09/04/2010
Será possível tratar a hepatite C em 12 semanas e sem ribavirina?
Um estudo que acaba de ser publicado no World Journal of Gastroenterology sugere que o tratamento da hepatite C deveria ser realizado de forma individual em cada paciente e, que se consideradas determinadas situações clínicas individuais o tratamento poderia ser realizado com menor duração, somente em monoterapia com interferon peguilado e sem necessidade da ribavirina.
Os pesquisadores incluíram no estudo 38 pacientes, os quais antes do tratamento apresentavam baixa carga viral. Foi empregado o interferon peguilado alfa 2-a (Pegasys) e após sete dias da primeira aplicação realizaram a carga viral para identificar os pacientes que conseguissem a
Resposta
Virologica
Imediata -
RVI.
Nos pacientes com baixa carga viral antes do tratamento e que conseguiram a
Resposta
Virologica
Imediata -
RVI, a resposta sustentada, considerada a cura da hepatite C, foi conseguida em 92,1% desses pacientes.
Cabe destacar que dos 38 pacientes selecionados a maioria era infectada com o genótipo 2, sendo 21 homens e 17 mulheres com idades entre 22 e 77 anos. No total, quatro estavam infectados com o genótipo 1, vinte e três com o genótipo 2 e em sete pacientes o genótipo não foi determinado.
Considerando todos os pacientes que iniciaram o tratamento, trinta e cinco (92,1%) deles conseguiram a cura da hepatite C, permanecendo indetectáveis após seis meses do final do tratamento. Os infectados com o genótipo 1 eram somente quatro, mas todos eles conseguiram a cura. Nos infectados com o genótipo 2 a cura foi de 96,3% dos pacientes. Os pacientes com genótipos não determinado conseguiram 71,4% de cura.
O tratamento foi realizado utilizando interferon peguilado alfa 2-a (Pegasys) em monoterapia (sem ribavirina) e a duração de tratamento foi de somente 12 semanas.
A importância deste estudo é referente a que um determinado grupo de pacientes, que são aqueles com baixa carga viral e que conseguem se encontrar indetectáveis após a primeira aplicação do interferon peguilado, poderão ser tratados em somente 12 semanas, sem necessidade da ribavirina. Com isso o custo do tratamento fica muito menos custoso e o risco de efeitos adversos amplamente reduzidos.
O resultado é desafiador para todos os pesquisadores e gestores da saúde. Espero que outros tentem reproduzir o estudo para que os resultados publicados possam ser verificados. Os que estejam interessados em conhecer com detalhes o estudo podem aceder ao texto integral em
http://www.wjgnet.com/1007-9327/full/v16/i12/1506.htm o qual está gentilmente aberto de forma gratuita pelo World Journal of Gastroenterology.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Immediate virological response predicts the success of short-term peg-interferon monotherapy for chronic hepatitis C - Masayoshi Yada, Akihide Masumoto, Naoki Yamashita, Kenta Motomura, Toshimasa Koyanagi and Shigeru Sakamoto - World J Gastroenterol 2010 March 28; 16(12): 1506-1511 - Published online 2010 March 28. doi: 10.3748/wjg.v16.i12.1506
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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