port_divulgação

Convivendo com a Hepatite C
Resumo de alguns artigos extraidos do livro do mesmo nome
Informações sobre o livro, aperte aqui

Divulgação de notícias para a Imprensa
 

Para poder acessar o artigo desejado, clique acima do mesmo:

FOLHETO PARA DIVULGAÇÃO DA HEPATITE C
Imprima este folheto e cole o mesmo na sua escola, no seu trabalho, no posto de saúde, no quadro de avisos do supermercado. Ajude a divulgar a hepatite C

RECOMENDAÇÕES PARA PREVENIR A HEPATITE C
Ajude a divulgar a hepatite C - Imprima este folheto e cole o mesmo na sua escola, no seu trabalho, no posto de saúde, no quadro de avisos do supermercado.

Divulgação e conscientização

É muito importante divulgar e conscientizar a população e o governo sobre a gravidade da hepatite C, que já contamina 3% da população. Qualquer indivíduo que suspeite de estar contaminado deve fazer os testes urgentemente.

Se você conhece algum jornalista, peça para ele divulgar a doença. Pressione os políticos para que o governo tome as medidas necessárias para que a população possa dispor de tratamento e medicamento gratuitos na rede hospitalar.

O tratamento da hepatite C é extremamente caro, superando em custos o tratamento da AIDS. A maioria dos médicos ainda desconhece a doença.

É necessário que as universidades e os conselhos de medicina se mobilizem para atualizar os profissionais. É necessária uma ampla campanha do governo para prevenir o avanço da contaminação.

As matérias a seguir podem ser usadas livremente, solicitamos a gentileza de citar a fonte.




Índice, aperte acima do tema desejado:

Mar1.gif (1653 bytes) A descoberta da maior epidemia da história da humanidade
Mar1.gif (1653 bytes) Hepatite C, a epidemia do novo milênio
Mar1.gif (1653 bytes) Hepatite C - Alerta - Manicuras
Mar1.gif (1653 bytes) A hepatite C – Cuidados no consultório dentário
Mar1.gif (1653 bytes) Hepatite C – Você pode estar contaminado sem saber
Mar1.gif (1653 bytes) O desespero e a angustia ao descobrir que você esta contaminado com a hepatite C
Mar1.gif (1653 bytes) Hepatite C - Saiba o que é
Mar1.gif (1653 bytes) Hepatite C - Podemos evitar uma catástrofe?
Mar1.gif (1653 bytes) Hepatite e preconceito
Mar1.gif (1653 bytes) Uma opção terapêutica
Mar1.gif (1653 bytes) Revista Newsweek - 20/05/2002
Mar1.gif (1653 bytes) Hospitais da vida real e da ficção



A DESCOBERTA DA MAIOR EPIDEMIA DO MILÊNIO

Hepatite C - O Relógio está disparado. É hora do Governo despertar


O vírus da hepatite C (HCV) identificado aproximadamente há 10 anos, antes chamada de hepatite não-A-não-B, é uma doença crônica que ataca o fígado. Chamada da Epidemia do Novo Milênio a hepatite C é considerada, atualmente, como a infecção mais comum no mundo, com um número seis vezes maior de contaminados que a AIDS (HIV).

Aproximadamente 200 milhões de pessoas estão infectados segundo dados da OMS - Organização Mundial da Saúde, que considera ser a maior epidemia da história da humanidade. No Brasil, somente em Janeiro deste ano, a hepatite C passou a ser uma doença de Notificação Compulsória. Os únicos dados disponíveis fornecidos pelos Hemocentros, indicam que, em media, 2% das doações são rejeitadas por estar contaminadas com a hepatite C, indo de 1,7% no Rio Grande do Sul e 1,3% em São Paulo a 3,1% no Rio de Janeiro. Algumas regiões do Paraná e do Acre apresentaram percentuais de 6,1 a 9,6, respectivamente, consideradas bem superiores à média nacional. Isto indica, no mínimo, que mais de 3,3 milhões de brasileiros já estão contaminados.

Enquanto os Governos realizaram esforços significantes na prevenção e educação para AIDS e para a Hepatite B, as infecções com a hepatite C eram silenciosamente adquiridas e não foram diagnosticadas durante décadas. Ainda não é sabido até que ponto a hepatite C é um vírus antigo, pois somente na última década foi descoberto.

São encontradas taxas alarmantes de infecção pela hepatite C em certas populações. Entre os que podemos chamar de grupos de risco, temos:

- Pessoas que receberam uma transfusão de sangue ou de hemoderivados ou um transplante de órgão, principalmente se aconteceu antes de 1992.
- Pessoas que se injetaram ou aspiraram drogas, incluindo os que o fizeram só uma vez em qualquer época da sua vida.
- Pacientes que fazem ou fizeram hemodiálises.
- Pessoas que têm sinais ou sintomas da doença, por exemplo, enzimas TGO e TGP (chamadas de transaminases) acima do normal.
- Familiares de portadores de hepatite C.
- Hemofílicos.
- Trabalhadores das áreas que possam ter contato eventual com sangue, como enfermeiras, médicos e para médicos, dentistas, laboratoristas, etc.
- Pessoas com tatuagens ou Piercings.
- Pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou comportamentos sexuais de risco.

Pesquisas feitas nos estados Unidos entre médicos e enfermeiros, grupo considerado de alto risco, que trabalham em emergências de hospitais detectaram um gritante 13% a 18% de contaminados.

Freqüentemente chamada de " a epidemia silenciosa " a maioria das pessoas infectadas não sabem que são portadoras do vírus, porque são assintomáticos e não apresentam sinais clínicos.

O inicio da infecção por Hepatite C é freqüentemente assintomático e a recuperação espontânea é rara. Aproximadamente 85% se tornam cronicamente infectados, com 60% a 70% contraindo complicações no fígado. A Hepatite C progride para uma cirrose em 20% a 30% dos portadores depois de aproximadamente duas décadas. Nos pacientes que desenvolveram a cirrose a probabilidade para uma descompensação hepática é de 22% e para o desenvolvimento de um câncer no fígado de 10% em 5 anos.

Como a maioria das pessoas infectadas com a Hepatite C tem de 30 a 49 anos, o número de mortes atribuível a esta doença de fígado deverá aumentar de forma alarmante nos próximos 10 anos.

O ponto mais dramático dos portadores é o sofrimento humano e a angústia de estar contaminados por uma doença nova, ainda desconhecida pela população e pela maioria dos médicos, que ainda pensam que a mesma é transmitida de forma similar as hepatites A e B, com as quais nada tem em comum.

É necessário entender que os portadores têm medo de contar para qualquer um a sua condição. A maioria da população acha que esta é uma doença contagiosa como a AIDS, e o preconceito, na vida familiar, no trabalho e nos amigos pode ser muito grande.

Uma resposta rápida na informação e educação da população salvará muitas vidas. O modelo já existe: simplesmente devemos olhar o que foi conseguido na luta contra a AIDS nos últimos anos. O Grupo Otimismo, na sua luta pela divulgação da doença, (o melhor dos medicamentos neste momento) ao tentar sensibilizar os Governos, a nível Federal, Estadual e Municipal, não está tentando inventar nada novo, simplesmente se espelha no movimento realizado pelo saudoso Betinho na sua luta pela AIDS e que, ironicamente morreu, pelas complicações da hepatite C.

Se nós não agirmos, veremos um aumento trágico nas doença do fígado, na demanda para transplantes de fígado e no índice de mortalidade pela Hepatite C. Eu acredito que nós temos os próximos 5 anos para identificar e tratar uma parte significante da população infectada, e com isto salvar milhares de vidas.

Atualmente a maior dificuldade enfrentada pela população é a realização do teste de detecção. O Governo não disponibiliza o teste ANTI-HCV na rede pública e o seu custo nos laboratórios particulares é de aproximadamente R$. 100,00.

O Grupo Otimismo está preparando uma campanha nacional pela detecção dos portadores e, ante a falta de interesse do Governo, está discutindo acordos de cooperação com os laboratórios particulares para que os mesmos realizem o teste de detecção pelo preço de custo do material, inferior a R$. 40,00.

O Grupo Otimismo incentiva a formação de novos grupos de apoio no Brasil (8 já estão legalmente constituídos) e espera formar mais de 20, esperando, desta forma, ter uma maior força de pressão perante o Governo.

O relógio está andando para um problema anunciado. O governo deve despertar para isto.

Carlos Varaldo
Economista - Presidente do Grupo Otimismo de Apoio a portadores de Hepatite C e autor do livro "Convivendo com a Hepatite C".
Informações sobre a hepatite C podem ser obtidas no Site www.hepato.com ou pelo telefone (21) 9973.6832 - O Grupo Otimismo promove gratuitamente palestras educativas sobre a doença.
(autorizada a divulgação total ou parcial citando a fonte)
Volta ao índice



Hepatite C - A epidemia do novo milênio


Os epidemiologistas e Infectologistas estão prevendo que a hepatite C será a AIDS do próximo milênio, já que atualmente 200 milhões de pessoas estão contaminadas no mundo. Isto representa uma contaminação de 5 a 6 vezes maior que o numero de infetados por AIDS.

Desde os Estados Unidos, onde 2% da população está contaminada até o Egito, onde a contaminação atinge alarmantes 15%, os esforços dos países desenvolvidos são enormes em função da periculosidade da doença e do seu alto custo de tratamento.

A hepatite C causa cirrose ou câncer no fígado em 25% dos infetados. Não existe vacina ou medicamentos que curem a doença. Os tratamentos atuais somente controlam o virus em somente 30% dos contaminados.

