07/04/2009
Vírus da hepatite B cria resistência a droga usada no SUS
Ontem, segunda-feira 6 de março, o Jornal Folha de São Paulo apresentou reportagem sobre a defasagem que existe com o protocolo de tratamento da hepatite B, o qual por ser do ano de 2002 se encontra totalmente ultrapassado.
Cinco novos medicamentos já foram aprovados para comercialização no Brasil, são utilizados em todo o mundo, mas quem depende do tratamento pelo SUS não tem direito a eles a não ser que recorra a uma ação judicial.
Mas o meu objetivo e esclarecer alguns pontos constantes na resposta dada ao jornal pelo Programa Nacional de Hepatites Virais, os quais levam os infectados a interpretações erradas.
1 - Foi colocado que "
COMO TEMOS QUE INCLUIR NOVAS DROGAS TEMOS QUE AVALIAR ESTUDOS DE CUSTOS"
Será necessário tanto estudo? Já se passaram três anos de promessas!
Você sabia que em 2008 o Ministério da Saúde gastou menos de R$. 200.000,00 em medicamentos para tratar a hepatite B? Sim, você leu certo, foram menos de duzentos mil reais em interferon alfa de 5 UM e lamivudina.
São menos de 2.000 pacientes em tratamento e a inclusão de TODOS os medicamentos autorizados poderia elevar a despesa anual para aproximadamente 4 milhões de Reais. Isso é muito dinheiro para tratar a maior doença sexualmente transmissível que existe no Brasil? Seriam necessários 200 milhões por ano para atender dignamente os infectados e não uma esmola de 4 milhões.
Vemos que a despesa não pode ser desculpa para atrasar a publicação da portaria. É conversa para ganhar tempo.
2 - Foi colocado que "
COMO TEMOS QUE INCLUIR NOVAS DROGAS TEMOS QUE AVALIAR ESTUDOS DE EFETIVIDADE E SEGURANÇA DESSES NOVOS MEDICAMENTOS, ATÉ PARA NÃO COLOCAR OS PACIENTES EM RISCO"
Quem avalia a efetividade e segurança de um medicamento não e o Programa Nacional de Hepatites, pois não e essa sua atribuição nem tem pessoal capacitado para tal. O órgão responsável por isso e a ANVISA, uma instituição respeitada e reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho e quadro técnico.
Os novos medicamentos já se encontram em uso e comercialização no Brasil e em todo o mundo, sendo comprovadamente eficazes e seguros. Se o programa de hepatites acha ou suspeita que os pacientes se encontram em risco de vida utilizando esses medicamentos deveria solicitar a proibição de comercialização imediatamente e não utilizar uma desculpa dessas para não publicar o novo protocolo.
3 - Foi colocado que "
GADELHA EXPLICA QUE A LAMIVUDINA E O INTERFERON ALFA NÃO DEVERÃO SER RETIRADOS TOTALMENTE DO NOVO PROTOCOLO PORQUE SÃO ÚTEIS PARA DETERMINADOS GRUPOS DE PACIENTE, COMO OS "VIRGENS" DE TRATAMENTO"
Correto, eles devem continuar, pois em determinados casos devem ser empregados, mas a lamivudina não e para pacientes "virgens" (nunca antes tratados). A opção por determinado medicamento como primeira opção de tratamento e um caso a ser criteriosamente estudado e determinado pelo médico em função da fase e do estagio da doença.
4 - No caso dos exames de biologia molecular, ele diz
QUE O MINISTÉRIO DA SAÚDE TEM O PRODUTO EM QUANTIDADE SUFICIENTE. O PROBLEMA, AFIRMA, É QUE ALGUNS ESTADOS NÃO ESTAVAM SOLICITANDO O TESTE À PASTA.
Concordo plenamente. Nas regiões onde faltam os exames de biologia molecular a culpa deve ser atribuída aos gestores regionais que não realizam a solicitação ao ministério da saúde, prejudicando os pacientes.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Reportagem do Jornal Folha de São Paulo de 06 de abril de 2009
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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