port_evolucao Hepatitis C - Hepatite C - evolução

Estes artigos fazem parte dos  livros “Convivendo com a Hepatite C” e “A Cura da Hepatite C” – Proibida sua reprodução total ou parcial sem autorização expressa do autor, Carlos Varaldo


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Evolução da hepatite C

 

        A evolução da doença depende de cada organismo e do tempo da infecção. Nos casos em que se pode ter certeza quanto à data da infecção, o médico terá maiores possibilidades de planejar o tratamento. Após o contato com o vírus, instala-se uma fase de infecção aguda. É aconselhável o tratamento imediato para tentar evitar a evolução para uma infecção crônica.

 

            A hepatite C crônica era chamada por alguns médicos de persistente, diante de conseqüências moderadas sobre o fígado. Porém, a infecção pode evoluir e passar a ser denominada ativa. O vírus prossegue o seu trabalho de destruição do fígado, que pode evoluir para uma cirrose. Atualmente, desaconselha-se diferenciar entre infecções persistentes e ativas, pois em certos casos o dano hepático continua a evoluir mesmo em processos ditos persistentes.

 

            Estimativas e estudos recentes indicam que a evolução para uma cirrose leva de 20 a 30 anos desde o contato inicial com o vírus. A evolução para um câncer geralmente dura, em média, de seis a dez anos após a instalação da cirrose.

 

Deve-se, obviamente, evitar o acúmulo de danos hepáticos causados por outros fatores tais como hepatite A, hepatite B, álcool, medicamentos tóxicos para o fígado etc.

 

Quais os fatores que agravam a progressão da doença hepática causada pelo vírus da hepatite C ?

 

        A progressão da doença depende de vários fatores relacionados ao estado clinco do portador e das condições do fígado. Destacam-se como fatores prejudiciais o estado de imunodeficiência, o alcoolismo crônico e a co-infecção com os vírus da hepatite B e da AIDS.

 

Que fatores podem influir

na progressão da hepatite C

            A hepatite C ainda é uma doença nova ¾ foi reconhecida há apenas 13 anos ¾, sobre a qual conhece-se pouco. Por esta razão, existem poucos dados estatísticos de pacientes acompanhados por um longo período, pelo menos longo o bastante para se saber a história natural da doença.  Existem algumas análises retrospectivas e alguns estudos prováveis realizados em curto prazo, porém ainda é incerto afirmar estatisticamente como será a progressão da doença no futuro.

            Especialistas em hepatite C reconhecem que os níveis das transaminases flutuam e que o grau de inflamação hepática pode flutuar também (situação similar a outras doenças crônicas causadas por vírus como o Herpes Simplex).

            Entre os fatores do meio ambiente e do estilo de vida do portador que influem no curso e na progressão e que são atualmente apresentados e discutidos nos congressos, podem ser citados os seguintes (os termos são leigos para facilitar a compreensão do portador e não podem servir como referência médica):

- O tempo de contaminação - um tempo maior pode resultar em uma maior proporção na progressão.

- A idade da pessoa ao ser infectada - pessoas infectadas após os 50 anos de idade podem ter uma enfermidade mais ativa, de progressão mais rápida.

- O sexo do portador - as mulheres podem desenvolver uma progressão menos ativa que os homens.

- A cor de pele do portador - pessoas de pele escura parecem desenvolver uma forma mais ativa da doença que as pessoas brancas.

- A raça do portador - as raças anglo-saxônicas parecem desenvolver uma forma mais ativa da doença que as raças latinas.

- A forma de contágio - os contaminados por transfusão parecem ter uma progressão mais rápida.

- A carga excessiva de ferro - é verificada uma maior progressão da hepatite C em portadores com altos níveis de ferro no fígado.

- A ingestão de bebidas alcoólicas - aumenta consideravelmente a progressão da doença.

- A co-infecção com hepatite B - não aumenta a progressão para a cirrose, porém aumenta o risco de desenvolver câncer no fígado.

- A co-infecção com o HIV (AIDS) - aumenta a progressão para a cirrose e, nestes casos,  verifica-se uma proporção mais alta de cirrose.

- Fumantes - é possível que exista um risco  maior, neste grupo, para desenvolver câncer no fígado.

- A influência da imunossupressão - os esteróides não parecem tornar a hepatite C mais ativa.

- A influência da hemofilia - alguns estudos (limitados) fazem pensar em uma menor incidência de fibroses nos portadores hemofílicos.

 

O que vai acontecer comigo?


A progressão natural da hepatite C pode ser resumida nestes termos

            De cada 100 infectados, 85 desenvolverão a doença de forma crônica e 15% obtêm a cura de forma espontânea, eliminando o vírus.

            Considerando somente aqueles que são portadores crônicos, caso não recebam nenhum tipo de tratamento, teremos as seguintes probabilidades:

- de cada 100 portadores crônicos, 10 anos após acontecer a infecção, cerca de 5 desenvolverão cirrose; após 20 anos, aproximadamente 12 serão cirróticos, e após 30 anos da infecção, aproximadamente 20, do total de portadores, terão cirrose;

- entre aqueles que desenvolveram a cirrose, menos de 1% terão descompensação hepática 10 anos após a infecção, 4 %, após 20 anos da infecção, e somente 6% desenvolvem a descompensação hepática 30 anos após o contágio;

-  entre os que desenvolveram a cirrose, as probabilidades de aparecimento de um câncer no fígado são de 4% após 4 anos do aparecimento da cirrose, de 7% após 5 anos e de 14% após 10 anos da cirrose.

 

O que é uma biópsia ?

 

        É muito freqüente que pacientes com hepatite C crônica não experimentem sintomas. Por outro lado, outros reclamam de fadiga excessiva, fraqueza e uma capacidade reduzida para o exercício. Como o dano hepático pode acontecer até mesmo em casos assintomáticos (nenhum sintoma), é importante submeter-se à biópsia para determinar se há dano no fígado, especialmente antes de se iniciar o tratamento com Interferon.  A biópsia do fígado indica o grau de necrose celular (morte de células ), inflamação (infiltração celular e inchaço) e cicatrização (tecido cicatrizado).