As formas de transmissão ainda não são totalmente conhecidas, sendo que 50 % das contaminações aconteceram em pessoas que alguma vez receberam sangue ou derivados ou pertencem a grupos considerados de risco para a doença como: hemofílicos, drogados, ou pessoas com tatuagens ou piercings.

Em mais de 30% dos casos a contaminação permanece uma incógnita. Especula-se que possa ser no tratamento dentário, na manicure ou pedicure. Sexualmente a contaminação é muito pequena, menor de 5%.

A única certeza é que a contaminação acontece no contato sangüíneo, não estando presente na saliva, lágrimas, esperma ou fluídos vaginais. Porém, existem teorias não confirmadas, que algum tipo de animal possa transmitir o vírus, já que o mesmo pertence a mesma família dos vírus da Febre Amarela e da Dengue.

O único tratamento disponível é a combinação de 2 drogas, o Interferon e a Ribavirina. Consegue-se controlar o vírus em somente 45% dos tratados. Assim, descartando-se aqueles que não podem fazer esta terapia, representa que somente 30% dos infetados tem algum benefício no tratamento, não conseguindo a cura total, porém controlando vírus. O tratamento é longo, de 6 a 12 meses, de altíssimo preço, aproximadamente R$. 30.000,00 usando-se o interferon convencional ou ultrapassando os R$. 50.000,00 se for necessário o Interferon peguilado, tendo ainda fortes efeitos colaterais no paciente.

A evolução da doença geralmente é lenta e silenciosa. Em um período médio de 2 ou 3 décadas, 25% dos contaminados virão a desenvolver cirrose ou câncer no fígado, tempo que pode ser acelerado pela ingestão de bebidas alcóolicas. Como a contaminação por transfusões de sangue aconteceram em grande escala nas décadas de 70 e 80, começam a surgir agora inúmeros casos de falência hepática.

Existe, ainda, o perigo de ser uma doença geralmente assintomática, passando desapercebida tanto pelo portador, como também para a maioria dos médicos. Quando aparecem sintomas, os mesmos já indicam um dano hepático avançado. A hepatite C é, hoje em dia, a doença de maior indicação para transplante de fígado no mundo, não representando isto a cura e sim uma sobrevida para o paciente terminal.

O vírus foi descoberto recentemente, em 1989, e testes precisos estão disponíveis desde 1993, porém não foi verificada uma diminuição dos casos a partir desta data, o que causa alarme aos especialistas.

No Brasil, as estatísticas oficiais obtidas em bancos de sangue, indicam 2% de contaminação (3,3 milhões de brasileiros), porém se considerarmos que somente doa sangue àquele que acha estar totalmente sadio, interpreta-se que o índice de contaminação é superior a este, situando-se entre 2 a 5 % da população.

É de vital importância que sejam tomadas medidas urgentes nos seguintes pontos:

Divulgação da doença, tal qual foi feito com a AIDS anos atrás.

Detecção imediata dos portadores. Se o tratamento é impossível para todos, os mesmos deverão tomar conhecimento, para, assim, tomar os cuidados necessários e evitar um dano hepático acelerado e novas contaminações.

Divulgação na classe médica. Por ser uma doença nova a maioria dos médicos ou desconhece a doença ou não sabe diagnosticá-la nos pacientes. Existem ainda muitos poucos profissionais especializados.

Carlos Varaldo
Economista - Presidente do Grupo Otimismo de Apoio a portadores de Hepatite C e autor do livro "Convivendo com a Hepatite C"
Informações sobre a hepatite C podem ser obtidas no Site www.hepato.com ou pelo telefone (21) 9973.6832 - O Grupo Otimismo promove gratuitamente palestras educativas sobre a doença.
(autorizada a divulgação total ou parcial citando a fonte)
Volta ao índice




Hepatite C - ALERTA - Manicuras

Um traço cultural típico no Brasil pode ser um fator importante de contaminação da hepatite C, doença que já contaminou de 4 a 8 milhões de brasileiros.

O costume de fazer as unhas das mãos e dos pés com a comodidade da profissional que vai de casa em casa pode ser um importante meio de disseminação da doença.

É normal que este profissional carregue seus próprios aparelhos de trabalho e que, pela sua rotina, utilize os mesmos para cada cliente, não tendo condições de fazer uma completa esterilização entre um cliente e outro. Impossibilitada de carregar um esterilizador, vale-se, no máximo, de uma panela para ferver os instrumentos ou do uso de álcool para limpeza, métodos que não eliminam por completo o vírus da hepatite C.

Contrariamente ao vírus da AIDS, que morre em 15 minutos, o vírus da hepatite C é altamente resistente, podendo sobreviver até por três dias na superfície de um instrumento que tenha tido contato com sangue contaminado. Se por acidente este mesmo instrumento ao ser usado em outra pessoa provocar um ferimento, existe a possibilidade de contaminação.

No trabalho da manicura, a retirada da cutícula, quando produz um ferimento, ocorrência freqüente, popularmente chamada de tirar um bife, provoca pequenos sangramentos que podem contaminar os instrumentos e disseminar a doença.

Torna-se muito importante conscientizar as pessoas sobre a necessidade de que cada pessoa, como se faz com a escova de dente, possua seu próprio equipamento de manicura, solicitando à profissional que o utilize. Este equipamento não deve ser compartilhado nem mesmo com os membros da família. Esse procedimento também é recomendado para quem faz as unhas no salão. O aparecimento de novas doenças, como a hepatite C, nos obriga a reeducar nossos hábitos neste sentido.

A hepatite C é considerada pela Organização Mundial da Saúde como a maior epidemia da historia da humanidade atingindo, no mundo, mais de 200 milhões de pessoas.

Chamada de a "Epidemia do Novo Milênio", a hepatite C, descoberta há somente 10 anos, já contamina no Brasil, segundo dados oficiais, 3,3 milhões de pessoas. Segundo estimativas dos a OMS, este número pode chegar a 8 milhões de brasileiros. Isso significa, no mínimo, que, de cada 30 pessoas, uma está contaminada com a hepatite C. O terrível e perigoso disto é que a maioria ainda não sabe que está doente.

É uma doença traiçoeira, porque é silenciosa e em 90% dos casos não apresenta nenhum sintoma, avançando lentamente, sendo que, em aproximadamente duas décadas, 25% dos contaminados desenvolverá cirrose hepática, uma das piores complicações do ser humano.

A maioria dos atuais contaminados são pessoas que durante as décadas de 70 e 80 sofreram intervenções cirúrgicas e receberam transfusões de sangue ou hemoderivados. Este fator de contaminação hoje é quase inexistente, em função dos testes realizados nos bancos de sangue.

Não existem vacinas para a hepatite C. O tratamento disponível é a combinação de dois medicamentos que, além de muito caros, em média R$ 30.000,00 para 12 meses de tratamento, e de implicar sérios efeitos colaterais, não apresenta nenhum resultado em mais de 55% dos tratados.

O melhor medicamento atual é a divulgação da doença e a educação dos médicos, os quais, em sua maioria, ainda não tomou conhecimento da hepatite C, comparando-a erroneamente às tradicionais hepatites A ou B, com a qual não tem nada em comum. Também é muito importante a informação da população e a detecção dos portadores. Porém, estranhamente, o governo prefere não falar no assunto.

Grupos de apoio formados por portadores estão se reunindo no Brasil, para poder realizar um trabalho de divulgação e conscientização similar ao que foi feito com a AIDS nos anos 80, obrigando o governo a tomar as medidas necessárias para enfrentar esse grave problema de saúde pública.

Ante a falta de interesse do governo, faça você mesmo a sua parte, tomando cuidados para evitar a disseminação da hepatite C.

Se necessitar de maiores informações, não hesite em perguntar a seu médico, em procurar um posto de saúde ou um grupo de apoio na sua cidade.

O Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite C é uma organização não-governamental formada por voluntários e fornece informações completas sobre a doença na Internet, no endereço www.hepato.com e realiza reuniões gratuitas, para portadores e familiares. Outros grupos estão sendo formados nas grandes cidades.

Carlos Varaldo
Economista - Presidente do Grupo Otimismo de Apoio a portadores de Hepatite C e autor do livro "Convivendo com a Hepatite C"
Informações sobre a hepatite C podem ser obtidas no Site www.hepato.com ou pelo telefone (21) 9973.6832 - O Grupo Otimismo promove gratuitamente palestras educativas sobre a doença.
(autorizada a divulgação total ou parcial citando a fonte)
Volta ao índice




A hepatite C – Cuidados no consultório dentário

  

A hepatite C é uma epidemia que já contaminou 10 vezes mais brasileiros que a AIDS. Estes dados, alarmantes, são da Organização Mundial da Saúde – OMS, a qual estima que entre 2,5 e 4,9% da população brasileira esteja infectada, o que representa de 4 a 8 milhões de brasileiros doentes sem ter conhecimento da sua condição.   No Rio de Janeiro, o número é assustador, estimando-se que até 5% da população carioca podem ter o vírus da hepatite C sem saber. 

No mundo 3% da população, 200 milhões, estão infectados, sendo esta a maior epidemia da história da humanidade. Nas próximas duas décadas, se não aparecerem novas drogas realmente efetivas, 25% destes contaminados desenvolverão cirroses ou câncer hepático. 

A hepatite C, geralmente, não apresenta nenhum sintoma físico. Quando os sintomas aparecem, já existe um elevado dano hepático, o que pode ser irreversível. 

