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28/10/2009


Comentando a nova Portaria de Tratamento da Hepatite B


Estive em Brasília para prestigiar a assinatura pelo ministro da saúde, Dr. José Gomes Temporão, da nova portaria com as diretrizes de tratamento da hepatite B no SUS, a qual finalmente, após três anos de reivindicação chega. Podemos estar sempre reivindicando, uma das funções do controle social, mais é justo bater palmas e agradecer quando o governo atende alguma das carências.

O Brasil está dando um importante passo em relação ao tratamento daqueles que já estão cientes de estar infectados com a hepatite B, a nova portaria atende a maioria das reivindicações, mas não pode o ministério da saúde esquecer que dos estimados dois milhões de brasileiros infectados somente 5% estão diagnosticados. Ainda existem assombrosos 95% dos infectados que ignoram estar com uma doença que inevitavelmente progride para a cirrose, o câncer e até a morte e, pior ainda, que se transmite sexualmente com uma facilidade até 100 vezes maior que a AIDS. Já temos o tratamento, agora chegou a hora de o governo disponibilizar a testagem em todo local onde se encontra o teste HIV, pois ao final, as hepatites fazem parte do programa de AIDS. Não podem as hepatites continuar sendo negligenciadas, tratadas como doenças de segunda categoria, devem ao igual que o HIV/AIDS ter a mesma facilidade para realizar o teste de forma universal e, de preferência de forma anônima, até quebrar o estigma existente com os infectados.

Portarias, consensos e protocolos representam a maneira como gostaríamos que os pacientes fossem diagnosticados e tratados, mas serão as estatísticas que mostraram como as portarias, consensos e protocolos funcionam na realidade. Somente a frieza dos números mostrando quantas notificações e quantos tratamentos estão sendo realizados e que podem avaliar o resultado das diretrizes constantes na portaria.

A portaria poderá oferecer o tratamento certo no tempo correto podendo conseguir aumentar a qualidade de vida e aumentar a expectativa de vida. Mas devemos lembrar que o tratamento impróprio ou desnecessário pode resultar no aparecimento resistência aos medicamentos, limitando as opções de tratamento futuros.

Dias passados durante uma discussão sobre tratamentos da hepatite B o Dr. Evaldo Stanislau Affonso de Araújo iniciou sua palestra colocando uma frase de Hipócrates, escrita no parágrafo 12 do primeiro livro da sua obra "Epidemia" ao redor do ano 430 aC, propondo aos médicos "Primum non nocere" o que pode ser traduzido como "Pratique duas coisas ao lidar com as doenças; auxilie ou não prejudique o paciente", ou seja, primum non nocere: acima de tudo, não provoque nenhum dano.

Aplicar a recomendação de Hipócrates na interpretação das recomendações da nova portaria e fundamental nos infectados com hepatite B. Estudos mostram que não todos necessitam de tratamento, sendo estimado que somente 1 de cada 3 pacientes precise ser tratado imediatamente. Todos os demais devem simplesmente ser acompanhados com visitas medicas a cada três ou seis meses para realização de diversos exames.

A diversidade de interpretações dos exames para definir a estratégia a ser seguida em um paciente infectado com hepatite B e dificilíssima de interpretar por médicos que não estejam familiarizados com a doença e com os medicamentos disponíveis. Diferentemente ao tratamento da hepatite C, onde todos são tratados com a mesma "receita de cozinha", na hepatite B a decisão e muito mais complicada.

Faço um alerta a todos os profissionais da saúde, por favor, ninguém deve achar que por existir uma recomendação de consenso (portaria ou protocolo) deverão sair tratando dessa forma a todos os infectados. Se o profissional não se sente capacitado deve ter a humildade de encaminhar o paciente a um colega especializado no tratamento da hepatite B.

