DST e drogas injetáveis associaram a hepatite C com o HIV/AIDS. O resultado é catastrófico, pois hoje a percepção da população americana, dos jornalistas e até dos congressistas e que somente pega ou tem hepatite C que é usuário de drogas ou tem HIV/AIDS. É um passo que devemos evitar que aconteça em outros países, pois o estigma e a discriminação sobre os infectados com hepatite C aumentaram consideravelmente.
CAMPANHAS CITANDO "GRUPOS DE RISCO"
É necessário ao se organizar uma campanha saber distinguir o que significa na população "grupo de risco" de "grupo de prevalência'' (ou incidência). A população entende que grupo de risco e formado por pessoas que pertencem a determinadas características de comportamento e por isso são susceptíveis de estarem ou serem infectadas. Mas ao se falar em quem pode estar contaminado deveríamos esclarecer que estamos nos referindo a grupos onde pode ser encontrada uma maior incidência da doença, por exemplo, ter recebido sangue não pode colocar uma pessoa como o de ter um comportamento de risco. Em geral "grupo de risco" e associado a comportamentos de risco, como uso de drogas, múltiplos parceiros sexuais, etc..
A divulgação de estudos informando que a hepatite B e muito alta entre os imigrantes resulta em situações de alta discriminação nesses grupos. Em países da Europa e até nos Estados Unidos os imigrantes são acusados de "importar" a hepatite B, existindo projetos de lei absurdos, como o de não outorgar residência aos infectados. Alguns países árabes expulsam estrangeiros infectados com AIDS ou hepatites e semana passada o governo do Catar aprovou uma lei que obriga a realização de testes de AIDS e hepatites antes do casamento e, caso um dos noivos seja positivo estará impedido de ter filhos.
CAMPANHAS REGIONAIS OU NACIONAIS?
Em relação à hepatite C a campanha pode ser idêntica em todo o país, mas ao se falar na hepatite "D" deveríamos ter material próprio para as regiões de maior prevalência, como Amazonas. A informação em outras regiões não e importante devido à baixa ou nula prevalência.
CAMPANHAS DE PREVENÇÃO
Qual a melhor prevenção?
É indiscutível que na hepatite B a vacinação e o uso de preservativos devem ser sempre enfatizados, mas tanto na hepatite B como na hepatite C também devemos focar para informar aos infectados que eles são responsáveis para evitar transmitir a doença, sendo este um ponto difícil de atingir, já que 95% dos infectados ainda não sabem que estão doentes e nada poderão fazer para evitar a transmissão das hepatites.
A melhor forma de prevenir será identificando onde estão os focos de transmissão. De nada adianta dar conselhos para aqueles que não sabem que estão infectados, sendo pura perda de tempo e recursos.
Uma estratégia seria pensar em campanhas para "prevenir a vida", isto é, ao se descobrir quem este infectado estaremos salvando a perda da saúde dessas pessoas e conhecedoras da sua situação poderão evitar a transmissão a outras pessoas.
RESULTADOS DAS CAMPANHAS JÁ REALIZADAS DE DST/AIDS
A conscientização em relação a AIDS no Brasil e muito boa. Com campanhas permanentes o governo conseguiu esclarecer e alertar, resultando na estruturação do melhor programa de AIDS do mundo, mas o programa não e somente para cuidar da AIDS e sim de todas as doenças sexualmente transmissíveis, sendo reconhecido que nas DST não foram conseguidos os mesmos resultados, pelo contrario, até em algumas delas a situação foi piorando com o passar do tempo.
Não somente a AIDS conseguiu maior destaque, mas perigosamente a AIDS conseguiu os maiores recursos financeiros, tanto em investimento para atendimento como na aquisição de medicamentos ou capacitação de pessoal para atender a população. Ao incluir as hepatites nas campanhas do Departamento DST/AIDS/HEPATITES deverá se atentar para evitar o mesmo erro e as hepatites ficarem como um "subproduto" das campanhas e das verbas totais.
CONCLUSÕES
Os diversos tópicos não são recomendações. Os grupos integrantes da AIGA as realizam para que, dentro do possível, sejam consideradas quando da ocasião de estruturação e desenho das campanhas evitando repetir os erros que ocasionaram serias distorções ao se estudar experiências anteriores, no Brasil e no mundo. As recomendações são universais, para todos os países.
As hepatites se encontram em situação muito diferente da AIDS em relação ao conhecimento da população, em todos os níveis da informação, sendo necessárias a realização de campanhas permanentes, mas devido às características da epidemia elas devem ser regionalizadas, segmentadas, informando separadamente sobre prevenção, transmissão e tratamento, dissociadas de outras doenças e até das diferentes hepatites.
A AIGA - Aliança independente dos Grupos de Apoio encontra no fórum permanente de discussão entre as ONGs a forma simples e direta de ajudar a encontrar soluções que possam melhorar o atendimento a população.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
Presidente da AIGA
e-mail aiga@aigabrasil.org
internet www.aigabrasil.org
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica. É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte como retiradas de WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo e afiliado a AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO - www.aigabrasil.org
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pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!
personas estarán muriendo por culpa de las hepatitis B o C en el mundo!
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A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!