É importante detectar os infectados da forma mais precoce possível, antes que os mesmos evoluam para a cirrose. A melhor forma de prevenir o aparecimento de danos hepáticos irreversíveis seria testando os seguintes grupos de prevalência, entre os quais: pessoas que receberam uma transfusão de sangue ou de hemoderivados ou um transplante de órgão, principalmente se isto aconteceu antes de 1992; pessoas que se injetaram ou aspiraram drogas, incluindo as que o fizeram só uma vez em qualquer época da sua vida; pacientes que fazem ou fizeram hemodiálise; pessoas que têm sinais ou sintomas da doença, por exemplo, enzimas TGO e TGP (chamadas de transaminases) acima do normal; familiares de portadores de hepatite C; hemofílicos; trabalhadores de áreas que possam ter contato eventual com sangue, como enfermeiras, médicos e paramédicos, dentistas, laboratoristas, etc.; pessoas com tatuagens ou piercings; pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou comportamentos sexuais de risco. 

(A contaminação por transfusão sanguínea está praticamente controlada desde 1992, quando os testes de detecção se tornaram obrigatórios. É importante ressaltar, que não existe forma de se determinar como aconteceu a infecção nem a época do contagio) 

É possível encontrar nos grupos citados um grande percentual de contaminados, porém há outras formas de contaminação. Quem nunca tomou uma vacina com aquela velha pistola?  Quem nunca teve aplicada uma injeção quando ainda se fervia a seringa?  Quem nunca fez as unhas com manicuras e pedicuros? . Você sabia que o vírus permanece por 3 dias num instrumento contaminado? 

Esta resistência do vírus ao tempo e aos agentes de esterilização torna a hepatite C de difícil controle, nos obrigando a aprender novas técnicas de prevenção, algumas vezes modificando nosso hábitos culturais ou profissionais. 

As formas de contaminação variam conforme o país e suas práticas culturais.  Algumas regiões do norte da Europa recomendam não compartilhar a escova de dente.  Na África é costume do homem negro fazer a barba no salão, onde podemos imaginar as condições de higiene para esterilizar a navalha.    No Brasil o costume das manicuras indo de casa em casa, cortando a cutícula (tirar o bife), são, fora o uso de drogas injetáveis ou aspiradas, os prováveis principais focos de contaminação.  

Porém, o que acontece no consultório dentário? Há possibilidades de contaminação tanto do profissional como do paciente? 

Evidentemente que existe e provavelmente, neste momento, o menos protegido no seu consultório seja o paciente. 

Tempos atrás, ao tomar um táxi, o motorista me falou que estava com uma dúvida.  Contou que estava voltando da dentista e que a profissional teve o cuidado de colocar máscara e luvas descartáveis, porém, dentro de seu raciocínio, ele observou que, a cada momento, a dentista tirava a mão da sua boca para redirecionar o foco de luz.  Perguntou então:  aquela “asa” não teria saliva ou sangue do paciente anterior? 

Analisando a questão, aprendi que o controle da contaminação dentro do consultório dentário tem dois pontos de vista.  O primeiro é evitar a contaminação do profissional, e para isto, as luvas, a máscara e os cuidados para evitar acidentes com material cortante-perfurantes, são uma boa medida e estão muito bem implementados no Brasil.

Mas em relação aos cuidados com os pacientes ainda falta um longo caminho a percorrer.  Vejamos, pelo ponto de vista do paciente, se você é cuidadoso o suficiente para evitar transmitir doenças durante a consulta.  Marque um X respondendo os itens a seguir quando algum dos seguintes procedimentos não é realizado:

 

O -  Na primeira consulta, durante o preenchimento da ficha, você pergunta ao paciente quais são as doenças infecto-contagiosas que ele possa ter? 

O – Você esteriliza o corpo da turbina, do micro-motor ou da seringa de ar a cada paciente? 

O – Você usa algum protetor descartável na “asa” do foco de luz?

 

Poderíamos fazer muitas perguntas, mas vamos parar por aqui, pois partimos do principio que todas as brocas e instrumentos são corretamente esterilizados no seu consultório. 

Se em algum dos itens acima você marcou um X, não se sinta culpado.  A hepatite C é uma doença recentemente descoberta e a maioria dos profissionais ainda desconhece a mesma.  Tente atualizar seus conhecimentos sobre prevenção e transmissão de doenças no consultório. 

Falta divulgação em geral e o principal culpado é o governo que, a duras penas, estamos conseguindo mobilizar.  Fica óbvio que é necessário partir para uma ampla campanha de detecção e divulgação da doença em todas as esferas de governo.  A informação e a prevenção são os melhores medicamentos disponíveis. 

O Conselho Regional de Odontologia e a sociedade civil já se encontram engajados na divulgação para prevenir a contaminação da hepatite C, falta, agora, o governo entrar nesta luta. 

A hepatite C pode ser silenciosa, porém os governantes não podem ser surdos, a tal ponto de ignorar o problema.

 

Carlos Varaldo

Economista - Presidente do Grupo Otimismo de Apoio a portadores de Hepatite C e autor do livro “Convivendo com a Hepatite C” 

Informações sobre a hepatite C podem ser obtidas no Site www.hepato.com ou pelo telefone (21) 9973.6832 - O Grupo Otimismo promove gratuitamente palestras educativas sobre a doença.

(autorizada a divulgação total ou parcial citando a fonte)
Volta ao índice






Hepatite C – Você pode estar contaminado sem saber

 

No se engane.  A hepatite C já e uma epidemia mundial, porém o pior ainda esta por chegar.

Em alguns Países uma em cada cinco pessoas estão contaminadas. Nos Estados Unidos o Governo estima que em poucos anos as mortes por hepatite C superaram as mortes pela AIDS.

Ataca indistintamente, pobres e ricos independente da cor da pele ou do País onde resida. A Organização Mundial da Saúde – OMS, estima que mais de 200 milhões de pessoas estão contaminadas em todo o mundo, dos quais até 8 milhões no Brasil.  E a maior epidemia da historia da humanidade.

 O contagio se da principalmente pelo contato de sangue com sangue.   Qualquer pessoa que tenha recebido uma transfusão, principalmente se aconteceu antes de 1992, poderá estar infectado.

E um vírus traiçoeiro porque geralmente e uma doença assintomática, podendo, nas primeiras semanas parecer uma simples gripe que logo passa e depois, durante anos, talvez mais de vinte, atua silenciosamente, quando de repente você descobre que esta com cirrose avançada, ou pior, com um câncer no fígado. 

Não existe vacina para a hepatite C.

Para o tratamento somente há uma combinação possível de medicamentos, porém só beneficia um em cada 3 contaminados, pois muitos não podem fazer uso de devido a seus efeitos colaterais..

Se você  descobre precocemente que está contaminado poderá realizar um tratamento a base da combinação de Interferon e Ribavirina.  Estas drogas conseguem negativar o vírus em 45% dos tratados, porem não todos poderão ser tratados, pois os efeitos colaterais em algumas pessoas são tão potentes que o tratamento não pode ser realizado.

Neste momento milhares de estudos pesquisando novos medicamentos estão sendo desenvolvidos, porem o grande problema e que o vírus HCV e um alvo trapaceiro 

Qual é a melhor recomendação para as pessoas que alguma vez,

- receberam transfusão de sangue ou de hemoderivados ou transplante de órgão, principalmente se isso aconteceu antes  de 1992.

- se injetaram ou aspiraram drogas, incluindo os que o fizeram uma única vez, em qualquer época da sua vida.

- fazem ou fizeram hemodiálises.

- detectaram sinais ou sintomas da doença, por exemplo, enzimas TGO e TGP acima do normal.

- conviveram na família com portadores de hepatite C.

- trabalharam nas áreas que possam ter contato eventual com sangue, como enfermeiras, médicos e para-médicos, dentistas, laboratoristas etc.

- fizeram alguma tatuagem ou aplicaram piercings no seu corpo.

- mantiveram comportamentos sexuais de risco. 

Se você esta em algum dos grupos acima, simplesmente, faça quanto antes um exame de sangue chamado ANTI-HCV. 

Atualmente o risco de contaminação e muito difícil de acontecer, pois a hepatite C não e transmitida por beijos, abraços, saliva, tosse, utensílios de comida como pratos ou copos. A contaminação sexual é difícil, é, surpreendentemente o principal fator de contaminação atual pode acontecer na manicure, quando retira a cutícula de seus pés e mãos.  Cuidado ¡.  Tenha seus próprios instrumentos e não os compartilhe com ninguém.  O vírus e muito resistente e pode sobreviver por até 3 dias em um instrumento com sangue.

A hepatite C e uma muito perigosa se não for descoberta precocemente.  Consulte seu médico e solicite a realização de um exame de detecção.
Carlos Varaldo
Economista - Presidente do Grupo Otimismo de Apoio a portadores de Hepatite C e autor do livro "Convivendo com a Hepatite C"
Informações sobre a hepatite C podem ser obtidas no Site www.hepato.com ou pelo telefone (21) 9973.6832 - O Grupo Otimismo promove gratuitamente palestras educativas sobre a doença.
(autorizada a divulgação total ou parcial citando a fonte)
Volta ao índice





O desespero e a angustia ao descobrir que você esta contaminado com a hepatite C


Quando uma pessoa descobre que é portador do vírus da hepatite C geralmente fica desesperado. Realmente, o fato de ficar sabendo que você é portador de uma doença grave e crônica não é a noticia que se estava esperando receber, porém mantenha a calma. O fato de ter sido diagnosticado como portador da hepatite C não é uma sentença de morte.

Não fique desesperado, pois no fundo você é uma pessoa de sorte, agora você já está sabendo que é portador de um vírus traiçoeiro e silencioso, que ataca o fígado sem causar sintomas.

O grande perigo é não ficar sabendo que você esta contaminado como a maioria dos mais de 4 milhões de brasileiros portadores da doença.