 

            A biópsia do fígado é um procedimento diagnóstico que retira uma pequena quantidade de tecido, que pode ser examinado num microscópio, ajudando a identificar a causa ou fase da doença . O modo mais comum com que uma amostra é obtida é inserindo uma agulha no fígado por uma fração de segundo. Isso pode ser feito no hospital ou numa clinica, com um anestésico local, e o paciente pode ser enviado para casa após duas ou três horas, se não houver nenhuma complicação.

 

A biópsia pode ser realizada da forma percutânea ou por videolaparoscopia. Na biópsia percutânea, o médico determina o melhor local, profundidade e ângulo do furo da agulha por exame físico e ultra-som. São anestesiadas a pele e a área debaixo da pele, e uma agulha é passada depressa até o fígado.  Na biópsia por videolaparoscopia, o exame é feito por meio de um cateter guiado por uma microcâmera de vídeo.

 

            Aproximadamente a metade dos indivíduos não tem nenhuma dor, enquanto outros experimentam uma dor irradiada que pode repercutir em outros órgãos. Os pacientes são monitorados durante algumas horas, após a biópsia, quando se observa se não existe hemorragia. Alguns pacientes têm uma baixa súbita da pressão sangüínea depois de uma biópsia, causada por um reflexo de vagal  e não por perda de sangue, ou seja, causada por irritação súbita da membrana peritoneal. As características que distinguem este evento de uma hemorragia são: 1) pulso lento em lugar de rápido, 2) paciente suando e 3) náusea.

 

A importância da biópsia hepática

           

            A biópsia é atualmente a maneira mais acurada de determinar a atividade da doença e a magnitude da  fibrose. É a base para um  prognóstico.  Uma biópsia não é obrigatória, porém a cada dia é mais enfaticamente recomendada.  Ocorre que o tratamento ainda não é totalmente eficaz e, no seu  transcurso, portanto, uma biópsia pode ajudar muito a tomada de decisões.

 

            Se a data em que aconteceu o contágio é conhecida, a progressão a partir deste ponto até a data da biópsia dará  valiosa informação sobre a progressão anterior e provavelmente a futura.

 

A biópsia é um procedimento relativamente seguro e fácil de realizar.

 

A possibilidade de complicações numa biópsia são:

 

- dor: uma pessoa em cada trinta sente alguma dor.

- sangramento sério: pode acontecer em uma pessoa entre 1.000 até 3.000 biópsias realizadas.

- morte pelo procedimento: possibilidades de acontecer em uma pessoa a cada 12.000 biópsias.

 

 

Álcool e hepatite C

 

        Está realmente comprovado que o álcool é altamente prejudicial aos portadores de hepatite C.

 

Efeitos do álcool na replicação do vírus da hepatite C:

 

            O álcool abre o caminho para a replicação em portadores que conseguiram negativar o vírus no organismo. Pacientes alcoólicos com hepatite C possuem maior concentração de ferro no fígado, facilitando assim a ação virótica. Evidências clínicas verificaram o aumento da atividade hepática e aumento da atividade virótica com o consumo de apenas dez gramas de álcool por dia.

 

Efeitos do álcool no avanço da hepatite C para uma cirrose ou câncer:

 

            Segundo o mesmo estudo, o risco de contrair cirrose ou câncer hepático em portadores de hepatite C dependentes do álcool é 8,3 vezes superior do que em portadores abstêmios.

 

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16/07/2000 - O dano hepático somente e causado pela hepatite C ?

Portadores de hepatite C devem ter cuidados especiais com o seu fígado, já que o mesmo possui, em maior ou menor grau, algum dano hepático.

E muito importante, então, evitar qualquer possível dano hepático.

O dano hepático pode ser ocasionado por muitos fatores, aprenda a seguir quais são para tomar, dentro do possível, os devidos cuidados.

Alguns fatores preponderantes que desencadeiam danos hepáticos podem ser por:

Causas virioticas:

Vírus de Hepatites A, B, C, D, E, Herpes Simplex, Epstein-Barr, Citomegalovirus, Herpesvirus 6, Influenza tipo B, Vírus de febres hemorrágicas (Lassa, Ebola, Marburg)

Causado por drogas:

Paracetamol (acidental ou intento suicida), Antibióticos (isoniazida, nitrofurantoína, tetracilina, ciprofloxacino, eritromicina, amoxicilina-ácido clavulánico), Acido valproico, Lovastatina, Fenitoína, Tricíclicos, Halotano, Ouro, Flutamida, Antabuse, Ciclofosfamida, Ectasis, Loratadina, Propiltiouracilo, Diclofenaco, Sulfas, Amiodarona, etc.

Causas toxicas:

Amanita Phalloides, Solventes orgânicos, ervas medicinais (ginseng, valeriana, etc), Toxinas bacterianas (Bacillus cereus, cianobacterias)

Outras causas conhecidas:

Fígado grasso agudo na gravides, Síndrome HELLP, Hepatite autoinmune, Budd-Chiari, Tromboses portal, Insuficiência cardíaca direita, Isquemia, Leucemia, Linfoma, Metástasis, Malária, Tuberculoses, Síndrome de Reye, Doença de Wilson, e outras causas indeterminadas.


 

21/07/2000 - Hepatite C pode ser mais moderada em crianças

Estudo realizado em crianças alemãs que sofreram cirurgia do coração antes de 1991, quando não existia o teste da hepatite C no sangue doado na Alemanha, e ficaram infetadas com o vírus, foram observadas numa média de 20 anos depois da cirurgia, verificando-se que a hepatite C tinha causado poucos problemas de saúde, os pesquisadores suspeitam que o vírus pode ser menos prejudicial em crianças que em adultos.

Dr. Manfred Vogt, da Technical University of Munich, Alemanha, e colegas estudaram 458 crianças que tinham sofrido cirurgia de coração antes de que a Alemanha começasse a testar o sangue para detectar a hepatite C. Em média, as crianças sofreram a cirurgia antes de eles ter completado 3 anos de idade, os investigadores divulgam o estudo no N° 16 do The New England Journal of Medicine.