Coloco esse alerta porque achei prematuro recomendar o Tenofovir como escolha preferencial de tratamento. O Tenofovir é um medicamento excelente, mas com somente dois anos de experiência na hepatite B. O Tenofovir e muito bem conhecido no tratamento da AIDS, sendo observado em pequeno percentual de pacientes alguns efeitos adversos, especialmente em relação à função renal e na desmineralização da estrutura óssea. Também, não existem estudos que indique qual deverá ser o medicamento utilizado para resgatar pacientes que apresentem resistência ao tenofovir ou que devam interromper sua utilização por causa de efeitos adversos. Por esses motivos a "escolha preferencial" não deveria ser a orientação na Portaria. O orçamento da saúde tem suas limitações, assim, um medicamento de menor custo passa a ser o fator que influiu na "escolha preferencial". Um comprimido de Tenofovir custa ao governo aproximadamente três reais, contra dez reais dos outros medicamentos introduzidos, mas respeitando o conselho de Hipócrates devemos ter a cuidado de não sair tratando todo mundo com Tenofovir e sim, recomendar o melhor para o paciente.

Finalizando, aviso aos infectados que a Portaria estará sendo publicada hoje no Diário Oficial, mas que a sua aplicação plena deverá acontecer após a licitação para compra dos medicamentos, centralizada em Brasília, assim, os medicamentos deverão ser distribuídos aos estados durante o primeiro trimestre do próximo ano, conforme foi prometido pelo Programa DST/AIDS/Hepatites.

Dou meus parabéns a todos os que participaram da luta para conseguirmos a publicação e também ao Senhor Ministro e toda a equipe do Programa DST/AIDS/Hepatites, mas sugiro que brevemente seja feita uma revisão solicitando contribuições as sociedades médicas para sanar eventuais falhas existentes.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo


Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
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1 pessoas estarão morrendo por culpa das hepatites B ou C no mundo!

personas estarán muriendo por culpa de las hepatitis B o C en el mundo!

A Organização Mundial da Saúde estima que 1,5 milhão de pessoas morrem a cada ano por culpa das hepatites B ou C. Uma morte a cada 20 segundos!
La Organización Mundial de la Salud estima que 1,5 millón de personas mueren a cada año por culpa de las hepatitis B o C. ¡Una muerte a cada 20 segundos!



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28/10/2009


Comentando el nuevo Consenso de Tratamiento de la Hepatitis B


Estuve en Brasilia para prestigiar la signatura por el ministro de la salud, Dr. José Gomes Temporão, del nuevo consenso con las directrices de tratamiento de la hepatitis B en el sistema público de salud del Brasil, el cual finalmente, después de tres años de reivindicación llega. Podemos estar siempre reivindicando, una de las funciones del control social, más es justo aplaudir y agradecer cuando el gobierno atiende alguna de las carencias.

Brasil está dando un importante paso con relación al tratamiento de aquéllos que ya saben estar infectados con la hepatitis B, las nuevas recomendaciones de tratamiento atiende la mayoría de las reivindicaciones, pero no puede el ministerio de la salud olvidar que de los estimados dos millones de brasileños infectados solamente 5% están diagnosticados. Todavía existen asombrosos 95% de los infectados que ignoran estar con una enfermedad que inevitablemente progresa para la cirrosis, el cáncer y hasta la muerte y, peor aún, que se transmite sexualmente con una facilidad hasta 100 veces mayor que el SIDA. Ya tenemos el tratamiento, ahora llegó la hora del gobierno colocar la detección en todo local donde se encuentra la prueba del SIDA, pues al final, ahora las hepatitis hacen parte del programa de SIDA. No pueden las hepatitis continuar siendo despreciadas, tratadas como enfermedades de segunda categoría, deben al igual que el HIV/SIDA tener la misma facilidad para realizar la prueba de forma universal y, de preferencia de forma anónima, hasta romper el estigma existente con los infectados.

Consensos representan la manera como gustaríamos que los pacientes fuesen diagnosticados y tratados, pero serán las estadísticas que mostraron como las consensos funcionan en realidad. Solamente la frialdad de los números mostrando cuántas notificaciones y cuántos tratamientos están siendo realizados es que pueden evaluar el resultado de las directrices constantes en el consenso.