Se você olhar, na rua, no seu trabalho, no seu grupo de amigos ou familiares, pode ter certeza que um em cada trinta destas pessoas está com hepatite C e desgraçadamente não tomarão nenhum cuidado ou realizarão qualquer tratamento, pois ignoram que estão doentes.

Isto não serve como consolo assim como também não é para ficar contente, porém você teve a graça de ser diagnosticado e poderá tomar as devidas providências e cuidados.

Vejamos porque na minha opinião você é um sujeito de sorte:

1- De cada 100 pessoas que são contaminadas, 15 eliminam o vírus espontaneamente e 85 desenvolvem a doença crônica, o qual, lamentavelmente, é o seu caso.

2- De todos estes doentes crônicos, aproximadamente 1 em cada 4 ou 5, isto é de 20 à 25% irão ter complicações maiores, como uma cirroses e um 5% do total poderão desenvolver câncer no fígado.

3- Quase todos os portadores são totalmente assintomáticos, isto é, não terão nenhum sintoma durante os primeiro anos. Os primeiros sintomas aparecem em media 13 anos após o contágio.

Então, voltando a seu caso, se você ficou sabendo assim de forma espontânea, geralmente ao doar sangue, fique contente, pois poderá iniciar uma série de cuidados e tratamentos para negativar o vírus ou pelo menos deter ou diminuir o avanço acelerado do dano hepático.

O importante neste momento da sua doença é você ficar, dentro das estatísticas matemáticas, naquele 75% que passará o resto da sua vida sem nenhuma complicação importante no fígado e morrera de velhice ou de qualquer outra causa deixando dentro do grupo dos 25% que terão complicações hepáticas aqueles que ainda não descobriram que estão contaminados. Parece uma piada de humor negro, porém esta é a mais nua e crua realidade.

Para isto acontecer não é suficiente conhecer matemática para alterar a estatística e sim será necessário que você siga rigorosamente os seguintes passos:

1- Procure um especialista em hepatite C. Eles ainda são muito poucos porém é extremamente necessário, pois mais de 90% dos médicos desconhece a doença o seu diagnóstico e seu tratamento. Informe-se nos Hospitais Universitários ou nas Sociedades de Hepatologia da sua cidade.

2- Após o resultado inicial do teste ANTI-HCV que deu positivo será necessário fazer a confirmação do mesmo mediante um teste chamado ELISA e posteriormente por um teste, lamentavelmente muito caro, chamado PCR-RNA do VIRUS C.

3- Se a doença for confirmada o médico vai determinar qual e o melhor tratamento para você.

4- Procure um Grupo de Apoio a portadores de hepatite C e compareça às suas reuniões. No Grupo você e a sua família irão conhecer como conviver com a hepatite C, os cuidados comportamentais que deverá ter, as dietas e exercícios recomendados, os tratamentos alternativos, conhecerá outros portadores, trocará depoimentos, experiências e, ainda, poderá tirar dúvidas fazendo perguntas aos médicos especializados que dão suporte aos Grupos.

5- Pare imediatamente com o consumo de álcool. Não beba socialmente e esqueça para sempre aquele chopinho de fim de semana. O álcool e potencialmente perigoso para a hepatite C.

6- Continue com sua rotina normal de trabalho e a sua vida social, diminuindo só as atividades muito enérgicas ou estressantes.

7- Lembre que o doente e você e não a sua família, ela também esta sofrendo com a sua doença e isto e normal ao se descobrir uma doença crônica, porém a vida deles continua normal, sem regimes ou restrições.

Enfim, seguindo estes conselhos básicos, mantendo um permanente controle médico e conhecendo a sua doença você ainda terá uma vida plena por muitos e muitos anos.

O fígado e um órgão vital, trabalha 24 horas por dia e nunca reclama ou da sinais de dor.

Quando emite algum sintoma e porque ele está com algum problema e necessita de auxilio.

Cuide de seu fígado para ele puder cuidar de você.

Carlos Varaldo
Economista - Presidente do Grupo Otimismo de Apoio a portadores de Hepatite C e autor do livro "Convivendo com a Hepatite C"
Informações sobre a hepatite C podem ser obtidas no Site www.hepato.com ou pelo telefone (21) 9973.6832 - O Grupo Otimismo promove gratuitamente palestras educativas sobre a doença.
(autorizada a divulgação total ou parcial citando a fonte)
Volta ao índice





Hepatite C - Saiba o que é


A hepatite C é uma doença recentemente descoberta, que já atinge milhões de pessoas. Por isso, é muito importante que você saiba algumas coisas sobre o assunto, já que alguém na sua família ou mesmo você pode estar contaminado sem saber.

A hepatite C é uma doença perigosa, porque ela ataca lenta e silenciosamente, na maioria dos casos, sem apresentar nenhum sintoma. No entanto 25% dos contaminados virão a ter graves problemas de saúde, desenvolvendo cirrose hepática.

Não existe vacina para a hepatite C ou medicamentos totalmente efetivos. Por isto é necessário que você descubra o mais cedo possível se está contaminado.

Por ser uma doença recentemente descoberta, a Hepatite C ainda é estigmatizada, principalmente, porque a maioria da população a compara com as Hepatites A e B, com as quais não tem nada em comum, principalmente quanto à forma de contágio.

Se necessitar de maiores informações não hesite em perguntar a seu médico, em procurar um posto de saúde ou um grupo de apoio na sua cidade. Informações também podem ser obtidas na Internet, no endereço www.hepato.com

Quem deveria fazer o teste para hepatite C?


Marque um X no quadrinho à esquerda desta lista, se você se identifica com algum grupo:

O - Todas as pessoas que receberam uma transfusão de sangue ou de hemoderivados ou um transplante de órgão, principalmente se isso aconteceu antes de 1992.

O - Pessoas que se injetaram ou aspiraram drogas, incluindo os que o fizeram só uma vez em qualquer época da vida.

O - Pacientes que fazem ou fizeram hemodiálises.

O - Pessoas que têm sinais ou sintomas da doença, por exemplo, enzimas TGO e TGP acima do normal.

O - Familiares de portadores de hepatite C.

O - Hemofílicos.

O - Trabalhadores das áreas em que seja possível o contato eventual com sangue, como enfermeiras, médicos e paramédicos, dentistas, laboratoristas etc.

O - Pessoas com tatuagens ou piercings.

O - Pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou comportamentos sexuais de risco.

Se você marcou um ou mais dos pontos acima, faça o teste para detecção da hepatite C o quanto antes. O teste chamado ANTI-HCV é muito simples.


Onde fazer o teste ANTI-HCV?


Se você estiver enquadrado em algum dos itens acima e precisa fazer o teste para detecção da hepatite C, inicialmente procure um médico, um posto de saúde ou atendimento em um hospital.

O teste será realizado gratuitamente na rede pública pelo SUS. Também pode ser feito em laboratórios particulares mediante requisição a seu plano de saúde ou a um custo que varia entre 50,00 e 100,00 reais, dependendo do laboratório.

Se você suspeita que está contaminado com qualquer doença infecciosa não procure um Hemocentro para fazer uma doação de sangue. A doação de sangue não é um exame de saúde. Seja honesto ao responder a entrevista previa. Mentir, com o simples propósito de conseguir os exames pode contaminar muitas outras pessoas que receberam o seu sangue e derivados. Em todas as doenças existe a chamada janela imunológica, quando nenhum teste detecta a doença, porem este sangue contamina a quem o receber.

Como evitar o contágio da Hepatite C?


Contagiar-se com a hepatite C é muito difícil, pois ela somente se transmite com o contato com sangue contaminado.

A Hepatite C não é transmitida por beijos, abraços, suor, espirros, tosse, comidas, água, contato casual, amamentação ou por compartilhar copos, garfos, facas ou pratos.

O contagio sexual é muito difícil e somente acontece se os parceiros tiverem algum pequeno ferimento ou no caso de sexo violento. Por precaução use sempre a camisinha.

Tenha cuidado na manicura e pedicuro, pois nesses lugares pode ocorrer a contaminação. Exija a esterilização total dos instrumentos antes de ser atendido ou de preferência tenha seus próprios. O vírus se mantém ativo até por 3 dias nos instrumentos contaminados.

Exija de seu dentista o uso de mascara facial, luvas e protetores da base da turbina, do micro-motor, da seringa de ar e da "asa" do foco de luz, descartáveis e trocados na sua frente.

Não existe vacina para se proteger da hepatite C. A melhor vacina é a prevenção e os cuidados gerais.

Outras hepatites


O termo hepatite é usado para indicar um processo inflamatório no fígado, o qual pode ter muitas causas diferentes. As hepatites podem ser originadas por vírus, bactérias, alimentos, medicamentos, tóxicos, vapores e outra causas.

As hepatites causadas por vírus geralmente são chamadas por uma letra. As mais conhecidas são: A (antigamente chamada de hepatite infecciosa, facilmente transmitida em alimentos e fezes), B (hepatite do soro, transmitida pelo sangue e sexualmente), C (antigamente chamava-se de não-A-não-B, somente transmitida pelo sangue), D (hepatite delta, acontece junto com a hepatite B), E (transmitida pelas fezes de uma pessoa infectada) G (um vírus transmitido por produtos de sangue infectados) ou a Hepatite Criptogênica (ou Não-A,B,C,D,E,G). Outros vírus de hepatite estão sendo descobertos, mas são menos comuns. Vírus como o da febre amarela, vírus de Epstein-Barre, cytomegalovírus, o herpes, como também parasitas e bactérias, podem causar hepatite como um efeito secundário.