Os investigadores testaram os anticorpos da hepatite C que estão presentes se uma pessoa alguma vez foi exposta a hepatite C, até mesmo se o vírus já está presente. Também, procuraram hepatite C RNA que indica se uma pessoa ainda é infetada.


Anticorpos estavam presentes em 67 (14.6%) das crianças que tinham sofrido cirurgia, comparando este dado com 3 entre 458 crianças (0.7%) que nunca tinham tido alguma cirurgia.

Porém, só 37 das crianças que tinham sofrido cirurgia tiveram resultado positivo para material genético do vírus (HCV RNA), significando que 30 crianças tinham sido infetadas mas estavam livres do vírus.

Testes de laboratório adicionais confirmaram que estas 30 crianças já não tinham mais a infecção.


Até mesmo entre as crianças que ainda estavam infetadas com hepatite C, o vírus não parecia estar abalando o fígado. Fora de 17 crianças que sofreram uma biópsia, só três mostraram sinais da doença no fígado de forma progressiva. Em contraste, cirrose tende a aparecer dentro de 20 anos após a infecção em aproximadamente 20% dos adultos com hepatite C.


Nós achamos que crianças que tinham sofrido cirurgia cardíaca na Alemanha antes do implementação dos testes para controlar o sangue contaminado com hepatite C sofreram um risco significativo para ficar infectadas com o HCV, afirmou o Dr. Vogt.


De fato, todos os pacientes que sofreram uma biópsia eram infetados com o que consideramos que tinham a forma mais virulenta de HCV, e o seu estado clínico não estava associado com sinais clínicos ou bioquímicos da doença avançada.


Estes resultados sugerem que no grupo de estudo, os danos causados pela hepatite C crônica eram moderados e tinham uma baixa taxa de progressão até mesmo depois de duas décadas.


Porém, em um estudo feito pelo Dr. Maureen M. Jonas, do Hospital de Crianças em Boston, o mesmo relata que ainda não se sabe se manifestações mais sérias da doença aparecerão 30 ou 40 anos depois da infecção.

" Assim, é importante monitorar permanentemente os pacientes que estão contaminados com a hepatite C antes de assegurar que as crianças não desenvolverão problemas na adolescência ou na sua maturidade.


SOURCE: The New England Journal of Medicine 1999;341:866-870, 912-913.


 

26/07/2000 - Hepatite C e Dano Hepático

Foi publicado no último número de Julho do Jornal da Associação Médica Americana (2000;284;450-456) um trabalho feito pela equipe do Dr. David L. Thomas do Johns Hopkins Medical Institutions de Baltimore, Maryland, referente ao acompanhamento de 919 portadores de hepatite C que tinham se contaminado pelo compartilhamentos de seringas durante o uso de drogas.

Os pesquisadores afirmam que ainda segue sendo um mistério o fato que alguns contaminados evoluem para o dano hepático avançado e em outros ou o vírus desaparece espontaneamente (em 15% dos casos) ou não causa dano algum.

Do grupo pesquisado, em 10% o vírus desapareceu do sangue dos portadores não causando nenhum dano ao organismo. Nestes pacientes a preponderância de portadores brancos que tinham negativado espontaneamente, era cinco vezes superior que o de portadores de pele escura, 1,6 vezes superior o percentual de mulheres que o de homens e 2,5 vezes superior de portadores que nunca tinham tido hepatite B contra os que já tiveram. Participante que eliminaram o vírus eram na maioria não contaminados com HIV.

Os casos de dano hepático fatal, foi muito pequeno, porém a proporção de mortes associadas era alto. Entre os 40 portadores com dano hepático avançado, 35 morreram e 1 precisou de um transplante de fígado, em media, após 14 anos da contaminação, ao final do estudo.

Os danos hepáticos maiores foram constatados nos pacientes com maior idade, naqueles que bebiam maior quantidade de bebidas alcóolicas, naqueles que usaram drogas com maior freqüência e nas pessoas do sexo masculino.

O estudo conclui que ao igual que outros trabalhos, pode-se afirmar que a hepatite C pode persistir por décadas numa pessoa sem causar maiores problemas.

Nossos comentários sobre este estudo:

Lembramos que na interpretação do estudo acima, deve-se notar o seguinte:

  1. O estudo está baseado em pessoas contaminadas pelo uso de drogas. Outros estudos recentes suspeitam que a doença age diferentemente segundo a forma em que aconteceu a infecção.
  2. Confirma-se, a cada dia, que não todos os portadores evoluem para problemas graves, sendo que maioria dos contaminados não terá maiores problemas de saúde.
  3. A cada dia, os médicos, deverão ser mais criteriosos, sobre quem deve ser tratado ou simplesmente observado

 


 

05/08/2000 - Que fatores podem influir na progressão da Hepatite C

 

A Hepatite C ainda e uma doença nova e desconhecida, somente reconhecida há dez anos. Por esta razão, não a dados estatísticos de pacientes seguidos por muito tempo, o bastante para saber a historia natural de esta doença.

Existem alguns análises retrospectivos e alguns estudos prováveis a corto prazo porém ainda e algo incerto poder afirmar estatisticamente como será a progressão da doença.

 

Especialistas em Hepatite C reconhecem que os níveis das transaminases flutuam e o grau de inflamação hepática pode flutuar também (situação similar a outras doenças crônicas causadas por vírus como o Herpes Simplex).

 

Entre os fatores do meioambiente e da forma de vida do portador que influem no curso e na progressão, que são atualmente apresentados e discutidos nos Congressos podem ser citados os seguintes (Os termos são leigos com a intenção que o portador os possa entender e não podem servir como referência médica):

 

O tempo de contaminação: um tempo maior pode resultar em uma maior proporção na progressão.

A idade da pessoa ao ser infectada: Pessoas infectadas após os 50 anos podem ter uma enfermidade mais ativa.