El consenso podrá ofrecer el tratamiento cierto en el tiempo correcto pudiendo lograr aumentar la calidad de vida y aumentar la expectativa de vida. Pero debemos recordar que el tratamiento impropio o innecesario puede resultar en el aparecimiento de resistencia a los medicamentos, limitando las opciones de tratamiento futuros.

Días pasados durante una discusión sobre tratamientos de la hepatitis B el Dr. Evaldo Stanislau Affonso de Araújo inició su exposición colocando una frase de Hipócrates, escrita en el párrafo 12 del primer libro de su obra "Epidemia" alrededor del año 430 aC, proponiendo a los médicos "Primum non nocere" lo que puede ser traducido como "Practique dos cosas al manejar las enfermedades; auxilie o no perjudique el paciente", o sea, primum non nocere: arriba de todo, no provoque ningún daño.

Aplicar la recomendación de Hipócrates en la interpretación de las recomendaciones del nuevo consenso es fundamental en los infectados con hepatitis B. Estudios muestran que no todos necesitan tratamiento, siendo estimado que solamente 1 de cada 3 pacientes necesite ser tratado inmediatamente. Todos los demás deben simplemente ser acompañados con visitas médicas a cada tres o seis meses para realización de diversos exámenes.

La diversidad de interpretaciones de los exámenes para definir la estrategia a ser seguida en un paciente infectado con hepatitis B es muy difícil de interpretar por médicos que no estén familiarizados con la enfermedad y con los medicamentos disponibles. Diferentemente al tratamiento de la hepatitis C, donde todos son tratados con la misma "receta de cocina", en la hepatitis B la decisión es bien más complicada.

Hago un alerta a todos los profesionales de la salud, por favor, nadie debe pensar que por existir una recomendación de consenso deberán salir tratando de ésa forma a todos los infectados. Si el profesional no se siente capacitado debe tener la humildad de encaminar el paciente a un colega especializado en el tratamiento de la hepatitis B.

Coloco ese alerta porque hallé prematuro recomendar el Tenofovir como elección preferencial de tratamiento. El Tenofovir es un medicamento excelente, pero con solamente dos años de experiencia en la hepatitis B. El Tenofovir es muy bien conocido en el tratamiento del SIDA, siendo observado en pequeño porcentual de pacientes algunos efectos adversos, especialmente con relación a la función renal y en la desmineralización de la estructura ósea. También, no existen estudios que indique cual deberá ser el medicamento utilizado para rescatar pacientes que presenten resistencia al Tenofovir o que deban interrumpir su utilización a causa de efectos adversos. Por esos motivos la "elección preferencial" no debería ser la orientación en el consenso. El presupuesto de la salud tiene sus limitaciones, así, un medicamento de menor costo pasa a ser el factor que influyó en la "elección preferencial". Una capsula de Tenofovir cuesta al gobierno aproximadamente 1,75 dólar, contra 5,1 dólares de los otros medicamentos introducidos, pero respetando el consejo de Hipócrates debemos tener el cuidado de no salir tratando todo el mundo con Tenofovir y sí, recomendar lo mejor para el paciente.

Finalizando, aviso a los infectados que la consenso estará siendo publicado hoy en el Diario Oficial, pero que su aplicación plena deberá acontecer después de la licitación para compra de los medicamentos, centralizada en Brasilia, así, los medicamentos deberán ser distribuidos durante el primer trimestre del próximo año, según fue prometido por el Programa DST/SIDA/Hepatitis.

Felicito a todos los que participaron de la lucha para conseguir la publicación y también al Señor Ministro y todo el equipo del Programa DST/SIDA/Hepatitis pero sugiero que brevemente sea realizada una revisión solicitando contribuciones las sociedades médicas para sanar eventuales fallas existentes.

Carlos Varaldo
Grupo Optimismo


Carlos Varaldo y el Grupo Optimismo declaran que no tienen relaciones económicas relevantes con eventuales patrocinadores das diversas actividades.
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Last updated 28.10.2009