26/04/2010
Novidades do EASL 2010 realizado em Viena em abril de 2010
Hepatite B - Após 5 anos do tratamento com interferon peguilado o vírus continua negativo
Segundo a Organização Mundial da saúde o câncer de fígado é o 5° câncer mais comum do mundo. As hepatites, se não tratadas, aumentam a possibilidade de desenvolver câncer. No caso da hepatite B a seroconversão do HBeAg e o clearence do HBsAg reduzem a possibilidade de câncer em praticamente todos os casos, sendo recomendação de praticamente todos os consensos internacionais se procurar tal resultado com o tratamento.
Existem diversos medicamentos para tratamento da hepatite B, os medicamentos orais e o interferon peguilado. As principais diferenças entre os medicamentos orais e o interferon peguilado podem ser resumidas nos efeitos colaterais durante o tratamento e na duração do tratamento. Enquanto o tratamento com medicamentos orais não possui um prazo definido para terminar, somente o tratamento com interferon peguilado e realizado em somente 48 semanas.
O temor que os médicos sentem ao tratar a hepatite B e saber quando o tratamento com medicamentos orais deve ser interrompido, pois o paciente pode estar negativo, mas ao se retirar o medicamento o vírus poderá voltar a se reproduzir.
Durante o EASL 2010 no "Debate: Individualized Care For Patients With CHB" os pesquisadores Jenny Heathcote (Canadá), Patrick Marcellin (Francia), Pietro Lampertico (Itália), Robert Perillo (USA) e Michael Manns (Alemanha) debateram sobre os resultados obtidos no tratamento da hepatite B com a utilização do interferon peguilado alfa 2-a.
Quando as características do paciente recomendam a utilização do interferon peguilado alfa 2-a essa deveria ser a primeira opção de tratamento, pois os resultados de mais de cinco anos de utilização demonstram que após 48 semanas de tratamento 31% dos pacientes apresentam carga viral abaixo de 10.000 copias/ml e que desses pacientes 88% conseguem sustentar tal resultado após cinco anos do final do tratamento. (
Mercellin et al. - APASL 2010 and EASL 2009 - Piratvisuth et al. - APASL 2010).
Comprovando os resultados acima, outro estudo que foi apresentado no abstract 1031 da seção de pôsters apresentou os resultados após cinco anos do tratamento de 85 pacientes HBeAg positivos, comprovando a durabilidade dos resultados. Após cinco anos do tratamento 29% dos pacientes tratados apresentavam seroconversão do HBeAg e carga viral abaixo das 10.000 copias/ml. A taxa de seroconversão foi aumentando, sendo de 37% ao final do tratamento e chegando aos 60% aos cinco anos. Os autores do trabalho concluem que nos pacientes HBeAg positivos que ao final do tratamento com interferon peguilado apresentam resposta virológica conseguem manter a resposta sustentada nos cinco anos seguintes. (
Abstract: 1031 - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 52, 2010, Page S399 - DURABILITY OF PEGINTERFERON ALFA-2B TREATMENT BEYOND 5 YEARS - IN PATIENTS WITH HEPATITIS B E ANTIGEN (HBEAG) POSITIVE CHRONIC - HEPATITIS B - V.W.-S. Wong, G.L.-H. Wong, K.K.-L. Yan, A.M.-L. Chim, H.-Y. Chan, H.L.-Y. Chan)
MEU COMENTÁRIO
Fica comprovado que utilizando o interferon peguilado como primeira opção naqueles pacientes que se enquadrem na recomendação médica, um terço dos infectados fica praticamente curado (ainda e cedo para se falar em cura definitiva na hepatite B) e somente os dois terços restantes deverão iniciar o tratamento com medicamentos orais por tempo indeterminado, talvez permanente.
Sei que o tratamento com interferon peguilado possui seus inconvenientes em relação a efeitos colaterais (bem menores que no tratamento da hepatite C já que não se utiliza a ribavirina), mas a possibilidade de ficar livre do problema em somente 48 semanas e um esforço e sacrifício que deve ser tomado em conta devido ao excelente resultado apresentado.
Lamentavelmente alguns poucos países, entre os quais o Brasil, ainda insistem em utilizar o interferon convencional, aquele de aplicação três vezes por semana, achando que estão economizando dinheiro. Ignoram os diversos estudos de fármaco economia que comprovam que o custo de tratamento por paciente respondedor e menor com o interferon peguilado, seja na hepatite B ou na hepatite C, já que o número de tratamentos bem sucedidos e muito maior se empregado o interferon peguilado.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!
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La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!