Outros tipos de hepatite não viróticas são: a auto-imune, a doença de Wilson, hemocromatose, causadas por drogas ou substâncias químicas e a hepatite alcoólica.

CONVIVENDO COM A HEPATITE C


Este livro é um importante manual de esclarecimentos para todos os que se interessam pela hepatite C. Tem como objetivo servir de guia para o portador, familiares, amigos e auxiliares de medicina.

O autor, Carlos Varaldo é fundador e presidente do Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite C, explicando de forma simples, com poucos termos médicos, as informações sobre a doença e a melhor forma de conviver com ela, reunindo experiências e informações sobre os controles e os tratamentos disponíveis.O livro, com 268 páginas, encontra-se a venda nas principais livrarias. Também pode ser adquirido pela Internet, no endereço www.hepato.com

Informações sobre a hepatite C podem ser obtidas no Site www.hepato.com , pelo e-mail hepato@hepato.com, ou pelo telefone (21) 9973.6832 - O Grupo Otimismo promove gratuitamente palestras educativas sobre a doença.

Carlos Varaldo
Economista - Presidente do Grupo Otimismo de Apoio a portadores de Hepatite C e autor do livro "Convivendo com a Hepatite C"
Informações sobre a hepatite C podem ser obtidas no Site www.hepato.com ou pelo telefone (21) 9973.6832 - O Grupo Otimismo promove gratuitamente palestras educativas sobre a doença.
(autorizada a divulgação total ou parcial citando a fonte)
Volta ao índice






Hepatite C - Podemos evitar uma catástrofe?


No último dia 5 de fevereiro, o Ministro da Saúde José Serra assinou duas importantes portarias de números 262 e 263, nas quais,o governo, reconhece pela primeira vez que estamos à beira de uma catástrofe anunciada, ocasionada pelo elevado número de contaminados com a hepatite C.

É altamente louvável a atitude do Dr. Serra, que decidiu, antes de deixar o Ministério, mostrar este problema sempre censurado ao povo brasileiro. Já era hora de enfrentar o problema e abrir a discussão, tentando se encontrar soluções que possam enfrentar o grave problema.

Das atitudes tomadas uma delas é direta e imediata. Ao obrigar a realização de testes mais modernos na coleta de sangue, alocando 40 milhões de dólares anuais, passaremos a ter um dos sangues mais seguros do mundo. Isto evita quase que totalmente, as possibilidades de contaminação da AIDS e da hepatite C, ao se receber uma transfusão ou um hemoderivado. Poucos países do mundo se encontram em estagio tão adiantado de controle do sangue.

Por outra portaria foi instituído o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Hepatites Virais. Coisa de primeiro mundo, porém de difícil execução devido ao sucateamento de muitos sistemas de saúde estaduais e municipais.

O próprio Ministro está ciente do desafio monumental a ser enfrentado. Para podermos iniciar o trabalho nos deparamos com o velho problema de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?. Por onde começar? Sair fazendo campanhas de detecção dos possíveis portadores, para evitar que estes continuem evoluindo para um dano hepático irreversível é uma coisa impossível, pois se detectados, quem poderá tratar deles, já que não temos médicos capacitados.

Então é necessário preparar estes médicos, porém onde serão alocados uma vez treinados, em que hospitais? Que laboratórios estarão equipados para fazer complicados testes? O programa estabelece níveis diferentes de atendimento, mas onde teremos os recursos para que municípios e estados se aparelhem.

Estamos diante um quadro, no qual podemos falar em que mais de 90% dos médicos não sabem o que é a hepatite C. Não por culpa deles, pois a hepatite C é uma doença recentemente descoberta e estes médicos se formaram antes da descoberta.

Vamos ter que começar do zero absoluto. Primeiro informando a classe médica e a população o que é a hepatite C, em que se diferencia das hepatites A e B, principalmente, quanto a sua forma de contágio, seus sintomas e sua forma evolutiva. Paralelamente é necessário capacitar os profissionais que atenderão os pacientes e preparar centros de referência para tratamento dos infectados, conforme a portaria 263 determina.

E quantos infectados temos no Brasil? O Ministério da Saúde, desde 1999 aceita que temos um índice de infecção similar ao encontrado nos Estados Unidos, que possui entre 1,8 e 2% da população infectada, assim, sempre foi aceito que 3,3 milhões de brasileiros podem estar contaminados. Porém a Organização Mundial da Saúde – OMS estima um número superior e no seu mapa epidemiológico informa que o Brasil deve ter entre 2,5 e 4,9% da sua população infectada, o que dá números terríveis, já que entre 4 e 8 milhões poderiam estar infectados, 10 vezes mais que com a AIDS.

Não existem números confiáveis, porque nunca foi feito um estudo epidemiológico em grande escala. Os únicos dados existentes se referem à incidência nos bancos de sangue, mas este número é sempre subestimado em relação à população em geral, já que somente doa sangue o individuo que se acha perfeitamente sadio. A situação é dramática. A população ainda não está ciente da gravidade do problema e se alertada de forma incorreta pode correr para o sistema de saúde, o qual não poderá, sequer, detectar os prováveis infectados.

O Ministro, no ato de assinatura da Portaria, quando perguntado por um jornalista sobre o número de infectados no Brasil olhou na minha direção e falou que todo mundo “chuta”, inclusive o governo, e que ele prefere considerar que deveremos ter entre 1 e 2 milhões de infectados, partindo desta base para instituir o programa de hepatites. Concordo plenamente com o ministro, pois os números são tão díspares que nem sequer uma média poderíamos considerar.

Seja qual for o número, ele sempre é monumental, no mínimo 3 vezes superior ao de infectados pela AIDS, pelo “chute” do ministro ou de 10 vezes pelo “chute” da OMS. O problema existe e pela primeira vez ele vem ao conhecimento do povo brasileiro. Agora temos que encontrar, de forma urgente, o caminho para encarar este novo desafio de saúde pública.

Falamos em desafio de saúde publica porque o tratamento é de altíssimo custo e a maioria da população não tem condições de pagar por este tratamento. O tratamento convencional, de 12 meses, pode chegar aos 30 mil reais se feito de forma particular, e, se for necessário, utilizar o novo interferon peguilado, já disponível no Brasil para portadores endinheirados, o custo chega aos 50 mil reais.

Aqui é que prevemos a catástrofe do sistema público de saúde no Brasil. Temos recursos para tratar milhões de contaminados com um tratamento de alto custo? Evidentemente não. É necessário começar a trabalhar politicamente para encontrar estes recursos iniciando um trabalho paulatino e consciente. A sociedade deve se organizar como o fez com a AIDS e exigir uma solução, colaborando para tal.

Entretanto, o governo não deve esperar por esta pressão e já, imediatamente, deve tomar as ações iniciais. Esperamos nos próximos meses ver na mídia campanhas informativas, dando início ao treinamento de médicos, e, que o aparelhamento dos centros de referência se torne uma realidade, independentes das verbas orçamentárias.

Um trabalho sério neste sentido nos colocará, novamente, como exemplo mundial, assim como aconteceu com a AIDS.

Carlos Varaldo
Economista - Presidente do Grupo Otimismo de Apoio a portadores de Hepatite C e autor do livro “Convivendo com a Hepatite C”
Informações sobre a hepatite C podem ser obtidas no Site www.hepato.com ou pelo telefone (21) 9973.6832 - O Grupo Otimismo promove gratuitamente palestras educativas sobre a doença.

Volta ao índice






Hepatite e preconceito


Carlos Varaldo

A atriz Pamela Anderson declarou haver contraído hepatite C ao compartilhar uma agulha de tatuagem com o marido. A declaração é corajosa, pois revelar que alguém está contaminado com o vírus da hepatite C poderia trazer-lhe sérias conseqüências profissionais. Também nos Estados Unidos, a cantora de musica country Naomi Judd não somente foi a primeira pessoa famosa a declarar estar contaminada como é uma das principais ativistas na luta contra a doença, que já atinge 4 milhões de norte-americanos. Mas isso acontece nos Estados Unidos, onde o preconceito é menor e a informação é maior. A situação no Brasil, onde existe um número similar de contaminados, é bem diferente. Na minha luta contra a hepatite C tenho documentado depoimentos de pessoas que acabaram se divorciando, de outras que perderam amigos ou o emprego, de casos de médicos e dentistas que expulsaram o paciente. Isso evidentemente não é a regra geral, mas há pessoas que acham possível a transmissão de hepatite num simples aperto de mãos. O maior doente não é o contaminado, e sim aquele que sofre dos males da desinformação.

A hepatite C geralmente é uma doença sem sintomas. A maioria dos contaminados ainda nem sabe que está doente. Não fique apavorado, mas se alguma vez você recebeu uma transfusão de sangue, injetou-se ou aspirou drogas, sente cansaço permanente, usa tatuagens ou piercings, tem, na sua profissão, contato eventual com sangue (caso de enfermeiras, laboratoristas, médicos e dentistas), é muito conveniente que faça um teste de detecção da hepatite C.

Ela se diferencia das conhecidas hepatites A e B principalmente quanto à forma de contágio. O simples contato com sangue contaminado não transmite a hepatite C. É necessária uma ferida aberta ou uma perfuração na pele, para que o contágio possa realizar-se. Sexualmente a contaminação é difícil de acontecer. É baixa a contaminação entre parceiros monogâmicos. A hepatite C não é transmitida por beijos, abraços, suor, espirros, tosse, comidas, água, contato casual, amamentação ou pelo ato de compartilhar copos, garfos, facas ou pratos.

