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18/10/2010


Tratamento da hepatite C com medicamentos orais


O sonho de pesquisadores, médicos e pacientes seria o de poder tratar a hepatite C com alguns comprimidos, ingeridos diariamente, sem necessidade de utilizar o interferon. Muitas pesquisas estão sendo realizadas para algum dia poder anunciar a boa nova, mas é necessário esclarecer que tal notícia ainda vai demorar alguns anos, uns quatro para os mais otimistas e até dez anos para os mais crédulos.

A procura de novos tratamentos para hepatite C é muito grande, já que a atual combinação de interferon e ribavirina apresenta efeitos colaterais (graves em alguns casos) e não consegue a cura de um percentual considerável de pacientes.

Como o vírus da hepatite C se incorpora a célula hepática não é possível a utilização de uma droga que "mate" o vírus, pois estaria ao mesmo tempo matando as células hepáticas o que ocasionaria a morte do paciente. Como o vírus nasce e morre em poucas horas a maioria das pesquisas em andamento procura formas de inibir a replicação do vírus, isto é, se ele não consegue se reproduzir, a população vai decrescendo até desaparecer do organismo, sem afetar as células hepáticas.

Mas o vírus da hepatite C possui a característica de ser um vírus inteligente e, ao "detectar" que alguma situação está dificultando a sua reprodução ele passa a criar mutações nos novos vírus que estão nascendo, isto é, estamos frente a um vírus mutante que muda de forma para que os agentes que o estão atacando não consigam o identificar.

É por isso que os inibidores de protease e polimerasa que se encontram em fases avançadas dos estudos clínicos não poderão ser utilizados em forma de monoterapia, devendo ser administrados conjuntamente com o interferon. Quando o vírus apresenta resistência ao inibidor o interferon continua atuando no combate ao vírus.

Esta semana a revista médica "The Lancet" publica um estudo realizado por pesquisadores da Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos informando que dois medicamentos experimentais que estão sendo desenvolvidos pelo Laboratório Roche, o Danoprevir e o RG7128, parecem ser seguros e bem tolerados quando empregados em combinação.

O Danoprevir é um inibidor da protease e o RG7128 um inibidor da polimerasa. A protease e a polimerase são proteínas que o vírus necessita para conseguir se reproduzir.

A pesquisa foi realizada em 88 pacientes infectados com o genótipo 1 da hepatite C os quais durante 13 dias 14 deles receberam um placebo e os 74 restantes foram divididos em sete grupos que receberam diferentes doses a combinação dos dois medicamentos que estão sendo pesquisados. Os pacientes que receberam as dosagens maiores dos dois medicamentos apresentaram enormes reduções da carga viral ao final dos 13 dias, em muitos deles o resultado da carga viral foi indetectável.

Os autores do estudo concluem informando que queriam averiguar se era possível prevenir a resistência e suprimir o vírus o que realmente ficou demonstrado. Não existiram casos de resistência viral nos pacientes que receberam qualquer das dosagens da combinação dos medicamentos.

Finalizando, entendam que não gosto de divulgar notícias quando as pesquisas se encontram na fase 1, porque podem passar anos até o tratamento chegar ao mercado, mas a novidade é de tamanha importância que não poderia ficar calado.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Oral combination therapy with a nucleoside polymerase inhibitor (RG7128) and danoprevir for chronic hepatitis C genotype 1 infection (INFORM-1): a randomised, double-blind, placebo-controlled, dose-escalation trial - Dr Edward J Gane MD, Stuart K Roberts MD, Catherine AM Stedman MD, Prof Peter W Angus MD, Brett Ritchie MD, Rob Elston PhD, David Ipe MS, Peter N Morcos PharmD, Linda Baher BS, Isabel Najera PhD, Tom Chu MD, Uri Lopatin MD, M Michelle Berrey MD, William Bradford MD, Mark Laughlin MD, Nancy S Shulman MD, Patrick F Smith PharmD - The Lancet, Early Online Publication, 15 October 2010 - doi:10.1016/S0140-6736(10)61384-0 Cite or Link Using DOI
Pesquisa registrada em ClinicalTrials.gov, NCT00801255.


