GRUPO OTIMISMO DE APOIO AO PORTADOR DE HEPATITE
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02/06/2008


TRISTE NOTÍCIA PARA AS HEPATITES NO BRASIL


Recebemos nesta sexta-feira 16 de maio ao final da tarde, resposta a solicitação de adesão do governo federal na campanha do Dia Mundial da Hepatite no Brasil, convite que foi realizado em 22 de março de 2008.
Assim, nos últimos minutos antes do inicio da campanha, recebemos o Oficio informando que o Ministério da Saúde não estará participando da campanha.
Lamentamos a resposta, já que após cada encontro nacional das ONGs que lutam pelas hepatites diversos ofícios foram entregues ao Ministério de apoio a campanha do mês de maio:
Em 2004 - 29 ONGs solicitam apoio do MS.
Em 2005 - 35 ONGs solicitam apoio do MS.
Em 2006 - 44 ONGs solicitam apoio do MS.
Em 2007 - 51 ONGs solicitam apoio do MS.
Em 2008 - 54 ONGs e 4 sociedades médicas solicitam apoio do MS.
Nos anos anteriores sequer recebemos resposta, agora em 2008, recebemos um NÃO.
Para ler a integra da resposta, aperte aqui


Não esperávamos aprovação das 12 metas de forma automática, mas a não adesão à campanha é uma clara demonstração de que o ministério da saúde não quer alertar ou informar a população sobre o grave problema que atinge a saúde de quase seis milhões de brasileiros, com medo de ter que gastar dinheiro com os doentes.

Os valores relacionados no Oficio do ministério, previstos no orçamento do ministério da saúde para o ano de 2008, são os seguintes:

Ações de Vigilância Epidemiológica, R$. 8.200.000,00 Vacinação da hepatite B, R$. 17.088.000,00
Convênios com ONGs, R$. 840.000,00
Capacitação em Vigilância Epidemiológica, R$. 7.000.000,00
Kits Diagnósticos, R$. 20.300.000,00
Medicamentos, R$. 242.000.000,00

ORÇAMENTO TOTAL PARA 2008 DE R$. 295.428.000,00


Considerando que existem no Brasil entre 5 e 6 milhões de brasileiros infectados com as hepatites B e C, o valor previsto no orçamento para todo o ano de 2008 representa R$. 57,00 por infectado.

Comparando com a AIDS, que reserva R$. 3.800,00 para cada infectado, um doente de hepatite vale para o Ministério da Saúde 1,5% daquilo que vale um infectado pelo HIV/AIDS.

A omissão do ministério da saúde resulta em injusta desigualdade já que 1 de cada 3 infectados com HIV/AIDS recebe tratamento. Na hepatite C somente 1 de cada 350 infectados recebe tratamento e na hepatite B somente 1 de cada 1.000 infectados se encontra em tratamento.

A censura pode ser confirmada na página do Programa DST/AIDS. A mais disseminada DST na população, a hepatite B, com dois milhões de infectados e possibilidade de transmissão entre 20 e 100 vezes mais fácil que a AIDS é omitida (censurada) pelo programa nacional que cuida das doenças sexualmente transmissíveis. 14 DST estão relacionadas e explicadas. A hepatite B sequer e citada.

Não esperávamos resposta diferente já que durante anos e anos somos iludidos com promessas no "gerúndio". A resposta comprova definitivamente a omissão dos gestores em relação à maior epidemia que assola o Brasil, a censura imposta a palavra "hepatite" para que a população não realize o teste de detecção.

Na campanha do Dia Mundial da Hepatite nesta segunda-feira 19 de maio devemos gritar mais alto, com maior força, se queremos receber alguma atenção do governo federal.

PREFIRO NÃO FAZER MAIS COMENTÁRIOS!

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
World Hepatites Alliance


Last updated 3.6.2008