É necessário tomar cuidados com aparelhos perfuro-cortantes que tenham contato com sangue, pois o vírus pode permanecer ativo por até três dias num aparelho ou instrumento contaminado. Entre os aparelhos mais comuns, temos os usados por manicuras e pedicuros. No barbeiro, exija o uso de navalha descartável.

O homem não transmite a hepatite C a seus filhos. A mãe contaminada tem 5% de chances de ter um filho contaminado. A mãe contaminada pode amamentar, pois o leite materno não transmite a hepatite C. Se o leite materno não a transmite, qualquer outro fluido corporal muito menos.

Os que usam drogas sabem que não se compartilham agulhas ou seringas, mas a contaminação com hepatite C pode se dar também ao se compartilhar o canudo para aspirar cocaína. Um número elevado de tatuados está contaminado. Deve-se evitar tatuagem. Piercings nunca devem ser trocados com amigos, e a operação de perfuração deve ser realizada por um profissional médico.No dentista, deve-se exigir o uso de luvas descartáveis e verificar se o sugador de saliva é novo. Pergunte se tudo foi esterilizado.

Não existe vacina para proteger da hepatite C. A melhor vacina está na informação, na prevenção e nos cuidados gerais. É perfeitamente possível conviver com um portador de hepatite C. A doença não é aquele bicho de sete cabeças que andaram pintando. É uma doença séria, que deve ser detectada a tempo de poder ser tratada, antes de evoluir para um dano hepático irreparável.

Carlos Varaldo, economista, é presidente do Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite C e autor de Convivendo com a hepatite C. Informações sobre hepatite C podem ser encontradas na Internet, em www.hepato.com

Volta ao índice






Uma opção terapêutica


Para a maioria das pessoas, muitos médicos até, o transplante de órgãos é um ato heróico, uma façanha digna de desbravadores. Essa visão antiga, da época incipiente, é hoje o maior entrave na realização de transplantes.

A medicina moderna considera o transplante uma opção terapêutica igual a qualquer outra. A quem sofre de dor de cabeça será receitado um analgésico, quem tem uma infecção deverá ser medicado com antibiótico. Para um cego, uma córnea não passa de medicamento que terá o poder de recuperar a visão. Um rim retira da maquina de hemodiálises um doente renal.

Os órgãos de um individuo são uma fabrica de medicamentos. Uma doação multiórgãos pode beneficiar mais de 10 pessoas. Salva da morte quatro pessoas, que recebem o fígado, o coração, o pulmão ou o pâncreas, devolve a visão a dois cegos, retira da máquina de hemodiálises dois doentes renais e ainda pode beneficiar pessoas com transplantes de ossos ou de pele.

Preconceitos, desinformação, falta de assistência num momento de sofrimento e informações infundadas sobre trafico de órgãos criam dificuldades a milhares de pessoas que esperam por um órgão para poder continuar tocando suas vidas de forma normal.

Medidas urgentes devem ser tomadas para aumentar a captação, desde a informação a sociedade até o treinamento dos médicos sobre os procedimentos a serem seguidos e respeitados. A legislação brasileira é uma das mais avançadas em relação a transplantes.

O simples ato da doação pode ser um dos maiores reconfortos no momento da perda de um familiar. O fato de saber que a morte do ser querido não foi em vão, que muitas pessoas serão beneficiadas, é, sem duvida, um ato fraterno de grandioso alcance.

Médicos, assistentes sociais e equipes de captação de órgãos devem atuar de forma solidária e amiga no contato com a família provável doadora, compreendendo o sentimento de dor pela perda de um ser querido. Com medidas simples, como as citadas acima, o andamento da fila de espera seria rápido o suficiente para evitar que inúmeras pessoas morram por falta de doadores.

O acontecido no último Sábado de Aleluia, num hospital particular do Rio de Janeiro, quando foi necessário chamar a policia para garantir uma retirada de órgãos de um doador, foi positivo porque abriu a discussão. Passado o clamor e analisando o problema friamente, chega-se à conclusão de que todos são culpados e, ironicamente, ninguém é culpado. Tudo não passou de completa desinformação em todos os níveis de atuação.

A Central de Tranplantes do Rio de Janeiro, Rio Transplante, não tinha divulgado aos hospitais privados os procedimentos e leis existentes. Ele próprio nunca se cadastrou nos gestores plenos do SUS. Incompetência, descaso, burocracia, seja o que for, o melhor é esquecer o passado e aproveitar oportunidades como a audiência convocada pela Comissão Especial de Saúde da Assembléia Legislativa, para a realização de parcerias entre hospitais e clinicas privados, o Rio Transplante e a sociedade civil.

Acredito que o trabalho conjunto com o setor privado poderá apresentar melhores resultados imediatos, superiores aos que poderiam ser alcançados nos hospitais públicos, pois muitos daqueles estabelecimentos dispõem de equipamentos de ultima geração. No setor publico as carências são maiores, prejudicando a implementação rápida de um sistema eficiente. Algumas prefeituras, como a do Rio de Janeiro, que tem as maiores emergências e, conseqüentemente, deveria ser o maior centro de captação, ainda não demonstraram vontade de se engajar no sistema.

O momento é propicio, a governadora e o novo secretario da Saúde já se manifestaram publicamente a favor de aumentar a captação de órgãos, o Ministério da Saúde ofereceu recursos, o setor privado mostrou que quer colaborar e a sociedade civil passou a tomar parte no acompanhamento do programa Rio Transplante. Trabalhando juntos, os resultados serão evidentes em curtíssimo prazo, mostrando, que o povo do Rio de Janeiro é solidário e fraterno.

Carlos Varaldo, economista, é presidente do Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite C e autor de Convivendo com a hepatite C. Informações sobre hepatite C podem ser encontradas na Internet, em www.hepato.com

Volta ao índice






Revista Newsweek - 20/05/2002


A integra desta matéria se encontra na edição de Newsweek Internacional do dia 20 de maio de 2002 - Tradução livre do Grupo Otimismo – Brasil

A Perigosa Expansão de um Vírus Assassino


Centenas de milhões estão infetadas com o vírus. A maioria não sabe que se encontra doente


Por Anna Kuchment

Os médicos informaram a Saeed Taha que ele tem só tem algumas semanas de vida. O eletricista de 48 anos, deitado em uma cama de um hospital do Cairo, está com uma infinidade de tubos conectados a seu corpo. Uma década atrás ele foi diagnosticado com hepatite C. Desde aquele instante vive com fadiga permanente, pai de três filhos, perdeu o trabalho e acabou com a poupança para comprar o interferon, uma de duas drogas utilizadas para lutar contra o vírus. Mas não consiguiu eliminar o vírus. “Não acredito o que é dito pelos médicos sobre os medicamentos,” diz ele. “Nesta doença nada faz qualquer diferença.”

Noutra cama esta deitado Abdullah El-Shahhat, 70, que foi diagnosticado há quatro meses mas já têm as pernas e a barriga inchada, uma característica da doença mais avançada. Os dois estão entre os 15 a 25 por cento de egípcios infetados com a hepatite C, a taxa mais alta de infecção em qualquer país no mundo. Muitos contraíram isto da mesma maneira, como Taha: por uma campanha do governo, iniciada em 1961 para lutar contra a esquitososmoses. Milhões de egípcios usaram agulhas não esterilizadas ao se utilizar pistolas para inoculação em massa. Sayyeda Hassan Metwally, 54, se lembra de uma enfermeira que usou a pistola em 11 parentes e quatro vizinhos com uma única agulha. A campanha só terminou quando uma droga oral entrou no mercado em 1982. Agora o governo está trabalhando para controlar uma epidemia que ele mesmo ajudou a criar.

Esta história seria bastante até trágica se o Egito fosse um caso isolado, mas não é. A hepatite C se tornou uma epidemia global. Aproximadamente 170 milhões de pessoas, 3 por cento da população do mundo, sofrem da doença, quatro vezes mais que HIV/AIDS. A hepatite C não mata com a virulência de AIDS, mas, não obstante, também mata. Aproximadamente 15 por cento dos infetados possuem uma resposta imune para se livrar do vírus espontaneamente. Mas os restantes 85 por cento permanecem com a doença pelo resto das suas vidas, de forma crônica. Desses, um em cada cinco desenvolverão cirrose que pode conduzir a um câncer ou ao fracasso das funções do fígado. O que realmente preocupa os sistemas de saúde e o que é esperado de acontecer nos próximos 20 anos. Desde o momento da infecção, a hepatite C pode permanecer dormente na circulação sangüínea durante décadas, milhões das pessoas que já estão infetadas, mas não sabem disto, começarão a adoecer. Isso impulsionará o aumento de graves problemas hepáticos em todo o mundo, fazendo que órgãos para transplante sejam mais escassos que os disponíveis atualmente. A demanda por drogas mais eficazes e conseqüentemente mais caras para tratar a doença está aumentando rapidamente, deixando os países mais pobres, como o Egito, que possuem sistemas de saúde pública com poucos recursos financeiros, fora da possibilidade do uso destes medicamentos mais eficazes.

Os sistemas de saúde publica nem mesmo podem começar a calcular que recursos serão necessários, porque até mesmo os dados básicos sobre hepatite C são virtualmente inexistentes. Isso é, porque os cientistas identificaram a doença só 14 anos atrás. Até que foram desenvolvidos testes para identificar o vírus, a doença foi se disseminando silenciosamente durante décadas. Na Europa e nos Estados Unidos, os governos começaram a testar o sangue no inicio dos anos 90 freando a expansão do vírus desde então. Nações em desenvolvimento que respondem pela maioria de contaminados só recentemente passaram a controlar o vírus no sangue para transfusão. Só uma minoria, inclusive a Tailândia, África do Sul e Brasil, controlam efetivamente o sangue doado. Em outros, como a China e Índia, sangue e hemoderivados contaminados ainda podem estar infetando novos pacientes. Carlos Varaldo, diretor de uma organização que defende os pacientes no Rio de Janeiro, chama isto de um “uma bomba viral prestes a explodir.”

