03/05/2010
EASL 2010 - Tratamento multidisciplinar individualizado aumenta a possibilidade de cura em 45,6%
Pesquisadores do mundo todo concordam que o tratamento da hepatite C deve ser realizado por equipes multidisciplinares e o tratamento deve ser individualizado para cada paciente. A receita de bolo dos protocolos atuais, onde todos os pacientes devem ser tratados igualmente com a mesma duração do tratamento conforme o genótipo, sem considerar a resposta virológica inicial, deveria ser totalmente erradicado.
Diversos estudos confirmam os benefícios do tratamento individualizado. Pacientes com resposta virológica lenta, que somente conseguem se encontrar negativos na semana 24 do tratamento possuem maior possibilidade de cura se o tratamento e prolongado até a semana 72 e, pacientes tratados por equipes multidisciplinares obtém maiores taxas de resposta terapêutica.
Pesquisadores da Espanha decidiram estudar os dois fatores de forma conjunta. Para tal incluíram no estudo 395 pacientes infectados com hepatite C os quais foram divididos em três grupos. Em todos os grupos foi utilizado o interferon peguilado alfa 2-a (Pegasys) e dependendo do genótipo recebiam o tratamento de 48 semanas se fossem genótipos 1 ou 4, combinando com ribavirina em doses de 1.000 até 1.200 mg/dia ou, tratamento de 24 semanas se o genótipo fosse 2 ou 3, com doses de ribavirina de 800 mg/dia.
O grupo 1 formado por 147 pacientes foi tratado da forma convencional recebendo os medicamentos para aplicação pelos pacientes, fora dos centros multidisciplinares.
O grupo 2 formado por 131 pacientes recebeu o mesmo tratamento do grupo 1, porém foram atendidos em centros multidisciplinares, com médicos de diferentes especialidades conforme os efeitos colaterais apresentados e com aplicação assistida e acompanhamento semanal
O grupo 3 formado por 117 ácientes recebeu tratamento igual aos pacientes do grupo 2 e tiveram o tratamento individualizado em função da resposta virológica inicial, prolongando o tratamento para 72 semanas nos pacientes com resposta lenta dos genótipos 1 e 4 e para 48 semanas nos pacientes com resposta lenta dos genótipos 2 e 3.
Em todos os grupos a aderência ao tratamento era considerada se os pacientes recebiam mais de 80% das doses prescritas de medicamentos.
Os resultados são surpreendentes:
-
A aderência ao tratamento no grupo 1 foi de 78,9%, no grupo 2 de 94,6% e no grupo 3 de 88,8%.
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A recidiva (pacientes indetectáveis ao final do tratamento, mas novamente positivos seis meses após o final)
foi de 22,2% no grupo 1, de 13,7% no grupo 2
e de 5,8% no grupo 3.
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A resposta sustentada (cura da hepatite C) no total dos pacientes
foi de 61,9% no grupo 1, de 77,1% no grupo 2
e de 83,8% no grupo 3.
-
A resposta sustentada (cura da hepatite C) nos pacientes infectados com os
genótipos 1 e 4 foi de 48,9% no grupo 1, de 66,7% no grupo 2
e de 71,2% no grupo 3.
-
A resposta sustentada (cura da hepatite C) nos pacientes infectados com os
genótipos 2 e 3 foi de 81,4% no grupo 1, de 87,7% no grupo 2
e de 93,8% no grupo 3.
- Os pacientes do grupo 3 que não conseguiram resposta virológica rápida, mas que na semana vinte e quatro se encontravam indetectáveis tiveram o tratamento prolongado. A resposta sustentada (cura da hepatite C) dos 29 pacientes nessa situação foi de 89,6% para os infectados com os genótipos 1 e 4 e, de 100% para os pacientes infectados com os genótipos 2 e 3.
Concluem os pesquisadores que o tratamento assistido multidisciplinar aumenta a possibilidade de cura da hepatite C e aumenta a aderência dos pacientes ao tratamento, controlando e diminuindo os efeitos adversos ou colaterais dos medicamentos. O fator principal em relação ao aumento da resposta sustentada e atribuído a um maior número de pacientes que completam o tratamento e a uma menor possibilidade de recidiva do vírus após o final do tratamento.
MEUS COMENTÁRIOS:
Nos últimos anos luto ardorosamente para que pólos de tratamento multidisciplinares com aplicação assistida estejam a disposição de todos os pacientes para o tratamento da hepatite C, pois são inegáveis os benefícios conseguidos. O percentual de pacientes curados e altamente superior e dessa forma a fármaco economia para o governo e evidente, pois com os mesmos recursos se obtém um número muito maior de pacientes curados. Não implementar obrigatoriamente o tratamento assistido multidisciplinar será continuar a desperdiçar recursos e a negar a cura de um número considerável de pacientes.
Quando se comprova por mais esta pesquisa que pacientes infectados com os genótipos 1 ou 4, os mais difíceis de tratar, podem chegar a conseguir uma possibilidade de cura de 71,2% se o tratamento e assistido, individualizado e multidisciplinar, contra uma possibilidade de cura de somente 48,9% se o tratamento e o tradicional, onde o paciente recebe os medicamentos e se aplica por conta própria, não existe mais nenhuma desculpa ou explicação para continuar insistindo com o protocolo atual de tratamento.
A diferença entre 71,2% e 48,9% conseguida com esses pacientes representa um aumento de mais de 45% no número de pacientes curados. Uma economia em recursos e uma possibilidade muito maior de cura para os pacientes.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
EASL 2010 - Abstract: 261 - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 52, 2010, Page S110 - Individualized treatment strategies and multidisciplinary support programs (msp) increase the efficacy of antiviral therapy for chronic hepatitis C - M. García-Retortillo, I. Cirera1, N. Cañete, M.D. Giménez, C. Márquez, P. Castellví, R. Navinés, J.R., Castaño, O. Urbina, E. Salas, S. Coll, F. Bory, R. Martín-Santos, R. Solà - Liver Section, Hospital del Mar / IMIM / Universitat Autònoma de Barcelona, Department of Psychiatry and CIBERSAM, Institut Clínic de Neurociències / Hospital Clínic / IDIBAPS, Psychiatry Service, Hospital del Mar, Pharmacy Service, Hospital del Mar / IMIM, Barcelona, Spain
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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