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O que podemos esperar em 2016 nas hepatites?
Em 2016 estaremos melhorando o tratamento e atendimento nas hepatites?

06/01/2016

2015 foi um bom ano para a hepatite C


Os novos medicamentos orais livres de interferon que conseguem em 12 semanas de tratamento curar mais de 90% dos infectados foram aprovados em vários países e, lamentavelmente somente em alguns, estão sendo oferecidos de forma gratuita nos sistemas públicos de saúde.

O preço é um problema, mas está caindo de forma vertiginosa. Vários países permitem a importação individual de genéricos os quais pela concorrência também diminuem o preço. Inicialmente a copia indiana do sofosbuvir que custava 900 dólares por tratamento já está sendo oferecida a 400 dólares. Acredito que na assembléia anual da Organização Mundial da Saúde que acontece em maio vamos ter uma nova resolução pela qual permitirá aos países que não possuem recursos para pagar medicamentos originais possam passar a utilizar genéricos alegando se tratar um problema de saúde pública, sem isso significar quebra de patente.

Certamente os fabricantes de produtos originais estarão adaptando os preços a essa nova realidade e a preços relativamente similares a opção pelo medicamento original é sempre a mais segura para o paciente.

Também dois novos medicamentos estarão sendo aprovados pelo FDA e EMEA já nos próximos meses, um da Gilead que combina o sofosbuvir com o velpatasvir (GS-5816) e outro da Merck (MSD) que combina as drogas grazoprevir e elbasvir. Ambos os medicamentos são um avanço importante, pois apresentam possibilidade de cura de aproximadamente 97% dos pacientes e, melhor ainda, servem para tratar todos os genotipos de hepatite C.

Assim, se por um lado os países poderão usar genéricos do sofosbuvir combinado ao daclastavir, àqueles que possuem recursos terão a disposição medicamentos de uma nova geração, de uma pílula ao dia e com maior resposta terapêutica.

O objetivo do Grupo Otimismo em relação ao Brasil em 2016 é trabalhar para aumentar a compra dos atuais 32.000 tratamentos para mais de 45.000. Será muito difícil aumentar o orçamento da saúde diante da crise que vive o Brasil, assim, deveremos convencer os fabricantes a serem parceiros oferecendo uma substancial redução no preço. Lamentavelmente não deveremos ter todas as opções, o que seria o ideal e somente aqueles de menor custo é que permanecerão no sistema público de saúde.


2015 foi um ano sem novidades na hepatite B


Na hepatite B não aconteceram novidades, continuando a ser a vacinação a medida mais efetiva. Existem pesquisas de novos medicamentos, mas por enquanto as mais avançadas estão na fase 2. Em 2016 continuaremos acompanhando os estudos e incentivando a vacinação universal da população.


2015 foi um excelente ano para a co-infecção HIV/HCV


O ano trouxe a cura de hepatite C nos co-infectados HIV/HCV. A combinação de sofosbuvir com daclastavir consegue em 12 semanas curar a hepatite C de 95% dos tratados. Em 2016 o Grupo Otimismo estará lado a lado com grupos de AIDS para lutar pelo diagnostico da hepatite C nos infectados com HIV/AIDS, para que recebam tratamento e assim enfrentar a doença que mais mata os infectados com HIV/AIDS. A hepatite C mata mais infectados com HIV que a tuberculose ou a sífilis!


2015 foi um ano bom para esteato hepatite não alcoólica - NASH


O medicamento injetável Liraglutida (nome comercial Victoza® do laboratório Novo Nordisk), surge como uma esperança para pacientes com excesso de peso com esteato hepatite não alcoólica.

52 pacientes com obesidade e NASH comprovado por biópsia receberam 48 semanas uma vez por dia, injeções subcutâneas de 1,8 mg de Victoza®. 39% dos pacientes resolveram o NASH, sem agravamento da fibrose e 82,6% dos pacientes apresentaram melhora no teor de gordura do fígado. Além disso, foi conseguida uma redução de peso, IMC e glicemia em jejum.

Outros estudos em andamento estarão trazendo boas novidades em 2016 no tratamento do NASH.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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