Os artigos desta página são resumos extraídos dos livros acima citados
Estes artigos fazem parte dos livros “Convivendo com a Hepatite C” e “A Cura da Hepatite C” – Proibida sua reprodução total ou parcial sem autorização expressa do autor, Carlos Varaldo
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O que é a hepatite C
Hepatite C — Assassino silencioso?
São tantos os contaminados que a maioria dos governos censura as informações
(Permitida sua reprodução total ou parcial deste artigo, citando a fonte)
Incidência no mundo
World Healt Organization
OMS – Organização Mundial da Saúde
Prevalência Mundial da Hepatite C em Junho de 1999
Mapa da prevalência da hepatite C no Mundo publicado pela OMS – Organização Mundial da Saúde em 21/01/2000 no Weekly Epidemiological Record, N°: 3, 2000, 75, 17-28, página 3 ![]()
O país com maior incidência é o Egito, com mais de 15% da população contaminada. Os Estados Unidos têm 2% da sua população infectada. No mundo, aproximadamente 200 milhões de pessoas estão contaminadas, o que torna a hepatite C a maior epidemia da história da humanidade. O principal problema é que mais de 90% dos infectados desconhecem estar doentes, podendo contaminar outras pessoas e deixando de adotar qualquer tratamento.
Atualmente, a maior causa para a indicação de transplantes de fígado são os casos de cirrose derivados da hepatite C. O tratamento da hepatite C é ainda impreciso e não totalmente adequado. Felizmente, nos últimos anos houve avanços consideráveis e há muitos tratamentos promissores em fase de pesquisas. Embora a doença seja ainda incurável para aproximadamente metade dos tratados, inúmeras pessoas com hepatite C mantêm suas vidas totalmente normais e, na maioria, não apresentam sintomas. Outros, aproximadamente metade de tratados, conseguem a cura da doença.
Os fundamentos da hepatite
A hepatite C é uma doença do fígado comprovadamente adquirida pelo contato com sangue. É causada pelo vírus HCV, conhecido anteriormente como vírus não A / não B. Foi descoberta e identificada recentemente (1989) e sua forma de atuar ainda é conhecida apenas por um reduzido número de médicos. Sendo uma doença geralmente assintomática, e devido a esse relativo desconhecimento pelos médicos, em função da falta de atualização profissional, a hepatite C deixa, freqüentemente, de ser diagnosticada e tratada nos pacientes.
É comum escutar-se de um médico que determinado exame deu resultado positivo, provavelmente, por causa da presença de anticorpos, no caso de pacientes que já tiveram hepatite, e que podemos ficar tranqüilos pois, não havendo nenhum dos sintomas das hepatites tradicionais, isso indica que o paciente está saudável. Ledo e grave engano do profissional que, por falta de conhecimento ou atualização, nos últimos seis ou sete anos, manda o paciente para casa com uma grave doença assintomática.
Médicos desatualizados ainda acreditam que todos os doentes de hepatite ficam extremamente cansados, com pele, olhos e urina amarelados. Na ausência desses sintomas, cometem o erro. Talvez, este desconhecimento dos médicos venha a se transformar em um dos maiores problemas que os sistemas de saúde em todo o mundo terão de enfrentar no futuro.
A hepatite C é perigosa pois, em 85% dos casos, torna-se crônica, podendo evoluir para uma provável cirrose ou câncer no fígado. O período de evolução da doença é estimado em 20 a 30 anos, sendo que cada organismo reage diferentemente. Este prazo depende também dos cuidados e do modo de vida do paciente.
Conselhos aos portadores: Procure um médico especializado em hepatite C. Continue com a sua rotina diária durante o tratamento. Leia tudo o que puder sobre a doença. Mantenha uma atitude positiva. Freqüente grupos de apoio: você precisa saber que não está sozinho nesta luta!