O sexo do portador: as mulheres podem desenvolver uma progressão menos ativa que os homens.

A cor do portador: pessoas de pele escura parecem desenvolver uma forma mais ativa da doença que as pessoas brancas.

A raça do portador: as raças Anglosaxonas parecem desenvolver uma forma mais ativa da doença que as raças Latinas.

A forma de contagio: os contaminados por transfusão parecem ter uma progressão mais rápida.

A carga excessiva de ferro: e verificada uma maior progressão da Hepatite C em portadores com altos níveis de ferro no fígado.

A ingestão de bebidas alcóolicas: aumenta consideravelmente a progressão da doença

A co-infecção com Hepatite B: não aumenta a progressão para a Cirrose porém aumenta o risco de desenvolver Câncer no fígado

A co-infecção com o HIV (AIDS): aumenta a progressão para a Cirrose e verifica-se uma proporção mais alta de Cirrose

Fumantes: e possível que exista um risco maior para desenvolver Câncer no fígado.

A influencia da Inmunosupressão: os Esteroides não parecem fazer com que a Hepatite C seja mais ativa.

A influencia da hemofilia: alguns estudos (limitados) fazem pensar em uma menor incidência de fibroses nos portadores hemofílicos.

 

Segundo o conhecimento atual, a proporção da progressão pode ser assim descrita:

Total de contaminados que crônificam: de 80 a 85% dos contaminados desenvolvem a doença de forma crônica.

 

Quantidade de casos crônicos que podem desenvolver Cirrose:

Em 10 Anos depois da infecção de 5 a 6%,

Em 20 Anos depois da infecção de 12 a 15%,

Em 30 Anos depois da infecção de 18 a 25%.

 

Quantidade de casos que podem desenvolver uma Cirrose descompensada:

Em 10 Anos depois da infecção, 0.7%,

Em 20 Anos depois da infecção de 3 a 4%,

Em 30 Anos depois da infecção de 5 a 7% .

 

Quantidade de casos que podem desenvolver Câncer:

Normalmente só ocorre nos pacientes após o desenvolvimento da Cirrose.

A proporção da ocorrência após o desenvolvimento da Cirrose e de aproximadamente:

Em 3 Anos depois da Cirrose, 4% de Câncer em via de desenvolvimento,

Em 5 Anos depois da Cirrose, 7% de Câncer em via de desenvolvimento,

Em 10 Anos depois da Cirrose, 14% de Câncer em via de desenvolvimento.

 

O tempo meio de desenvolver câncer após o contagio com a hepatite C e estimado em 28 anos, considerando-se somente os portadores que chegam a desenvolver câncer.

 


27/01/2001 - As bebidas alcoólicas e a hepatite C

 

Foi divulgado em 15 de janeiro na edição 16 de Annals of Internal Medicine um estudo realizado por the National Heart, Lung and Blood Institute Study Group o qual informa que comparando 836 portadores de hepatite C contaminados por transfusão de sangue com sua forma  de vida foi possível determinar exatamente qual é o efeito do álcool nos portadores.

 

Em geral os portadores de hepatite C tinham um 17% de possibilidades de contrair cirrose em largo prazo, porem se os portadores ingeriam diariamente mais de 80 gramas de álcool por dia ( 1 garrafa de vinho, ou 2 copos de destilados ou 3 latas de cerveja) as chances de desenvolver a cirrose aumentavam para 31%.

 

Os autores aconselham enfaticamente a abstenção total ao consumo de álcool para todos os portadores de hepatite C.


 

09/02/2001 - A Fibrose e reversível ?

 

Matéria publicada no The New England Journal of Medicine -- February 8, 2001 -- Vol. 344, No. 6, traduzida por Carlos Varaldo - Grupo Otimismo.

 

A Cirrose deriva de uma inflamação crônica e progressiva d fígado que acaba formando cicatrizes y nódulos.

Geralmente se ha considerado que a fibrose e irreversível. Esta crença se estabeleceu faz mais de médio século, quando o diagnóstico das cirroses era clinicamente feito em base às sinais da doença mais adiantada, como a ascite, as varizes do esôfago, a icterícia, e a encefalopatia. Estes sintomas continuam indicando um prognostico ruim e ainda são usados para classificar a severidade da doença avançada em pacientes que estão esperando um transplante de fígado.   

 

O ponto em que a cirroses ou a fibroses extensa passa a ser irreversível ainda não esta perfeitamente definido. As cirroses se diagnosticam agora muito mais freqüentemente em uma fase precoce, por diferentes métodos de biopsias. Em muitos casos, os pacientes com cirroses são assintomáticos, com resultados normais no exame físico, e o problema se descobre inicialmente devido as transaminases elevadas o a resultados positivos nos testes para as hepatites B ou C. Os progressos no tratamento médico da doença conseguiram um aumento muito benéfico para os pacientes com dano histológico avançado, inclusive a cirroses. Ainda, casos de fibroses e inclusive as cirroses iniciais parecem regredir com o tratamento.  

 

Neste número do Jornal, Hammel e outros profissionais descrevem um grupo de pacientes com fibroses avançada que sofria descompressão quirúrgica de um sistema biliar obstruído.   Os resultados obtidos nas biopsias antes e depois da cirurgia foram comparados. Em alguns pacientes, a fibroses regrediu significativamente depois da descompressão. Estes resultados são importantes porque a historia natural de câmbios histológicos nunca foi bem descrita apos a descompressão biliar nos pacientes. A implicação deste estudo é que a fibrose causada pela obstrução biliar é reversível em alguns casos.    

 

O estudo não inclui um grupo definido. Descreve somente um número pequeno de pacientes selecionados de um grupo maior que sofria a descompressão biliar por pancreatitis crônico e estenoses do conduto da bílis comum. Pode assim existir algum prejuízo na seleção. Porém, um prejuízo sistemático parece improvável, já que os pacientes tinham pancreatitis crônico que tinha piorado, requerendo a cirurgia.    

