Avanço no plano de eliminação da hepatite C esbarra na burocracia

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Em 2018 não será possível cumprir a promessa de tratar 50.000 infectados com hepatite C, conforme foi apresentado no Summit internacional em novembro do ano passado e divulgado até recentemente pelo Departamento IST/Aids/Hepatites Virais.

Em 2015, 14.000 tratamentos foram realizados (com os novos medicamentos e com interferon peguilado), já em 2016 receberam tratamento com os novos medicamentos 36.600 infectados, em 2017 acontece a primeira queda no número de pacientes contemplados, resultando em 23.000 tratamentos e, para 2018 a promessa de atender 50.000 infectados será impossível de cumprir, o próprio Departamento IST/Aids/Hepatites Virais reconhece que deverá ficar em aproximadamente 19.000 tratamentos.

Dos 50.000 tratamentos prometidos para 2018 já estamos quase na metade do ano e até o momento somente 4.800 foram distribuídos, indicando que é impossível se cumprir a meta estabelecida no plano de eliminação da hepatite C para o ano. Caso exista algum plano para recuperar o tempo perdido porque não é informado a população?

Em março foi publicado o novo protocolo de tratamento contemplando todos os infectados, com qualquer grau de fibrose e, introduzindo os medicamentos sofosbuvir / ledipasvir (Harvoni®) e elbasvir / grazoprevir (Zepatier®).

Em função do novo protocolo e por orientação do Departamento IST/Aids/Hepatites Virais os médicos começaram a indicar esses dois novos medicamentos para infectados com o genótipo 1, mas não existem perspectivas de quando esses medicamentos deverão chegar aos pacientes, sendo muito provável que alguns dos exames exigidos já estejam vencidos e deverão ser solicitados novamente prejudicando os pacientes.

Se o estoque de medicamentos acabou e não foram adquiridos os novos o programa parou por falta de medicamentos, mas porque isso não é informado a médicos e pacientes?  Porque pela falta de medicamentos estão paradas as campanhas de diagnostico, de busca dos infectados?

Também foram prometidos a incorporação dos dois novos medicamentos pan-genótipo, que atendem a todos os genótipos e são o que mais de moderno existe no mundo, mas também continuamos aguardando. Sem esses dois medicamentos incorporados não será possível cumprir o plano de eliminação.

Acredito que o governo esteja correndo e dependendo da agilidade da ANVISA em 28 de julho, dia mundial da hepatite, poderá ser anunciado um novo protocolo de tratamento já com todos os medicamentos, momento em que será possível se realizar a compra estimando-se que finalmente entre setembro e outubro os medicamentos chegarão aos pacientes.

É necessário a realização da compra dos 50.000 tratamentos previstos no orçamento para atender os 12 meses seguintes, pois se o governo comprar menos e não utilizar o valor constante no orçamento de 2018 é provável que em 2019 o nosso orçamento seja menor, pois o Ministério do Planejamento ao ver que não foi gasta a verba total em 2018 poderá estabelecer um valor menor para 2019.

Devemos não perder a esperança e dar um credito a ANVISA, Conitec, DAF, SVS, Departamento IST/Aids/Hepatites Virais e Ministério da Saúde para juntos em 28 de julho, Dia Mundial da Hepatite, comemorarmos todos juntos um novo protocolo com a incorporação de todos os medicamentos prometidos. Não é momento para procurar culpados e sim para acelerar a solução.

CONSIDERAÇÕES

É compressível que o Departamento IST/Aids/Hepatites Virais está assoberbado de trabalho com o aumento de casos de sífilis, com a campanha de prevenção da Aids, com o PREP, mas não podem as hepatites ficar em segundo plano. As hepatites B e C atingem um número maior que qualquer outra doença que possa estar sendo cuidada pelo Departamento, devendo, portanto, merecer uma atenção especial.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com

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