Conceitos gerais sobre a hepatite C
A palavra hepatite é formada de dois elementos: hepat(o) + ite, o primeiro referente ao grego para fígado e o segundo, sufixo usual das inflamações. Existem muitos tipos de hepatite, que por sua vez podem ter causas muito diversas. Todas provocam a inflamação do fígado. Esta inflamação do fígado tem caráter infeccioso quando se trata de uma conseqüência de uma contaminação por vírus. A hepatite virótica é decorrente de várias doenças contagiosas causadas por vírus que atacam o fígado. O tipo de hepatite, neste caso, depende do tipo de vírus pelo qual o portador foi contaminado.
Os tipos mais importantes de hepatites viróticas são a hepatite A, hepatite B, hepatite C e a hepatite D. Formas recentemente descobertas de hepatites viróticas também incluem as hepatites E, F e G. Outros vírus também causam hepatite, entre os mais conhecidos temos o do dengue, da malária e uma infinidade de outros.
Formas não-viróticas de hepatite podem ser causadas por agentes tóxicos (drogas ou substâncias químicas), medicamentos, álcool, ou processos auto-imunes.
Hepatite tóxica é uma deterioração das células, causada por substâncias químicas, como álcool, drogas e combinações de produtos industriais. Abuso de álcool é uma causa comum de dano tóxico. Exposições a substâncias químicas ou tóxicas não podem causar hepatite virótica, como hepatite A, B ou C. Só a exposição ao próprio vírus pode causar infecções por essas formas de hepatite.
Hepatite auto-imune é uma inflamação progressiva do fígado associada a uma anormalidade do sistema imunológico, que se torna incapaz de controlar respostas contra suas próprias substâncias, causando destruição do tecido hepático e mau-funcionamento. A hepatite tóxica e a hepatite auto-imune não são contagiosas.
Existe a cura da hepatite C?
Com a veiculação pela televisão do anuncio do Grupo Otimismo divulgando a hepatite C, no último trimestre de 2002, recebemos comentários de pessoas surpresas com o uso da palavra CURA, referindo-se à doença. Vamos, então, explicar por que a palavra cura já é empregada pelos médicos e pesquisadores em todo o mundo.
Vamos realizar uma pequena viagem pelo mundo da medicina, entendendo que, praticamente, nenhum medicamento cura 100% dos pacientes, qualquer que seja a doença. Isto se aplica tanto a medicamentos como a vacinas, e sempre uma parte dos tratados ou não consegue a cura ou, no caso das vacinas, não consegue imunidade.
Por que alguns pacientes conseguem vencer uma doença e outros não é algo que pode advir de diversos fatores. As variáveis podem ir desde o nível de defesas de um individuo à atividade de seu sistema imunológico, o estágio da doença no momento do tratamento, idade, o fato de sofrer de outras doenças simultaneamente e até dever-se a uma alimentação pobre, deficiente, que não fornece os nutrientes necessários ao organismo.
Quando falamos sobre o câncer e, como exemplo, podemos citar o câncer de mama nas mulheres ou o câncer de próstata nos homens, sabemos que ambos podem ser tratados e têm cura. Porém, muitas pessoas não conseguem resultados e acabam morrendo. Isto não invalida afirmar que estes tipos de câncer têm cura. Todos concordam que existe possibilidade de cura do câncer e que vale a pena tentar o tratamento; assim como todos aceitam que alguns não conseguirão a cura.
A hepatite C foi descoberta recentemente. Temos na matéria 13 anos de conhecimento e experiência. Assim, alguns médicos, sem o devido conhecimento cientifico, têm sustentado determinadas inverdades sobre a doença.
Muitos portadores, ao receber o diagnóstico, escutam do médico que a hepatite C irá se transformar em cirrose, depois num câncer, e que o paciente inevitavelmente morrerá vítima da doença. Outros escutam que a hepatite C não tem cura, só controle. Outros, ainda, que a hepatite C é pior do que a AIDS... E, assim por diante, poderíamos citar uma lista interminável de besteiras, ditas por quem não sabe direito do que está falando.