Em Egito, já explodiu . “Nós desejamos dar medicamento grátis a todos os pacientes,” diz Sa'eed Aoun, secretario para negócios preventivos do Ministério da Saúde do Egito. “Mas isto requer milhões de dólares por ano.” Já mais de 50 por cento dos gastos em saude no Egito são destinados para tratar os pacientes com doença no fígado, a maioria destes têm hepatite C. A maioria recebem vales com os quais conseguem medicamento grátis. Mas para conseguir os vales, um paciente de hepatite C, já enfraquecido pela doença, tem que ficar horas na fila do Ministério da Saúde. E o valor dos vales é pequeno, variando de mês a mês, outorgados pela persistência do paciente, amizades políticas e pelo o que o governo tem em seus cofres. Isto cria uma grande pressão nos médicos. “É muito difícil de decidir que medicamento prescrever para um paciente quando você sabe que ele não poderá adquirir o mesmo com o que o governo dispõe a cada mês,” diz o Dr. Mamdooh Diaa do Munufeyya que trabalha num hospital público, do norte do Cairo.

No Saara Africano, que tem um das taxas mais altas de infecção de hepatite C do mundo (variando de 1.3 a 6 por cento da população), a maioria dos pacientes simplesmente não foi diagnosticado. “Os doutores não estão procurando detectar a hepatite C,” diz David Heymann da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Eles estão mais preocupados com a malária.” Nos médicos africanos, há pequena motivação para testar um vírus que eles não podem tratar por falta de recursos financeiros. A situação é igualmente medonha na Rússia onde a hepatite C quadruplicou na última década, devido principalmente ao excessivo uso de drogas. “Nós já estamos considerando isto uma epidemia, e muito pouco podemos fazer para parar com ela,” diz Sergey Kolesnikov, deputado no Parlamento de Rússia que está lutando para começar um programa nacional para combater todas as formas de hepatites. O governo, ele diz, importou só uma quantia limitada de medicamentos que distribui para os que podem pagar por eles. “Nós realmente estamos curando somente o rico,” diz. Até mesmo Brasil, com um dos melhores sistemas de saúde pública do mundo em desenvolvimento, está lutando. Mais de 5 milhões de pessoas podem estar infetadas, mas só uma minoria pequena foi diagnosticada. Como cada vez mais pacientes desenvolvem os sintomas, o governo está preocupado, simplesmente pode parar de distribuir os medicamentos, que por enquanto são entregues gratuitamente.

A expansão da hepatite C é particularmente preocupante em países com uma taxa alta de HIV/AIDS. Nos Estados Unidos, afeta entre um terço e a metade dos pacientes com HIV/AIDS. Esta co-infecção pode tornar a doença potencialmente mortal. Dois recentes estudos mostraram que a co-infecção com hepatite C conduz a uma progressão mais rápida do HIV para a AIDS. O contrário também é verdade. O comprometimento do sistema imune pelo HIV, prejudica a habilidade do corpo para lutar contra o vírus da hepatite C, progredindo mais rapidamente para a falência das funções do fígado. A co-infecção também complica o tratamento. “Hepatite C parece aumentar o risco da pessoa desenvolver toxicidade aos medicamentos de HIV,” diz o Dr. Stuart Ray, perito em co-infecção da Universidade Johns Hopkins de Baltimore, Maryland.

Países desenvolvidos estão igualmente preocupados. Ironicamente, o vírus em nações ricas têm uma relativa baixa taxa de infecção na sua população. A hepatite C ganhou manchetes recentemente nos Estados Unidos porque celebridades como a atriz Pámela Anderson ou o cantor country Naomi Judd assumiram que são portadores do vírus. “Eu não posso ir para um evento social sem conhecer alguém com hepatite C,” diz o epidemiologista Miriam Alter do Centro norte-americano para Controle de Doenças e Prevenção. Até final da década, é esperado que as mortes por hepatite C tripliquem nos Estados Unidos. Na Inglaterra, estão sendo diagnosticados 5.000 novos casos a cada ano, e o governo está correndo contra o tempo. “A epidemia está crescendo mais rapidamente que o número de pacientes que estamos tratando,” diz Nigel Hughes do Centro de Estudos do Fígado Britânico. Isso não é porque a doença está se disseminando mais rapidamente, mas porque números crescentes de portadores infetados como resultado do uso de drogas nos anos 70 estão apresentando sintomas e sendo diagnosticados. O padrão é semelhante nos Estados Unidos onde o uso de drogas era excessivo durante os anos 60. Por que o vírus da hepatite C apareceu tão recentemente, e se disseminou pelo mundo tão rapidamente? Devemos considerar algumas singularidades. Ao contrário do vírus da hepatite A (que se dissemina pelas fezes) ou do vírus da hepatite B (que passa facilmente pelo sexo), o vírus da hepatite C somente pode contaminar se o sangue de um portador entra nas veias de outra pessoa. É as oportunidades para tal tipo de contaminação ter acontecido durante os anos quarenta até os sessenta, quando seringas reutilizáveis eram comumente usadas em hospitais e também, era uma pratica comum usar sangue como medicamento eficaz para melhorar o paciente após uma operação. Antes de1960, os médicos observavam hepatite em pacientes que não possuíam qualquer um dos vírus de hepatite conhecidos. Faltando um nome melhor para a síndrome, eles chamaram isto “hepatite não-A, não-B”.

Até o momento, não há nenhum tratamento de cura 100 por cento eficaz. O melhor tratamento disponível é uma combinação do interferon, uma proteína que impulsiona uma maior resposta imune do organismo e o medicamento antiviral ribavirina, um primo distante do AZT. Prescritos em forma combinada, os de última geração conseguem eliminar o vírus em 50 a 55 por cento dos pacientes depois de seis meses a um ano de tratamento. Mas eles causam muitos efeitos colaterais, como perda de cabelo, cansaço e até problemas de coração, nos Estados Unidos, um paciente em cada sete abandona o tratamento. Bill Schwartz, 65, um tenente coronel aposentado, compara o tratamento que realizou por um ano, como o “ano que passou combatendo no Vietnã.” Ele não teve sucesso em eliminar o vírus.

Poucas pessoas em países em desenvolvimento podem dispor tratamento. Um tratamento completo com interferon chega aos U$20.000.- o preço de uma casa pequena no Brasil, ou o que o presidente de África do Sul ganha de salário por ano. Para pessoas como Nvansri Toommnon, 72 anos, esposa de um coronel aposentado da força aérea tailandesa não é um problema. Ela pode dispor de um quarto privado no Hospital de Bumrungrad de Bangkok. Mas até eles mesmo teriam problemas se os médicos tailandeses não dispusessem o tratamento gratuitamente para ela. “Se eu tivesse que pagar para ser tratado, seria quase impossível,” diz o Dr. Sirirung Songsivilai, professor da Universidade de Medicina de Mahidol . Também, porque o medicamento precisa ser tomado regularmente por um longo período de tempo e tem efeitos colaterais sérios, os países tem que ter um sistema de saúde pública com um bom sistema de controle dos medicamentos e assistência, em lugar entregar os medicamentos livremente. Por estas razões, a OMS aconselha países em desenvolvimento para realizar campanhas que evitem novas infecções, em vez tratar os contaminados atuais.

A melhor esperança dos portadores de hepatite C no Terceiro Mundo, diz o médico da OMS, Dr. Heymann, é encontrar uma vacina. Isso é uma busca constante, segundo Michael Houghton, vice-presidente da Chiron Corp. que pesquisa a hepatite C. Ele conduziu uma equipe de cientistas que identificou o vírus nos anos 80, é agora está dedicado a encontrar uma vacina. Mas ele diz que passarão pelo menos cinco anos antes de qualquer aprovação pelo governo norte-americano. Drogas melhores também estão em estudo. O mercado para tratamento da hepatite C está explodindo agora, e os fabricantes têm várias combinações novas em estudo. Pelo menos três companhias pesquisam inibidores de protease que bloqueiam uma enzima fundamental que permite o vírus se reproduzir. Schering-Plough, o líder atual em tratamento da hepatite C, estuda moléculas que poderiam ser combinadas com os inibidores de protease para criar um tipo de coquetel de múltiplos medicamentos, que já provaram ser efetivos contra o HIV/AIDS. “A comparação entre estas duas epidemias e necessária,” diz o Dr. Lawrence Deyton, do departamento de saúde da Associação de Veteranos de Guerra. “Nós encontramos hoje, na hepatite C, onde estávamos em HIV/AIDS 10 anos atrás, quando só utilizávamos uma ou duas drogas que eram muito tóxicas e não muito efetivas. Se o fígado de um paciente não estiver com um dano hepático preocupante, pode ser conveniente só acompanhar o paciente e esperar por melhores tratamentos.”