Outra preocupação e a possibilidade que os câmbios poderiam ser considerados pela variação dos fragmentos observados na biopsia. Apesar desta possibilidade não poder ser completamente excluída, 19 dos 22 espécimes eram espécimes grandes do terceiro segmento do lóbulo esquerdo do fígado, retirados com visão direta no momento da cirurgia.    

 

Apesar destas limitações, a melhora observada nas fibroses depois de que a descompressão biliar informada por Hammel, adiciona outro exemplo na crescente lista de doenças com dano hepático avançado, em que as intervenções específicas estão associadas com a melhora histológica, inclusive a regressão das fibroses. Estas observações se apóiam ainda em modelos com animais que mostraram, também,  que a fibroses extensa es reversível.    

 

Os informes de regressão das fibroses avançada nos humanos tem em comum a eliminação da causa da doença que originou o problema ou a aplicação de um tratamento eficaz. Os exemplos são muitos e incluem a abstinência do álcool, a inversão cirúrgica do desvio do jejunoileal,  a terapia com imunossupressores para a hepatite  autoimune,  o tratamento em longo prazo com lamivudine para a hepatite B,  o tratamento da hepatite C e a hepatite D com o interferon, e o tratamento de cirroses biliares primarias.   

 

Como o estudo de Hammel, os outros estudos também incluíram números pequenos de pacientes. Há também que considerar a possibilidade que os câmbios observados podem ser atribuídos a  variações na biopsia. Porém, dois itens nestes estudos evidenciam sua validez.

 

Primeiro, a regressão histológica das fibroses normalmente foi acompanhada  por uma melhora clínica e bioquímica, inclusive com uma diminuição  da fibrogenesis hepática (aqueles que não requerem uma biopsia) em alguns estudos.

 

Segundo, nos grandes ensaios controlados de tratamento com interferon e ribavirina para o tratamento da hepatite C e no tratamento com lamivudine para a hepatite B, a fibroses  diminuiu nos pacientes que receberam estes tratamentos. 

 

Durante os últimos 15 anos, um progresso substancial foi conseguido para entender melhor a regeneração celular e molecular das fibroses hepática. Este conhecimento mantém uma explicação racional sobre a reversibilidade potencial do processo.  Está claro que a acumulação extracelular, o cicatriz, nas doenças do fígado com fibroses não e uma coisa estática ou um evento unidirecional senão que estamos em um processo dinâmico e regular que é dócil à  intervenção. A ativação de células d stellate hepáticas (anteriormente conhecidas como as células de Ito) e o evento central na fibrose hepática.   Em todas as formas de lesão avançada, estas células  sofrem, uma conversão de células imóveis que acumulam a vitamina A para células que são contrácteis, proliferativas e fibrogenicas.  

 

Estas crescentes evidencias clínicas e científicas sugerem que a fibroses extensa o a cirroses nos pacientes com a função hepática conservada, no devem ser considerados como não tratáveis. As terapias atuais e futuras têm o potencial de prevenir a progressão da doença e reprimir os mecanismos endógenos que levam a  degradação das células, com a conseqüente regressão da fibrose.    

 

Vários problemas ainda são uma incógnita. A fibroses não progride com a mesma velocidade em todos os pacientes, e as respostas ao tratamento são muito diferentes. Por conseqüente, novos estudos são necessários para identificar os fatores específicos da doença que são associados para uma progressão mais lenta da fibrose e uma resposta favorável ao tratamento. Também, devem se analisar as possíveis  estratégias durante o  tratamento desenvolvido para inverter a fibroses criticamente.

 

A terapia em largo prazo com o interferon pode melhorar a fibroses nos pacientes com hepatite C crônica, inclusive quando o tratamento não responde e não negativa o vírus.   Somente esta descoberta pode justificar o uso do interferon em largo prazo, em determinadas circunstancias, nos pacientes sem resposta virológica ao tratamento. O informe de Hammel deve estimular outros estudos para desenvolver novos tratamentos para os pacientes com fibroses extensa ou cirroses.  

 

Peter A.L. Bonis, M.D.
Tufts-New England Medical Center
Boston, MA 02111

 

Scott L. Friedman, M.D.
Mount Sinai Medical Center

New York, NY 10029

                        Marshall M. Kaplan, M.D.
                        Tufts-New England Medical Center
                        Boston, MA 02111  


14/03/2001 - Fibrose hepática regride em pacientes com hepatite C responsivos ao interferon

A fibrose hepática relacionada à hepatite C regride em pacientes que apresentam resposta virológica sustentada ao tratamento com interferon, de acordo com um relatório publicado na edição de abril da Annals of Internal Medicine.

O dr. Yasushi Shiratori, da Universidade de Tóquio no Japão, e colaboradores, examinaram amostras de biópsia hepática obtidas com intervalo de 1 a 10 anos em 593 pacientes com fibrose hepática relacionada à hepatite C, destes, 487 haviam recebido tratamento com interferon.

Entre os pacientes tratados com interferon, 183 apresentavam resposta virológica sustentada, definida como uma redução sérica do RNA do vírus da hepatite C, e 304 apresentavam resposta não-sustentada, relatam os autores.

O grau de atividade na biópsia, avaliado por meio de uma escala de quatro pontos, variando de nenhuma a grave, melhorou em 89% dos pacientes com resposta sustentada, em comparação com 50% a 60% dos pacientes que apresentavam resposta não-sustentada e pacientes não-tratados, indicaram os estudos.

Além disso, o grau de fibrose, avaliado por meio uma escala de cinco pontos, variando de ausência de fibrose até cirrose, regrediu em 59% dos pacientes com resposta virológica sustentada e progrediu em apenas 3%. Em contrapartida, a fibrose progrediu em 38% dos pacientes não-tratados (e regrediu em 5%) e progrediu em 24% dos pacientes que apresentavam resposta não-sustentada (e regrediu em 19%), observam os pesquisadores.

O índice de regressão da fibrose foi de 0,28 graus de atividade por ano em pacientes com resposta sustentada, observam os pesquisadores. Por outro lado, a fibrose progrediu à taxa de 0,10 graus por ano em pacientes não-tratados e 0,02 graus por ano em pacientes com resposta virológica não-sustentada.