Em relação ao desenvolvimento da cirrose nos infectados pela hepatite C, os dados existentes até o ano 2000 indicavam que entre 20 e 25% dos infectados desenvolveriam cirrose, duas ou três décadas após a infecção, e que o restante morreria de velhice antes de desenvolver um dano hepático grave. Porém, estudos recentes mostram que este número está superestimado, e que o índice certo dos que desenvolverão cirrose nas duas ou três décadas depois da infecção se situa entre 10 e 15%. Portanto, trata-se de um panorama muito mais alentador do que o que nos passavam até pouco tempo.
Em relação à possibilidade de o portador desenvolver um câncer, o índice é muito menor; entre os cirróticos, somente 5% ao ano desenvolvem câncer. O grave risco do câncer no fígado é nos infectados pela hepatite B.
Já quando falamos no sucesso conseguido pelo tratamento, o grande problema é o teste PCR. ( PCR (Polymerase Chain Reaction): teste para identificar pequenos fragmentos de vírus DNA e RNA no sangue. ) Até pouco tempo, somente existiam testes de PCR com pouca sensibilidade. Porém, a cada dia aparecem testes de PCR capazes de detectar um número menor de vírus. Hoje, já dispomos, com facilidade, de testes que conseguem detectar e dar um resultado como positivo quando encontram apenas 50 vírus por mililitro de sangue.
O ideal seria dispor de um teste que, na presença de um único vírus, apresentasse resultado positivo ¾ e nesse caso, quando o teste não desse positivo, poderíamos ter a certeza de que não restaria nenhum no organismo.
No entanto, quando nos referimos à hepatite C, geralmente falamos em milhões de vírus por mililitro (há alguns casos em que já foi observado até um bilhão por mililitro de sangue). Assim, o valor de 50 vírus é realmente muito pequeno, insignificante, embora seja um organismo capaz de rápida replicação.
Quando se encontram menos de 50 vírus ou não se encontra nenhum, o resultado do teste aparece como indetectável, palavra corretamente usada, pois, como fica a dúvida de se existem ou não menos de 50 vírus, não se poderia usar negativo.
Seis meses depois de terminado o tratamento, para se saber se este alcançou um resultado sustentado, ou seja, que se manteve estável, é preciso realizar o teste de PCR. Daí, por precaução, durante muitos anos, usou-se o termo controle da infecção. Nos últimos sete anos, milhares de pacientes de todo o mundo alcançaram sucesso no tratamento, conseguindo o ansiado resultado sustentado aos 6 meses após o término dos procedimentos.
Mas, o que aconteceu com estes pacientes? Hoje, dispomos de uma série de estudos que acompanham pacientes como estes por anos a fio, para saber se o vírus voltou a se replicar, ou seja, se o paciente voltou a ter um resultado positivo no teste de PCR.
Os resultados de diferentes estudos mostram que, após três anos do final do tratamento, entre 97 e 98% dos pacientes que apresentaram resultado sustentado aos seis meses após o tratamento continuam com o vírus indetectável aos três anos. Outros estudos já acompanham pacientes há quatro, cinco (como no meu caso) e até mais anos, e o vírus continua indetectável.
Como o vírus da hepatite C é de rapidíssima replicação (um portador produz até um trilhão de vírus por dia), seria de se supor que, caso tivesse restado algum vírus no organismo do paciente, este já teria tido condições de se reproduzir acima do valor de detecção de 50 unidades ¾ e, de fato, isso acontece com um percentual elevado de pacientes nos primeiros seis meses após o tratamento. Porém, ao se estudar o que acontece nos pacientes com resultado indetectável aos seis meses, verificou-se que menos de 3% apresentaram replicação nos 30 meses seguintes.
Com o resultado encontrado nestes estudos, passou-se a usar a palavra CURA em relação à hepatite C, podendo se afirmar que o vírus não se reproduz porque foi eliminado totalmente do organismo.
Os céticos e alguns portadores, revoltados porque não conseguiram sucesso no tratamento, irão contestar o uso da palavra cura. Porém não podemos nos basear em casos pessoais e sim observar o que acontece com grandes grupos de tratados, e com o total dos portadores.
