O mundo está preocupado com a gordura no fígado. O Brasil está fazendo alguma coisa?

594

Voltar

 

  • A doença hepática gordurosa é uma causa crescente de cirrose e câncer de fígado em todo o mundo.
  • A carga de doenças deverá aumentar com a epidemia de obesidade e diabetes.
  • Estudo em nove países mostra crescimento lento no total de casos e maior aumento nos casos avançados.
  • A mortalidade e a doença hepática avançada irão mais do que duplicar durante 2016-2030.

O estudo da carga da doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD) foi realizado na China, França, Alemanha, Itália, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos para estimar o aumento para o período 2016-2030

A doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD) com esteatohepatite não-alcoólica resultante (NASH) é cada vez mais uma causa de cirrose e carcinoma hepatocelular em todo o mundo. Espera-se que este fardo aumente à medida que as epidemias de obesidade, diabetes e síndrome metabólica continuem a crescer.

O estudo foi realizado para estimar a progressão da doença NAFLD e NASH em 8 países com base em dados para a prevalência de obesidade em adultos e diabetes tipo 2. As estimativas publicadas e o consenso dos especialistas foram usados ​​para construir e validar as projeções do modelo.

Se a obesidade e o diabetes tipo 2 estabilizarem no futuro, é projetado um crescimento modesto nos casos totais de NAFLD (entre 0 e 30%), entre 2016 e 2030, com maior crescimento na China como resultado da urbanização e um menor crescimento no Japão como resultado de uma população cada vez menor. No entanto, ao mesmo tempo, a prevalência de NASH aumentará entre 15 e 56%, enquanto a mortalidade hepática e a doença hepática avançada mais do que duplicarão como resultado do envelhecimento e aumento da população.

Concluem os autores que o DHGNA e a NASH representam um grande e crescente problema de saúde pública e esforços para entender essa epidemia e mitigar o ônus da doença são necessários. Se a obesidade e o diabetes tipo 2 continuarem a aumentar nas taxas atuais e históricas, espera-se que tanto a prevalência de NAFLD quanto de NASH aumentem. Uma vez que ambos são reversíveis, as campanhas de saúde pública para aumentar a conscientização e o diagnóstico e para promover a dieta e o exercício podem ajudar a gerenciar o crescimento da carga futura de doenças.

MEU COMENTÁRIO EM RELAÇÃO SOBRE QUEM DEVERÁ CUIDAR DO PROBLEMA NO BRASIL

O estágio inicial da gordura no fígado é chamado de doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (NAFLD) e quando o deposito de gordura no fígado é maior o estágio da doença é chamado de Esteato Hepatite Não Alcoólica (NASH).

As duas condições inflamam o fígado provocando fibrose, cirrose câncer no fígado.  Como inflamam o fígado são então consideradas uma hepatite.

É nesse ponto que chamo a atenção, a doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (NAFLD) e a esteatohepatite não-alcoólica resultante (NASH) são consideradas uma hepatite, mas não uma hepatite provocada por vírus e, portanto, não será cuidada pelo Departamento IST/Aids/Hepatites Virais, já que esse departamento do ministério da saúde somente cuida de hepatites provocadas por vírus.

Considero que deveria, em princípio, ser de responsabilidade da Secretaria de Atenção à Saúde do ministério da saúde em conjunto com vários de seus setores, Atenção Básica, Assistência Farmacêutica, Promoção da Saúde, Atenção Especializada e Hospitalar, entre outros, pois deve se cuidar da obesidade, qualidade de vida, diabetes, educação em alimentação e atividades físicas entre outras, mas no momento podemos considerar que o NALFD e o NASH estão órfãs, sendo urgente que alguém na saúde pública passe a cuidar desse grave problema no fígado, já que em muitos países já é a principal indicação para transplante de fígado.

Meu comentário vale como alerta aos gestores públicos.

Fonte: Modeling NAFLD Disease Burden in China, France, Germany, Italy, Japan, Spain, United Kingdom, and United States for the period 2016-2030 – Chris Estes, Quentin M Anstee , Maria Teresa Árias-Loste, Heike Bantel, Stefeno Bellentani, Joana Caballeria, Massimo Colombo, Antonio Craxi, Javier Crespo, Christopher P. Dia, Andreas Geier, Loreta A. Kondili, Jeffrey V. Lazarus, Rohit Loomba, Michael P. Manns, Giulio Marchesini, Francesco Negro, Salvatore Petta, Homie Razavi – Journal of Hepatology – https://doi.org/10.1016/j.jhep.2018.05.036 – O texto completo do estudo é encontrado em  https://www.journal-of-hepatology.eu/article/S0168-8278(18)32121-4/fulltext

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com

IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.

Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.

Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação médica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM

O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA – ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO

 

Compartilhar