"A comparação nos índices de fibrose entre os pacientes tratados e não-tratados apresenta certos desvios incorporados, porque os pacientes não-tratados apresentavam um estágio mais leve de fibrose e de atividade inflamatória", reconhecem os pesquisadores.

No entanto, eles concluem, "o tratamento com interferon pareceu reduzir a progressão e causar regressão da fibrose hepática em pacientes com resposta virológica ao tratamento, e reduziu a progressão da fibrose hepática em pacientes com resposta virológica não-sustentada".

Ann Inter Med 2000;132:517-524


 

10/10/2001 - Risco de desenvolver cirrose

 

Foi publicado um interessante estudo mostrando o risco que um portador de hepatite C tem de desenvolver cirrose.

O resultado é muito menor daquilo que até hoje se estimava, chegando-se a conclusão que 10% dos portadores desenvolverão cirroses 20 anos apos a infecção. 

 

Portadores de hepatite C crônica podem evoluir para cirrose ou câncer no fígado.   Muitos estudos foram realizados para determinar quais fatores estão associados a estes riscos, porem ainda permanece uma incógnita se saber antecipadamente quem tem maior risco de chegar a uma cirroses ou desenvolver um câncer. 

 

Pesquisadores Australianos estudaram 145 estudos publicados durante o ano 2000 pela revista Medline.  Destes 88 foram excluídos por ser der pouca significância no número de pacientes. Nos 57 considerados, a maioria era de pacientes com uma idade entre 42 e 55 anos, com transaminases elevadas no momento da avaliação.   Também a maioria dos estudos foi feita com pacientes onde o risco principal não foi o uso de drogas intro-venosas. 

 

 Dependendo da natureza do estudo foram encontrados resultados que oscilaram entre 0 e 60% de risco. 

A progressão para a cirrose foi de 6,5% quando os estudos foram feitos em grupos selecionados na comunidade em geral, que se encontravam em tratamento ou controle hospitalar, e de 23,8% quando os estudos consideravam somente pacientes que receberam transfusão sanguínea.  Nos doadores de sangue, os portadores de hepatite C, já com cirroses, representam somente 3,7% e se observou 21,9% em pacientes que procuraram um medico clinico já com sintomas pela doença. 

 

Devido as grandes variações, os autores acreditam que os valores encontrados na comunidade em geral, em tratamento nos hospitais, podem ser os mais precisos para se fazer uma estimativa do risco de progressão para uma cirrose, pela qual, 10% devem chegar a uma cirrose em 20 anos de contaminação. 

 

Porem foram encontrados vários fatores que afetam a velocidade de progressão para uma cirrose.  Entre eles temos a idade do portador, indicando que pacientes com maior idade tem maiores chances de chegar a uma cirroses em menor espaço de tempo.  Também o sexo masculino progride mais rapidamente que as mulheres.  O consumo de álcool, entre 30 e 50 gramas por dias é um fator que acelera a progressão para a cirrose, assim como manter as transaminases elevadas. 

 

Cabe destacar que neste estudo foram propositalmente excluídos pacientes co-infetados com a hepatite B ou com AIDS (HIV), os quais, comprovadamente acelera a progressão para um maior dano hepático.

 

Os autores concluiriam que as avaliações de custo beneficio, nas estratégias de tratamento, ou de controle da doença, requerem o analises da evolução natural se considerando o grupo de risco, pois  as diferenças na progressão tem vários fatores associados que devem ser considerados m cada caso de forma independente. 

Novos estudos devem ser realizados, pois até o momento a estimativa era que 20% dos portadores desenvolveriam cirroses em 20 anos de infecção.  A diferença encontrada de somente 10% pode ser uma realidade ou também resultado dos critérios de seleção dos pacientes que foram incluídos em cada estudo. 

 

Reference:  A Freeman and others. Estimating Progression to Cirrhosis n Chronic Hepatitis C Virus Infection. Hepatology. 2001; 809-16.  Copyright 2001 by HIV and Hepatitis.com. All rights reserved.

Carlos Varaldo

Grupo Otimismo

 



08/07/2002

COMO AVANÇA A FIBROSE



Estudo realizado na Goteborg University and Chalmers University of Technology, Goteborg, Sweden and Royal Free and University College Medical School, de Londres, Inglaterra, coordenado pelo DR. L.O.Martin Lagging, demonstra o avanço da fibrose em pacientes portadores de hepatite C que não recebem tratamento.

Foram estudados pacientes que realizaram varias biopsias. Em alguns logo no primeiro ano da infecção, outros antes do tratamento, e depois, passado um longo período, todos eles, tratados, ou não, tiveram uma nova biopsia, que foi comparada com as anteriores.

Foi observado, que nos pacientes não tratados, o dano hepático foi superior quando o tempo entre as duas biopsias foi maior, demonstrando a evolução lenta da evolução da fibrose.

Observou-se que aqueles se contaminaram quando tinham mais de 40 anos de idade, tinham uma progressão mais acelerada da fibrose que aqueles que se contaminaram ainda jovens. Ou seja, a idade da contaminação é um prognostico importante na avaliação do avanço da doença.

Também foi observado, que o fator inflamatório pode ser o mais prejudicial para o fígado. Ou seja, a menos inflamação há menor avanço da fibrose.

NOSSO COMENTÁRIO: É muito importante ajudar o organismo a manter as transaminases nos valores mais baixos possíveis, então, nada de bebidas com álcool e vamos tentar uma dieta que não force o funcionamento do fígado.

Lembramos também, que outros fatores aceleram o dano hepático, como o excesso de ferro (ferritina) ou os depósitos de gordura (esteatoses) ou ainda danos hepáticos por medicamentos ou outras infecções.

Liver Volume 22 Issue 2 Page 136. "Progression of fibrosis in untreated patients with hepatitis C virus infection"


 

15/08/2002

 

Perguntas freqüentes sobre a cirroses 

O maior medo dos portadores de hepatite C e algum dia chegar a descobrir que o fígado chegou a cirroses.  As perguntas que recebemos, seja pelo e-mail ou pelo fórum do Grupo Otimismo são as mais variadas, a maioria delas sem fundamento.  Vamos então comentar e responder as mais freqüentes.