Quantos realmente conseguem a cura
Quantos conseguem a CURA é ainda uma grande dúvida. Publicações recentes mostram casos em que se usou o Interferon Peguilado combinado a Ribavirina, conseguindo resultados sustentados em 54 ou até 56% do total de tratados. Ou seja, uma metade fica satisfeita e passa a acreditar na cura, enquanto a outra metade, a dos portadores que não conseguiram bons resultados, fica desiludida e discorda do termo cura.
No entanto, será que podemos usar esta média para o total dos infectados? Não. Generalizar este número seria enganar os portadores, pois os critérios para participar de um protocolo de pesquisa são definidos por normas rígidas, seletivas, excluindo uma série de portadores que não podem participar do estudo clínico, seja por idade, grau da doença, condições clínicas etc., e que fazem parte do total da população infectada. Assim, este dado se refere somente ao perfil da população que participou do estudo e não ao total de infectados, quando na realidade, se quisermos saber quantos dos atuais infectados conseguirão a cura, encontraremos um percentual inferior de sucesso, já que muitos não podem ser tratados.
Resumindo, não podemos falar em 54 ou 56% de resposta para o total dos infectados, e sim para aqueles que podem receber o tratamento. Ao tentar calcular quantos, no total de infectados, conseguirão a cura, devemos incluir todos aqueles que não podem receber o tratamento, como os anêmicos, os cirróticos descompensados, os altamente depressivos e os que têm outras doenças impeditivas. Então, o percentual dos que conseguirão eliminar o vírus será inferior. Em contrapartida, também não podemos deixar de incluir neste universo os 15% que, uma vez infectados, conseguem a eliminação espontânea do vírus, o que vai aumentar este mesmo percentual. Não existem bancos de dados que permitam, até o momento, efetuar um cálculo exato.
Outra incógnita é qual será a resposta ao tratamento em uma determinada cidade ou região. E já sabemos que fatores genéticos influem na resposta obtida. Está comprovado que pessoas de pele escura conseguem um resultado inferior aos de pele branca, que a idade da infecção é um dado importante, que a idade do paciente também influi, que as mulheres respondem melhor do que os homens e que as pessoas magras ou com peso normal respondem melhor do que os gordos. Então, será que os infectados de uma determinada região são física e geneticamente iguais àqueles que participaram dos estudos clínicos?
No caso das discrepâncias genéticas ¾ algumas populações respondem melhor ao tratamento do que outras ¾, somente o avanço dos estudos nesta área específica poderá desfazer o enigma. E por que 15% dos infectados se curam sem necessidade de medicamentos? Quais genes ou proteínas diferentes possuem tais indivíduos? Não será este o caminho para pesquisa de novos tratamentos, ou vacinas?
Os protocolos existentes até o momento incluem um grande número de caucasianos (Europeus e Norte Americanos), e em alguns países, como no Brasil, a miscigenação é muito variada, alterando-se inclusive de região para região na mistura do elemento branco (de diversas procedências e histórias) ao índio, negro, oriental etc.. Nossa bendita salada de raças e culturas ainda não pôde, devido talvez à escassez de tempo de pesquisa dedicada ao assunto, ser estudada no que toca a sua resposta ao tratamento.
Curiosamente poderemos ter surpresas para ambos os lados; poderemos ficar deprimidos por alcançarmos uma resposta menor do que esperamos ou contentes por termos uma resposta superior. Somente o tempo poderá nos fornecer séries estatísticas confiáveis. Por enquanto, devemos tratar aqueles que têm indicação de estarem contaminados pelo vírus... e observar o que acontece.
O que podemos afirmar, hoje, é que existe, sim, a cura da hepatite C, devidamente comprovada, para alguns dos tratados. Os números a cada dia são mais alentadores. Até 1995, só era administrado o monotratamento com Interferon, e apenas 12% dos tratados conseguiam resultados. Depois de acrescentada a Ribavirina ao tratamento, os números começaram a subir, até que, com o Interferon Peguilado, chegamos aos dados apresentados recentemente, que somente o tempo poderá confirmar ou apurar.
Acontece que não tem a menor importância, no momento, definirmos quantos conseguem se curar. Nem isso interessa a quem se descobre infectado. Fazer o tratamento é não só imperativo como também, efetivamente, uma esperança. O principal é saber que existe a cura, e que milhares de pesquisadores estão estudando como melhorar o tratamento, testando novas drogas etc.