Carlos Varaldo
Grupo Otimismo




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18/10/2010


Tratamiento de la hepatitis C con medicamentos orales


El sueño de investigadores, médicos y pacientes sería el de poder tratar la hepatitis C con algunos comprimidos, ingeridos diariamente, sin necesidad de utilizar el interferón. Muchas investigaciones están siendo realizadas para algún día poder anunciar la buena noticia, pero es necesario aclarar que tal noticia todavía va a demorar algunos años, unos cuatro para los más optimistas y hasta diez años para los más crédulos.

La busca de nuevos tratamientos para hepatitis C es grande, ya que la actual combinación de interferón y ribavirina presenta efectos secundarios (graves en algunos casos) y no consigue la cura de un porcentual considerable de pacientes.

Como el virus de la hepatitis C se incorpora a la célula hepática no es posible la utilización de una droga que "mate" el virus, pues estaría al mismo tiempo matando las células hepáticas lo que ocasionaría la muerte del paciente. Como el virus nace y muere en pocas horas la mayoría de las investigaciones busca formas de inhibir la replicación del virus, esto es, si él no consigue se reproducir, la población va decreciendo hasta desaparecer del organismo, sin afectar las células hepáticas.

Pero el virus de la hepatitis C posee la característica de ser un virus inteligente y, al "detectar" que alguna situación está dificultando su reproducción él pasa a crear mutaciones en los nuevos virus que están naciendo, esto es, estamos frente a un virus mutante que muda de forma para que los agentes que lo están atacando no logren lo identificar.

Es por eso que los inhibidores de proteasa y polimerasa que se encuentran en fases avanzadas de los estudios clínicos no podrán ser utilizados en forma de monoterapia, debiendo ser administrados conjuntamente con el interferón. Cuando el virus presenta resistencia al inhibidor el interferón continúa actuando en el combate al virus.

Esta semana la revista médica "The Lancet" publica un estudio realizado por investigadores de Australia, Nueva Zelandia y Estados Unidos informando que dos medicamentos experimentales que están siendo desarrollados por el Laboratorio Roche, el Danoprevir y el RG7128, parecen ser seguros y bien tolerados cuando empleados en combinación.

El Danoprevir es un inhibidor de la proteasa y el RG7128 un inhibidor de la polimerasa. La proteasa y la polimerasa son proteínas que el virus necesita para lograr se reproducir.

La pesquisa fue realizada en 88 pacientes infectados con el genotipo 1 de la hepatitis C los cuales durante 13 días 14 de ellos recibieron un placebo y los 74 restantes fueron divididos en siete grupos que recibieron diferentes dosis de la combinación de los dos medicamentos que están siendo investigados.

Los pacientes que recibieron las dosis mayores de los dos medicamentos presentaron enormes reducciones de la carga viral al final de los 13 días, en muchos de ellos el resultado de la carga viral fue indetectable.

Los autores del estudio concluyen informando que querían averiguar si era posible prevenir la resistencia y suprimir el virus lo que realmente quedó demostrado. No existieron casos de resistencia viral en los pacientes que recibieron cualquiera de las dosis de la combinación de los medicamentos.

Finalizando, entiendan qué no mee gusta divulgar noticias cuando las pesquisas se encuentran en la fase 1, porque pueden pasar años hasta el tratamiento llegar al mercado, pero la novedad es de tamaña importancia que no podría me quedar callado.

Este artículo fue redactado con comentarios e interpretación personal de su autor, tomando como base la siguiente fuente:
Oral combination therapy with a nucleoside polymerase inhibitor (RG7128) and danoprevir for chronic hepatitis C genotype 1 infection (INFORM-1): a randomised, double-blind, placebo-controlled, dose-escalation trial - Dr Edward J Gane MD, Stuart K Roberts MD, Catherine AM Stedman MD, Prof Peter W Angus MD, Brett Ritchie MD, Rob Elston PhD, David Ipe MS, Peter N Morcos PharmD, Linda Baher BS, Isabel Najera PhD, Tom Chu MD, Uri Lopatin MD, M Michelle Berrey MD, William Bradford MD, Mark Laughlin MD, Nancy S Shulman MD, Patrick F Smith PharmD - The Lancet, Early Online Publication, 15 October 2010 - doi:10.1016/S0140-6736(10)61384-0 Cite or Link Using DOI
Pesquisa registrada en ClinicalTrials.gov, NCT00801255.


Carlos Varaldo
Grupo Optimismo




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Last updated 17.10.2010