O que é a cirroses?

Muitas doenças atacam o fígado, e algumas delas conseguem alterar a estrutura e funcionamento do órgão, endurecendo o mesmo, o que dificulta a circulação sangüínea.  Neste ponto muitas funções do fígado ficam prejudicadas, deixando de realizar a contento duas funções, ocasião em que passa a ser chamado de um fígado cirrótico.

As doenças mais comuns que resultam numa cirroses, são as hepatites pelos vírus B, C e D, o consumo de bebidas alcoólicas, a obstrução do conduto biliar, doenças hereditárias como a hemacromatoses (deposito de ferro no fígado) ou a doença de Wilson (deposito de cobre no fígado), agentes tóxicos, e a esquitososmoses, entre outras.

É perfeitamente possível conviver por anos com um fígado com cirroses, porem e um estado crônico e irreversível.  Atualmente alguns pesquisadores afirmam que em estágios iniciais e possível regredir o grau de cirroses, porem, esta teoria ainda se encontra em discussão.

Por meio de exames de sangue ou pela biopsia, na maioria dos casos e possível se determinar a causa da cirroses, principalmente se a causa e por vírus ou de origem metabólica.  A cirroses por consumo de álcool geralmente e determinada pelo histórico do paciente.  Em alguns casos os resultados dos exames de sangue, ou por imagem, são concludentes, não sendo necessária a realização de uma biopsia.

Deve-se se considerar que não todos os alcoólatras desenvolvem a cirroses, alguns somente desenvolverão depósitos de gordura no fígado (esteatoses) e outros nada sofrerão.  Até o consumo diário, social, pode desenvolver cirroses em pessoas com alimentação inadequada ou fatores genéticos.  Nas mulheres a tolerância ao álcool e menor que nos homens.  Estimasse que o álcool acelere a progressão para a cirroses em pessoas infectadas com as hepatite B e C.

Existem dos graus muito diferentes na cirroses, que são chamados de “compensada” e “descompensada. Em geral a cirroses compensada não apresenta sintomas significativos, sendo que alguns podem sentir falta de apetite ou um cansaço um pouco superior ao normal.

Na fase compensada o ideal e tratar as causas da cirroses, por exemplo, nas hepatites por vírus são usados o interferon e os antivirais, na hepatite auto-imune são usados corticosteroides e imuno-supressores, e na hemacromatoses podem ser realizadas sangrias.

Tratando as causas é dado ao fígado chances de regenerar células hepáticas se mantendo o paciente estável por muitos anos, praticamente sem sintomas.  Os pacientes estáveis podem continuar com suas atividades normais, tanto sociais como no trabalho.  Não existe nenhuma dieta especial para os cirróticos compensados, sendo recomendada uma alimentação leve, balanceada e saudável.

A medida que começam a aparecer as descompensações podem aparecer sintomas como a icterícia, caracterizada pela cor amarelada da pele ou do fundo dos olhos; a ascites, popularmente chamada de “barriga de água” que é a acumulação de fluido no abdome; as hemorragias digestivas que é identificada pelos vômitos com sangue ou pelas fezes escuras, é, a encefalopatia, que representa um dos sintomas de dano hepático mais avançado e se caracteriza pela desorientação e confusão mental, podendo chegar até o coma.

A ascites, a hemorragia e a encefalopatia requerem tratamento hospitalar. Na ascites e necessário uma dieta estrita, reduzindo drasticamente o consumo de sal e no acumulo exagerado e necessário retirar os fluidos por meio de uma punção.

A hemorragia e tratada por diferentes procedimentos, objetivando evitar recaídas, e a encefalopatia, alem de medicamentos devem ser suprimidas as proteínas de origem animal da dieta do paciente.

Outras complicações que apresenta o individuo com cirroses, podem ser uma menor resposta do sistema imunológico, facilitando as infecções, principalmente as bacterianas, também pode ser necessário diminuir as dosagens de alguns medicamentos, devido a problemas de metabolização das drogas, dificultando a realização de qualquer intervenção cirúrgica.

O paciente cirrótico pode tomar medicamentos, porem sempre com controle do médico assistente.  Especial atenção deve ser dada a medicamentos de sedativos, antiinflamatórios, analgésicos, antidepressivos e antihipertensivos.

Pacientes cirróticos tem uma maior propensão a desenvolver problemas renais, ulcera no estomago, diabetes e cálculos na vesícula.

Finalizando, é necessário ressaltar que não todos os pacientes com cirroses são candidatos a um transplante de fígado, pois na maioria dos casos o fígado poderá cumprir suas funções durante muitos anos.  A indicação para o transplante surge quando as descompensações se repetem é a expectativa de vida do paciente e pequena, geralmente igual ao tempo de espera por um órgão na fila do transplante.

 



30/08/2002

Regressão ou progressão da fibrose



A maior apreensão dos portadores de hepatite C geralmente se refere ao avanço da fibrose. Muitos nos perguntam quantos anos ainda faltam para evoluir para uma cirrose, ou quantos anos de vida ainda ficam.

Ninguém poderá responder isto com certeza, pois não existe nenhum método exato para se determinar à progressão da doença hepática em determinada pessoa. A fibrose e simplesmente uma cicatriz formada pela acumulação de células, que podem ser regeneradas, o seu lento avanço leva a formação de nódulos, uma característica da cirrose. As causas da fibrose incluem doenças congênitas, metabólicas, inflamatórias ou tóxicas que atacam o fígado.