Enquanto isso, muitos estão recorrendo a medicamentos alternativos. Até mesmo nos Estados Unidos onde a maioria das pessoas pode dispor tratamento médico, entre 30 a 40 por cento dos pacientes com a hepatite C preferem medicamentos alternativos. Dr. Robert Gish, diretor médico do programa de transplante de fígado do Centro Médico de Califórnia em São Francisco, fala para os pacientes: “Eu tenho medicamentos que podem o curar, mas também, o podem deixar doente. Os naturalistas têm medicamentos que ajudarão com sua qualidade de vida, mas não o curaram da hepatite C.” Para países do terceiro mundo, os medicamentos a base de ervas têm a vantagem de estar disponíveis a preço reduzido. Uma das ervas mais populares é o cardo mariano, ou silymarina que foi usado para tratar doenças hepáticas avançadas durante mais de 2.000 anos. Na medicina chinesa, uma combinação de ervas junto com a raiz de alcaçuz tem o mesmo propósito. Cientistas já começaram a testar muitos destes medicamentos. Há pequenas evidências que eles consigam muito mais que um simples alivio nos sintomas, como diminuir a inflamação. Isso já é suficiente para Haj Hussein que se dirige para o bairro velho de Bab El Khalk, nos subúrbios do Cairo, para, toda semana comprar U$3.- de ervas. Com 62 anos, com a pele de cor amarelada e sombras escuras debaixo dos olhos, diz que as ervas fazem maravilhas. “Enquanto minhas enzimas estiverem normais, eu posso trabalhar. Eu posso viver!” Para a grande maioria dos portadores de hepatite C ao redor do mundo, tais remédios, baratos, trazem uma alternativa, até que os cientistas e os sistemas de saúde publica possam oferecer algo melhor.

Com Gameela Ismail em Cairo, Karen Macgregor em Johannesburg, Mac Margolis em Rio De Janeiro, Véspera Conant em Moscou, José Cochrane em Bangkok, Ann Binlot em Londres, Anne Underwood e John David Sparks em Nova Iorque, Karen Springen em Chicago e Paul Mooney em Beijing
Volta ao índice






Hospitais da vida real e da ficção


04/06/2002 - Jornal do Brasil - Caderno B - Página 2

Hospitais da vida real e da ficção


Filme lembra transplante ocorrido no Rio


Carlos Varaldo

Um ato de coragem mostra o drama de um pai que tenta salvar o filho, desesperadamente, através de um transplante. O filme se passa nos EUA, mas poderia ser ambientado no Brasil, pois, situações que poderiam perfeitamente fazer parte do cotidiano brasileiro são mostradas no enredo. Problemas com planos de saúde que não dão cobertura a certos tratamentos, hospitais que fazem triagem de seus pacientes pela conta bancária, exigindo depósitos ou cartões de crédito como garantia, médicos que deixam de lado a ética para ganhar comissões, ou bônus, por exames não prescritos a seus doentes ou o drama dos pacientes em lista de espera por um órgão. O roteiro ressalta claramente o desespero do pai para salvar a vida do filho, custe o que custar, inclusive a própria vida.

A história foi adaptada de uma situação real que aconteceu nos Estados Unidos em 1993. Uma declaração de um transplantado a um jornal - onde dizia: ''se eu não fosse rico não teria conseguido esse coração e estaria morto'' - sensibilizou particularmente o diretor Nick Cassavetes, que passou por situação semelhante com a filha, que tem um problema congênito no coração e já foi submetida a quatro cirurgias. ''Quando seu filho está doente, é como se você estivesse num túnel; nada mais importa. Conheço bem as dificuldades que advêm dos planos de saúde, hospitais e médicos''', afirmou o diretor na época do lançamento do filme.

A produção tem muito em comum com a realidade da saúde no Brasil. Quem não foi vítima, certamente conhece alguém que já passou por problemas quando precisou usar seu plano de saúde ou que teve que enfrentar a triagem, corriqueira em alguns hospitais. O filme revela também outras semelhanças com o Brasil. É o caso dos políticos que, em ano eleitoral, tentam mostrar eficiência com promessas vazias. Ou ainda a forma de atuação dos apresentadores de TV, que querem conquistar a audiência através de apelos sensacionalistas.

Poucas cenas diferem da situação ocorrida recentemente num hospital do Rio de Janeiro, quando foi necessário intervenção policial para permitir a realização de um transplante. Ambas as situações (a da vida real e a da ficção) aconteceram na noite de um sábado, o que ressalta a falta de estrutura especializada, tanto médica como administrativa, nos feriados e fins de semana, indicando a conveniência de se ficar doente somente em dias úteis e, sobretudo, durante o horário comercial.

A ação policial no Rio de Janeiro foi, no entanto, mais eficiente e humanitária. Sem necessidade de armas ou de qualquer ação espalhafatosa, conseguiu convencer os plantonistas do setor administrativo do hospital, que desconheciam a legislação e os procedimentos nesses casos, da necessidade humanitária da captação de órgãos.

O filme é recomendável a administradores de planos de saúde, diretores de hospitais, médicos, enfermeiros e estudantes de medicina, para que aprendam como não se deve agir na profissão. Para os políticos, o filme deveria ser de exibição obrigatória, para que entendam melhor o drama da saúde pública.

Carlos Varaldo é presidente do Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite




 

HEPATITE C — ASSASSINO SILENCIOSO?


Carlos Varaldo - Publicado no Editorial do Jornal do Brasil em 16/12/2002

 

São tantos os contaminados que a maioria dos governos censura as informações


Um novo vírus, o da hepatite C, descoberto dez anos após o vírus da Aids, contaminou entre 170 e 200 milhões de pessoas no mundo. Estes dados, da Organização Mundial da Saúde, mostram o impressionante tamanho da epidemia de hepatite C, cinco vezes maior que o da Aids. O número de contaminados é tão alarmante que a maioria dos governos prefere censurar qualquer informação, devido aos altos custos que seriam necessários no tratamento dos portadores. Médicos da OMS denunciam que muitos países preferem não detectar os portadores, para não ter que gastar dinheiro com o tratamento.

No Brasil, o Ministério da Saúde admite que 2,6% da população podem estar contaminados, mas a OMS estima que o número verdadeiro poderia ser maior, podendo chegar a oito milhões de brasileiros. Curiosamente, nestes 13 anos de conhecimento da doença, nenhum alerta à população ou sequer à classe médica foi feito pelo ministério.

O modelo estratégico da avestruz, ignorando o problema, não vai evitar a perda da saúde nestes infectados. Se nada for feito de imediato, mais de um milhão de brasileiros poderão desenvolver cirrose ou câncer no fígado nos próximos 15 anos. O custo social, com perda da capacidade de trabalho, aposentadorias, tratamento da cirrose e prováveis transplantes de fígado, será com certeza infinitamente superior ao que seria gasto com detecção e tratamento dos infectados. Hoje, dos milhões de prováveis infectados, cerca de sete mil estão em tratamento, número pífio, sendo que 97% dos infectados ainda não foram detectados. Continuando com o atual esquema governamental de detecção e tratamento, precisaríamos mais de 600 anos para tratar os atuais contaminados.

É necessário acordar para o problema, pois uma vez detectados os portadores, com os tratamentos disponíveis atualmente, pelo menos 600 mil vidas seriam salvas de evoluir para a falência hepática, conseqüentemente a morte. É urgente montar campanhas de esclarecimento e principalmente de detecção, equipar laboratórios e hospitais e treinar profissionais de saúde. Desde fevereiro existe um Programa Nacional de Hepatites, mas sem dotação orçamentária própria para enfrentar o desafio.

Recentemente, em reportagem no GLOBO, o coordenador do programa de hepatites virais reconheceu publicamente, pela primeira vez, a gravidade da epidemia, concordando com todas as recomendações e alertas das ONGs que defendem os portadores de hepatite C. Provavelmente é uma resposta ao anúncio estrelado por Cissa Guimarães, que desde setembro o Grupo Otimismo veicula de forma institucional em vários canais de televisão — o primeiro anúncio do mundo realizado por uma ONG para divulgar a hepatite C.

Curiosamente, são raros os novos contaminados, pois a maioria das formas de transmissão já está controlada, o que faz com que as ações a serem tomadas imediatamente não sejam de prevenção, e sim de detecção e tratamento. A hepatite C é transmitida pelo sangue; não há comprovação de contaminação por fluidos corporais, como saliva, suor, lágrimas, sêmen ou leite materno (a mãe contaminada pode amamentar). Abraços, beijos ou compartilhar pratos, copos, talheres ou roupas não contaminam. A contaminação sexual é possível, porém muito rara. Entre as maiores fontes de contaminação do passado temos as transfusões sanguíneas, possibilidade hoje descartada pelos testes de sangue nos hemocentros. O compartilhamento de seringas e agulhas de injeção também é coisa do passado. Aquela velha pistola de vacinação, que passava de braço em braço, com a mesma agulha, também teve seu uso descontinuado. Atualmente, os fatores de risco continuam sendo o uso de drogas, injetáveis ou aspiradas, que representam dois terços das novas infecções, e acidentes com instrumentos perfuro-cortantes, inclusive com instrumentos de manicura. O portador de hepatite C leva uma vida totalmente normal, pois a doença não apresenta riscos de contaminação na vida social, na família, ou no trabalho.

A hepatite C é totalmente diferente dos tipos A ou B nas suas formas de contaminação. Pode ser comparada a uma bomba viral preste a explodir. São necessários recursos para enfrentar o desafio, caso contrário, nos próximos 15 anos, haverá um verdadeiro genocídio, culpa da cegueira e surdez de quem deveria tomar imediatas providências. A hepatite C pode ser um assassino silencioso, mas os governantes não podem ser surdos a ponto de ignorar o problema.


CARLOS VARALDO é presidente do Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite C.




Leia aqui as últimas noticias sobre as hepatites enviadas pelo nosso serviço de mailing list - Aperte aqui



RECEBA GRATUITAMENTE AS ULTIMAS NOTICIAS SOBRE AS HEPATITES - APERTE AQUI


Para adquirir os livros, com os artigos completos, veja onde os encontrar na abertura de nossa página

Volta ao topo 




Last updated 22.11.2004
Contatos: hepato@hepato.com