Já temos a cura! Vamos rezar agora para que os pesquisadores sejam iluminados e para que em poucos anos esta cura se torne possível para a grande maioria dos infectados.
A hepatite C é doença de notificação compulsória ?
No Brasil, desde janeiro de 2000, o médico é obrigado a informar à Secretaria de Saúde de seu município sobre qualquer caso de hepatite C.
As principais mentiras sobre a hepatite C
É triste escutar alguns médicos solicitarem à família do portador para ter
cuidados com os utensílios que ele usa, como pratos, copos, talheres, toalhas,
lençóis ou roupas. Se um médico disser isto, troque imediatamente de médico, e
se possível denuncie-o, pois um médico como esse precisa voltar à faculdade.
Não é possível aceitar que, por falta de atualização, a hepatite C ainda seja
comparada às hepatites A e B, com as quais nada tem em comum, principalmente na
forma de contágio.
A contaminação doméstica é muito rara. São necessários apenas alguns cuidados
especiais, não compartilhando escovas de dente ou qualquer objeto
perfurocortante, como os alicates de manicura, aparelhos de barbear ou seringas.
MENTIRA 2 – A hepatite C é transmitida sexualmente
Não é verdade. A hepatite C pode ser transmitida por via sexual, porém é pouco
provável, pois, para que isto aconteça, é necessário que exista uma ferida em
contato com o sangue contaminado do parceiro sexual. Somente por essa
possibilidade, é recomendável adotar o sexo seguro, usando sempre a
camisinha.
MENTIRA 3 – Alta carga viral é perigosa
Não há nenhuma relação. Há pessoas com altíssima carga viral e nenhum dano
hepático, enquanto outras, com cargas baixas, podem avançar rapidamente para a
cirrose. A quantidade de vírus não indica um ataque mais violento da doença ou
a existência de um fígado danificado. Ao que parece, o sistema imunológico, a
atitude positiva e o estilo de vida são os itens mais importantes para evitar um
rápido avanço da doença.
Só o que pode ser afirmado é que uma alta carga de vírus pode indicar uma demora
na resposta inicial do tratamento. A maior importância de determinar a carga
viral é monitorar a resposta ao tratamento.
MENTIRA 4 – Transaminases normais indicam um fígado saudável
É impossível saber o estado do fígado sem a realização de uma biópsia, único
teste capaz de medir o dano hepático existente. Somente em casos de cirrose
avançada, alguns exames de sangue podem, então, mostrar o estado do fígado, já
cirrótico, sem necessidade da biópsia. Muitos portadores com transaminases
normais evoluem para a destruição progressiva do fígado.
MENTIRA 5 – O genótipo 1 é o mais perigoso
Pode ser o mais difícil de responder ao tratamento e o mais resistente ao
Interferon, porém, no que se refere ao prognóstico da evolução da doença, não
tem nenhuma significância. O genótipo não indica a velocidade de ataque do
vírus, assim como não existem indicações de que um genótipo seja mais agressivo
do que outro. Pelo contrário, ao que se sabe, todos se comportam de modo
similar.
MENTIRA 6 – Todos os portadores são cobaias
Existem em andamento muitos ensaios e protocolos clínicos realizados e
financiados por fabricantes e universidades. Ao se oferecer a portadores a
participação em um protocolo, estes ensaios já se encontram na Fase II ou III,
quando as drogas usadas já foram testadas em animais e em alguns poucos
voluntários. Na Fase III, são testados a dosagem ideal e os efeitos em
milhares de pessoas, sendo uma boa oportunidade para muitos conseguirem o mais
avançado tratamento e exames gratuitos.
Como os avanços acontecem muito rapidamente, é provável que o tratamento que
realizamos atualmente seja modificado no meio do caminho, o que leva muitos
portadores a pensar que estão sendo tratados como cobaias de laboratório.
