16/11/2009
Hepatite B - Alta carga viral em pacientes HBeAg positivos diminui a expectativa de vida
A hepatite B quando não diagnosticada e não tratada pode causar a morte do infectado. Um modelo matemático realizado por pesquisadores da Universidade de Cincinnatti, nos Estados Unidos chegou à conclusão que os infectados com a hepatite B com o marcador HBeAg positivo e alta carga viral apresentam uma maior possibilidade de morte prematura.
Utilizando o modelo matemático de Markov em infectados com hepatite B, ou indivíduos já curados, para simular a historia natural da progressão da hepatite B e poder se estimar a probabilidade da expectativa de vida foram selecionados indivíduos com mais de 35 anos de idade, incluindo indivíduos não infectados, vacinados para hepatite B e, também, infectados que apresentassem o antígeno "e" (HBeAg) positivo. Este último grupo era dividido pela carga viral, níveis da transaminase ALT (TGP) e outros testes da função hepática.
Foram analisados dados publicados em revistas cientificas para determinar os percentuais de soro conversão, a progressão da fibrose em infectados com hepatite B, o desenvolvimento de câncer no fígado e o estagio final da doença.
Os resultados mostram que indivíduos sem hepatite B ou que apresentam imunidade a hepatite B apresentavam uma expectativa de vida de mais 44,6 anos. Já os indivíduos infectados com hepatite B apresentavam uma expectativa de vida de mais 37,7 anos.
No grupo de indivíduos HBeAg positivo com baixa carga viral a expectativa de vida foi de 34,5 anos, mas naqueles HBeAg positivos com alta carga viral a expectativa de vida era de somente 27,5 anos
Se os infectados apresentavam o marcador HBeAg negativo, a expectativa de vida dos pacientes com baixa carga viral era de 34,9 anos e os de alta carga viral de 33,3 anos.
Concluem os pesquisadores que todos os grupos de infectados com hepatite B apresentam uma menor expectativa de anos de vida, mas que existe variabilidade considerável quando se dividem os grupos pela carga viral, sendo esse o fator determinante para avaliar o prognostico de vida de um paciente.
MEUS COMENTÁRIOS:
O que podemos deduzir do resultado da pesquisa e que com a hepatite B não podemos brincar. Que se o paciente apresenta carga viral elevada deve, sempre, receber tratamento, independente de outros fatores que possam ser considerados.
Saber que um infectado com hepatite B que seja HBeAg positivo e tenha alta carga viral poderá morrer 17 anos mais jovem que um individuo sem hepatite C ou vacinado contra a hepatite B e um número que dispensa qualquer comentário.
Negar tratamento a um paciente nessas condições, alegando pouco dano no fígado ou transaminases normais, será condenar o paciente a uma morte prematura.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
TE Kaiser, KE Sherman, and MH Eckman. Simulation Modeling of the Natural History of Hepatitis B Progression in a United States Adult Population - Determining Life Expectancies. 60th Annual Meeting of the American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD 2009). Boston. October 30-November 1, 2009. Abstract 420.
Division of Digestive Disease, University of Cincinnati, Internal Medicine, Cincinnati, OH; Division of General Internal Medicine and Center for Clinical Effectiveness, University of Cincinnati, Internal Medicine, Cincinnati, OH.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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