O que deve ser considerado, é, que o avanço da fibrose se realiza de forma muito lenta. Os diversos genótipos do vírus da hepatite C não influem na velocidade da progressão da fibrose. Na hepatite C, em pessoas sem outras complicações ou fatores de risco, em condições normais, o tempo de evolução da fibrose para chegar a desenvolver cirrose e superior aos 20 anos. Nos casos mais rápidos a cirroses pode chegar em 13 anos, e nos mais lentos em 42 anos. Os fatores de risco mais comuns para acelerar a progressão são o uso de bebidas contendo álcool ou ter sido contaminado com a hepatite C após os 40 anos. Outros problemas podem acelerar a fibrose, entre os quais os mais perigosos são a obstrução dos condutos biliares ou das veias do fígado. Um alcoólatra, portador de hepatite C, poderá desenvolver a cirroses em até 3 anos.

A severidade da inflamação do fígado (transaminases elevadas) normalmente é considerado um fator prognostico de progressão da fibrose. Também outras agressões ao fígado aumentam a aceleração do dano hepático, como o contagio com uma outra hepatite viral, como as hepatites A, B, D ou E. (todos os portadores de hepatite C deveriam tomar as vacinas contra as hepatites A e B. Esta última também previne a D). A co-infecção pelo HIV também pode acelerar o avanço do dano hepático pela hepatite C.

A esteatoses (deposito de gordura no fígado) e uma das maiores preocupações da vida moderna, devido a alimentação incorreta em conjunto com a vida sedentária, aumentando a inflamação do fígado. Deposito de ferro ou cobre no fígado, diabetes, obesidade, os radicais livres ou a idade avançada, também aceleram a fibrose.

A fibrose pode ser reversível quando o agente causador e eliminado do organismo. Dai a importância do tratamento da hepatite C tentando acabar com o vírus. Acredita-se que todos os casos de fibroses possam regredir em algum grau. Somente nos casos cirróticos e que ainda existe discussão acadêmica sobre se é possível regredir as cicatrizes formadas pela cirrose. Muitos pesquisadores estão abordando este tema.

Estudos estão em andamento para se poder medir o grau de fibroses por um simples exame de sangue, porem, na atualidade, somente a biopsia é o único exame que consegue medir com certeza o grau de fibroses existente no fígado. Quando realizar uma biopsia, exija do patologista que seja empregada uma escala conhecida, como a METAVIR ou a de KNODELL. Não aceite resultados só descritivos, pois o laudo vai ser subjetivo dependendo da interpretação do patologista. Guarde sempre as laminas em seu poder, para comparações futuras.

Ainda não existe nenhum medicamento ou tratamento realmente comprovado para diminuir o grau de fibrose. Somente a eliminação do agente causador e que consegue diminuir a fibrose.

Nos casos em que o vírus não consegue ser eliminado pelo tratamento com interferon e ribavirina, se procura reduzir a inflamação, normalizando as transaminases, sendo esta a melhor das opções que devem ser procuradas pelo médico.

Como métodos alternativos o uso de antioxidantes (vitaminas C e E, ou acido Omega3) ou hepato protetores (Sylimarina) podem configurar uma ajuda importante, ajudando a eliminar os radicais livres originados pelo excesso de ferro, cobre ou por outros depósitos não corretamente metabolizados pelo fígado.

Medicamentos que tem propriedades antifibroticas estão sendo estudados. Entre eles temos os corticosteróides que são usados, porem a sua atividade e somente antiinflamatória, não tendo propriedades antifibroticas. O uso continuo do interferon, da ribavirina ou do acido ursodexolico também estão sendo estudados para reduzir a fibrose. Drogas antialérgicas que mostram efetividade na inflamação dos rins ou do coração também estão sendo estudadas em relação a inflamação no fígado. Diversas ervas usadas na China também estão sendo objeto de pesquisas.

Todos estes estudos ainda se encontram em andamento. Não deve o portador se automedicar. Sempre, antes de tomar qualquer produto, inclusive os chamados naturais, o médico deve ser consultado.

O futuro nos reserva, a curto e meio prazo, formas efetivas de controlar a progressão da fibrose, como também a poder medir o dano hepático por métodos não invasivos, sem necessidade de realizar uma biopsia.


 

23/10/2002 

 

 

O cigarro na hepatite C

 

 

Já esta comprovado que o consumo de álcool é um fator que pode agravar o dano no fígado, acelerando a progressão da fibroses ou da cirroses. É o que acontece com os fumantes?  O cigarro é prejudicial?

 

Foi publicado na revista Hepatology do mês de julho, um estudo mostrando que o cigarro também pode agravar o dano hepático causado pela hepatite C.

 

Os autores examinaram as biópsias  de 310 pacientes com hepatite  C crônica que estavam sendo hospitalizados para a primeira biópsia. Então compararam as biópsias de pacientes que eram fumantes (176 pacientes) e as dos ex-fumantes (56 pacientes) com as biópsias de pacientes que nunca tinham fumado (77 pacientes).

 

Foi encontrado nos fumantes e ex-fumantes um maior grau de fibrose ou cirrose que a encontrada nos não fumantes.   Os autores concluíram que os pacientes com hepatite C deveriam ser informados que fumando cigarros podem piorar a doença.

 

A hepatite C pode danificar o fígado seriamente. Qualquer estudo objetivando formas de minorar os danos é potencialmente importante. Porém, sempre uma pergunta deve ser feita, como foi feito o estudo para chegar a estas conclusões? Como o fato de fumar cigarros pode ocasionar um maior dano ao fígado? 

 

Este estudo é baseado em fatos observados na pratica diária, não é um estudo de acompanhamento por vários anos de portadores de hepatite C, já que por ser uma doença recentemente descoberta as series estatísticas ainda são pequenas, porem como o mesmo foi realizado por pesquisadores conceituados e ainda são citados uma serie de estudos publicados em revistas cientificas sobre o tema, alguns estudos muitos conceituados que estudaram a relação entre o cigarro e o dano hepático na hepatite B, aceitos pela comunidade internacional.  Assim, achamos, que este estudo deve ser levado em consideração, servindo como um alerta aos portadores.

 

O estudo não consegue determinar o efeito do cigarro no dano hepático causado pela hepatite C, porem fica evidente a incidência de maior dano hepático nos pacientes fumantes.

 







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Last updated 22.11.2004
Contatos: hepato@hepato.com