07/06/2010
Explicando os motivos da renuncia da World Hepatitis Alliance- WHA
Em 2 de novembro de 2009 apresentei minha renuncia da vice-direção da World Hepatitis Alliance- WHA e, conforme acordo de cavaleiros, que nada colocaria publicamente antes do final de maio para não prejudicar qualquer decisão na Organização Mundial da Saúde, explico a seguir, passados mais de seis meses, os principais motivos para minha renuncia e, também, minha discordância quanto aos rumos que a World Hepatitis Alliance está seguindo atualmente, ficando a cada dia mais distante do objetivo inicial.
No dia a dia a World Hepatitis Alliance se distancia dos objetivos da sua fundação, passando a ignorar as ONGs associadas e dando total poder a agencia de publicidade. Um e-mail enviado em 01 de setembro de 2009 pela World Hepatitis Alliance a todas as ONGs informava que
“O que e importante destacar e que o representante da região não tem poder executivo nenhum – ou seja, o papel desses agentes não e de exercer controle sobre suas atividades”, com tal atitude ficou totalmente desprestigiada e desmoralizada a atuação dos vice-diretores, passando a serem figuras decorativas. Atualmente cada região tem um funcionário da agencia de publicidade contratada para cuidar desses contatos. No caso da America Latina foi designada a secretária da World Hepatitis Alliance.
Em novembro de 2009 ao chegar ao congresso americano de fígado (AASLD 2009) fiquei apavorado ao ver que no stand da World Hepatitis Alliance somente existiam pessoas da agencia de propaganda (o mesmo aconteceu no congresso europeu EASL 2010 em abril, em Áustria). As ONGs da região não foram convidadas a participar sequer como voluntarias para trabalhar no stand confirmando com essa atitude que estávamos totalmente errados e distanciados cada vez mais dos grupos de apoio que teoricamente deveríamos agrupar.
Também, o painel de 12 especialistas de reconhecimento internacional, sempre citado como avalista das ações, nunca foi convocado ou sequer consultado em qualquer questão referente às diretrizes que a World Hepatitis Alliance deveria seguir, seja nos objetivos ou na redação das informações divulgadas ou na estruturação de campanhas.
Durante dois anos de atividades da World Hepatitis Alliance sempre solicitei que sejam apresentadas publicamente na internet contas detalhadas dos recursos obtidos dos patrocinadores com a correspondente prestação de contas, da forma mais detalhada possível, discriminando cada evento ou ação realizada, seja diretamente ou por contratação de serviços de terceiros indicando o valor de cada uma delas, especificando o valor das passagens de avião de forma individual de cada membro, hotéis, diárias, despesas nominais de cada viagem, etc.. Nada consegui até minha renuncia, com o qual discordo totalmente.
Hoje vejo com tristeza que a página Web da World Hepatitis Alliance está somente em inglês e que qualquer contato deve ser realizado com eles já que não consta relação alguma de ONGs e de seus contatos regionais. A World Hepatitis Alliance perdeu o rumo e transformo-se em mais uma ONG de hepatites.
Esses são os principais motivos que discordo frontalmente, totalmente contrários a minha conduta nos 12 anos de luta pelas hepatites, motivos pelos quais apresentei minha renuncia em caráter irrevogável do cargo de Vice-diretor para America Latina, ficando isento de qualquer responsabilidade futura nas ações da World Hepatitis Alliance. O texto entregue na ocasião pode ser lido (em inglês) em
www.hepato.com/p_geral/renuncia_wha.html
No dia 13 de maio de 2010, o Grupo Otimismo solicitou a desfiliação da World Hepatitis Alliance, não fazendo mais parte da mesma.
Não como justificativa, mas considero justo e oportuno colocar alguns pontos que considero positivos referentes à minha atuação:
1 - Ajudei a formar a World Hepatitis Alliance da qual participei ativamente durante pouco mais de dois anos, objetivando reunir associações de pacientes do mundo todo. Lamentavelmente o objetivo não foi plenamente alcançado. Menos de 200 ONGs participam até o final de 2009, sendo que a área da America Latina por mim coordenada conseguiu reunir um terço dos grupos associados;
2 – O dia 19 de maio começou a ser realizado por um pequeno número de grupos do Brasil no ano 2001. Lamentavelmente a World Hepatitis Alliance sempre ocultou tal fato, tomando a data como um mérito próprio;
3 – Foi America Latina, mais precisamente o trabalho realizado perante o Ministério da Saúde do Brasil pelas ONGs brasileiras, o país que aceitou apresentar a resolução na Organização Mundial da Saúde para que o dia 19 de maio seja declarado o Dia Mundial da Hepatite. Não fosse o trabalho das ONGs do Brasil não teria sido apresentada nenhuma proposição na Organização Mundial da Saúde para a assembléia geral de 2009;
4 – Foi por iniciativa de grupos da região que a Organização Pan-americana da Saúde, apóia a criação da data, sendo este o único organismo regional da OMS que se manifestou positivamente em 2009;
5 – Brasil representou entre 40% e 50% no número de eventos realizados em maio de 2009 no mundo todo e, também, na repercussão na mídia, muito mais que qualquer outro país ou região do planeta.
Agradeço a todos, portadores, ONGs, Sociedades Médicas, fabricantes de medicamentos, médicos, pesquisadores e gestores públicos que durante esses dois anos de atuação na World Hepatitis Alliance contribuíram para fazer da America Latina um exemplo para o mundo.
Continuarei tal qual nos últimos doze anos, com meu trabalho no Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite. Desejo sucesso as futuras ações da World Hepatitis Alliance.
SOBRE A RESOLUÇÃO DA OMS E O DIA MUNDIAL DA HEPATITE
A OMS decretou o dia 28 de julho como o dia mundial da hepatite. Uma data imposta, sem levar em consideração o 19 de maio (desde o ano 2001) ou o 1° de outubro (criado por grupos da Europa em 2005), que eram as datas já consolidadas. Quando no mês de janeiro a China foi contra o dia 19 de maio a World Hepatitis Alliance não consultou as ONGs para saber se aceitavam tal data ou se era conveniente para todos.
Foi uma pena a resolução da OMS, limitada a fixar a data sem estabelecer metas e ou um cronograma de ações a realizar pelos países, tal qual o fez na resolução aprovada no mesmo dia que trata sobre consumo de bebidas alcoólicas, onde existem 10 proposições efetivas, como aumento de impostos, restrições a publicidade etc.. A resolução das hepatites ao receber criticas na assembléia geral ficou a critério de cada país. Nenhuma das 12 metas propostas, pelas quais lutamos por mais de dois anos, consta na resolução.
O Grupo Otimismo não abandonará suas raízes históricas e continuará a realizar atividades no dia 19 de maio para a hepatite C e no dia 1° de outubro (em homenagem aos grupos da Europa) para hepatite B, participando também de toda e qualquer outra atividade que venha a ser realizada em qualquer data, pois as hepatites merecem campanhas nos 365 dias do ano.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica. É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte como retiradas de WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo e afiliado a AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO - www.aigabrasil.org
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pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!
personas estarán muriendo por culpa de las hepatitis B o C en el mundo!
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A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!