MENTIRA 7 – Os efeitos colaterais são intoleráveis
A maioria dos portadores inicia o tratamento assustada, imaginando que os
efeitos do tratamento são terríveis. Isto não é verdade. Salvo algumas
exceções, que não chegam a 10% dos tratados, o restante descobre que o
tratamento é amplamente suportável.
MENTIRA 8 – Vou morrer de hepatite C
A verdade é que todos vamos morrer. Porém podemos afirmar que a maioria dos
portadores vai morrer com a hepatite C, e não por culpa
da hepatite C.
A descoberta precoce da contaminação propicia a oportunidade de realizar
controles e, se necessário, o tratamento, nos ensinando a mudar nosso modo de
vida. É muito provável que tais mudanças em nosso cotidiano e estilo de vida,
eliminando as bebidas alcoólicas, mantendo uma alimentação saudável, com
atitudes mentais positivas e um melhor cuidado da parte física, todas elas
derivadas do susto que levamos ao descobrir a doença, nos outorguem uma
expectativa de vida muito superior àquela que teríamos, mantendo os hábitos
antigos.
MENTIRA 9 – A hepatite C não tem cura
Por problemas éticos, alguns médicos ainda usam as palavras indetectável
ou negativado em vez da palavra cura. Outros são
enfáticos em falar em cura da hepatite C. Pessoalmente concordo
com estes últimos.
Os médicos do primeiro grupo acham que o PCR mais sensível disponível somente
consegue detectar o genoma do vírus se a quantidade for superior a 50 unidades,
não podendo, por enquanto, usar a palavra CURA. Somente quando existir um PCR
que detecte a presença de um solitário genoma é que se poderia empregar a
expressão CURADO.
Devemos considerar que não existem dados estatísticos de longo prazo, já que a
hepatite C foi descoberta somente há 13 anos e que os primeiros grandes grupos
de pacientes tratados remontam a sete ou oito anos.
Os médicos do segundo grupo afirmam, e grandes estudos provam isto, que
pacientes que continuam com o vírus indetectável seis meses após o final do
tratamento têm chances de 97 a 98% de continuar livres do vírus e com as
transaminases normais por muitos anos. Nestes pacientes, caso tivesse ficado um
simples vírus, o mesmo teria se multiplicado muito acima de 50 unidades, durante
este período, o que seria detectado pelo PCR. Podemos afirmar que tais
pacientes conseguiram erradicar totalmente o vírus do organismo, e que portanto
conseguiram curar-se doença.
MENTIRA 10 – Para que tratar se poucas pessoas respondem ao tratamento?
Mentira, pois a probabilidade de resposta ao tratamento depende de cada
indivíduo, independente do genótipo ou do dano hepático existente, e não existe
nenhum exame que possa determinar qual resposta o paciente vai ter.
Até nos casos em que o vírus não é eliminado existe uma melhora no estado do
fígado e nas condições de vida do paciente, e isto já é um grande ganho.
A resposta ao tratamento nos genótipos 2 e 3 chega a mais de 70% dos tratados,
com o que podemos afirmar que as drogas atuais são altamente eficazes para
combater estes vírus. Somente no genótipo 1, lamentavelmente o mais freqüente
no nosso meio, é que a resposta ao tratamento se situa entre 30 e 42%,
dependendo do Interferon empregado.
MENTIRA 11 – A hepatite C pode ser tratada com tratamentos alternativos
Está amplamente comprovado que somente o Interferon consegue eliminar a hepatite
C. Os tratamentos alternativos, à base de ervas, suplementos vitamínicos e
minerais, técnicas orientais, místicos e outros tantos mais, são excelentes
coadjuvantes do tratamento médico.
Também são de grande valor para pessoas que não necessitam ou não podem ser
tratadas, pois ajudam a melhorar o estado físico e mental, retardando o avanço
da doença. Muitos tratamentos alternativos aumentam as defesas do sistema
imunológico e proporcionam uma sensação de bem-estar que ajuda a combater ou até
frear o avanço da doença.
Porém, se um terapeuta afirmar que pode conseguir a cura somente com o
tratamento alternativo, o melhor que você pode fazer é abandonar imediatamente
este terapeuta e procurar outro profissional. |
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